segunda-feira, setembro 11, 2006

Paz às suas almas

Quando estive o ano passado em Nova Iorque, havia um local que sabia que iria visitar e que não sabia como iria reagir. As imagens que tinha do Ground Zero depois do ataque de 11 de Setembro eram maioritariamente retiradas de muitas horas a rever reportagens em inúmeros canais de televisão noticiosos. Nunca me teria passado pela cabeça a verdadeira dimensão do espaço ocupado pelo WTC se não tivesse estado lá, mesmo ao lado do local onde, provavelmente, a história deste novo século começou a ser escrita da forma mais dramática possível. O sentimento que trago comigo desse local é a confirmação de como a irracionalidade do ser humano consegue ser tão absurda. De como somos capazes da mais pura destruição em nome de coisas que, no fundo, não significam rigorosamente nada quando se acaba com a vida de quase 3.000 pessoas e se deixam destroçados todos os familiares, amigos e entes queridos de todas essas almas. Ao relembrar as imagens dos ataques, não posso deixar de pensar que toda e qualquer morte deliberada de um ser humano é um perfeito desperdício, seja esse ser humano morto numa cidade norte-americana, libanesa, iraquiana ou israelita. E que, no fundo, não merecemos a consciência, a alma, os neurónios que a nossa espécie possui, pois mais facilmente os utilizamos para a morte ou para a destruição do que para resolver todos os problemas verdadeiramente importantes que grassam por esse planeta fora.

15 comentários:

antimater disse...

O que mais me preocupa (para além do terror) é a verdade do 9/11 que, quanto a mim, está longe de ser conhecida...

Vasco S.

Sea disse...

Verdade nua e crua.
Mas, a pior das verdades, é que grande parte das pessoas acredita que irá haver um outro atentado desta magnitude. Eu acredito.

miguelinho disse...

Nuno, tal como tu (fizemos a viagem no mesmo grupo) também estive no local dos atentados, é sem duvida aterrador ver no local a verdadeira dimensão da tragédia, para alem das quase 3000 vitimas é na minha opinião também bastante triste a maneira como a maior potência do mundo encarou estes atentados.
"um ataque a liberdade"
Como se alguém os estivesse designado os guardiões da liberdade
"um ataque ao nosso estilo de vida"
Como se por esse mundo fora alguém esteja realmente preocupado se nos EUA se comem mais ou menos hambúrgueres ou se vê mais ou menos MTV.
Infelizmente o governo americano parece ter conseguido convencer o seu povo que foram estas as razões para o desencadeamento dos atentados.
É sem duvida uma grande tragédia que não haja a capacidade de entender que os radicais que executaram os atentados só o conseguiram fazer porque pertenciam a uma organização muito poderosa, que encontra as fundações para a sua capacidade operacional no apoio que lhe é dado em muitos países do terceiro mundo, apoio esse que nasce de anos e anos de uma política externa por parte dos EUA completamente anacrónica, que olha só exclusivamente para os seus interesses e que condena milhares e milhares de seres humanos a uma pobreza estrema, essa mesma política externa é responsável por inúmeros atropelos ao direito internacional e não tem qualquer problema em recorrer a força para tirar ou colocar governos (independentemente de estes terem sido democraticamente eleitos) em países em que os EUA advogam estarem na sua "área de influencia".

José Raposo disse...

Um americano morto não vale mais que um iraquiano, palestiniano, indonésio, espanhol ou inglês. E é à tentação dessa hipocrisia que devemos resistir.
Mas uma coisa é certa, foram os ataques do 11 de Setembro que despoletaram a cadeia de eventos a que assistimos hoje em dia. Embora seja natural que estes atentados sejam reflexo da política externa absurda dos Estados Unidos assim como dos Soviéticos na guerra fria.
Mas os Estados Unidos são os Estados Unidos, não nos podemos esquecer que independentemente dos anormais que possam governar a casa branca (agora é o momento em que me podem acusar de ser americanista primário) os estados unidos sempre foram um exemplo de Liberdade +ara o resto do mundo e é assim que apesar de tudo eu gosto de os ver.
Nós Europeus, (não tanto nós portugueses) devemos muito aos Estados Unidos que sempre estiveram lá para nos ajudar quando nós precisámos.
O problema dos dias que correm é mesmo esse. Termos a tendência a ter memória curta e esquecer-nos que os Estados Unidos são uma terra de Liberdade e oportunidade, mas que muitas vezes são a causa de muitas interferências violentas um pouco por todo o mundo o que naturalmente não deixa muitos amigos para trás.
É como a carta do bispo de Nova Iorque (acho que era de NY) sobre a guerra no Iraque. Dizia o senhor que ninguém atacava a Suécia ou o Canadá porque esses países não insistem em bombardear ninguém...
Já agora essa foto é minha ou tua? :)

José Raposo disse...

Só mais uma coisa... gostava mais dos tijolos que das pirâmides :)

Nuno Guronsan disse...

A foto é minha :)
Os tijolos foram-se, as pirâmides que não são pirâmides também é uma foto minha :)

Agradecimentos vários aos comentadores que por aqui têm aparecido.

José Raposo disse...

Então são o quê? Toblerones?

o anónimo do costume disse...

Alguém falou em toblerones?! (uma m«vez que já venho atrasado para a discussão...)

Nuno Guronsan disse...

Não, também não são toblerones, se bem que isso sim é que era uma grande fotografia. Eu dou uma dica, tentem ver a foto mais de lado...

PenaBranca disse...

a casa dos bicos?

Nuno Guronsan disse...

E eis que a resposta chega de um emigrante cheio de saudades de casa ;)

PenaBranca disse...

por impossivel que possa parecer ha coisas que sabem melhor que toblerone (e eu devo ser dos seus maiores fas!). e como ha tanto tempo que ando deprivado da coisa (da casa dos bicos) melhor me soube :-)

Nuno Guronsan disse...

Ai, estes emigras, sempre a mesma coisa. Se não te conhecesse, diria que andas a ouvir muito Toy ou Emanuel, mas como sei que até tens umas ondas sonoras boas, apenas me resta dizer que já não falta muito para NOVEMBRO!! ;)

PenaBranca disse...

cruz credo, ja fiquei assustado com o fenomeno Mikael Carreira aquando da minha ultima passagem por PT. levem de mim tal praga de Toys e afins, venha algo para aquecer e enriquecer a alma de forma decente!

cuotidiano disse...

Só neste último mês, e também só no Iraque (o tal país que estava repleto de armas de destruição maciça, prontas a actuar em 45 minutos e que, por isso, foi invadido...), morreram, segundo os dados oficiais, mais de 3.000 civis - estando lá os EUA há 3 anos,já vamos em larguíssimas dezenas de milhar...relembro isto porque como dizes, e bem, a vida humana vale o mesmo em Nova Iorque, em Beirute, em Telavive...

E será que o Mundo agora está melhor, mais seguro, será que a actuação dos EUA (à margem das organizações internacionais, relembro)foi uma brilhante e inteligente resposta aos atentados?

Já agora, será que se sabe exactamente o quê e quem esteve por detrás destes mesmo atentados?

Como é óbvio, tenho o mais profundo desprezo por todos aqueles que pensaram e cometeram este bárbaro atentado e o mais profundo respeito pelas suas vítimas - No entanto, não se pode com isso cegar para todas as atrocidades que os EUA têm cometido pelo Mundo fora, antes e depois destes atentados.

Curiosamente, isto anda de tal forma que já nem os americanos "acreditam" no Bush...