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sábado, junho 30, 2012

Nítido nulo

"Há o espírito do tempo, da hora que nos calhou, só se nasce uma vez? há o signo que nos coube. Introduz-se nos interstícios de todo o nosso ser, é o espírito do tempo. No que pensamos, amamos, odiamos. E no nosso modo de andar, de vestir, de estar à mesa. E de fazer amor. E no tamanho dos gestos, na altura da voz. No formato do corpo até onde puder ser. Nos problemas que nos pomos e na antecipada solução deles, que é por onde um problema começa. Ou na não solução deles quando escolhemos problemas para a não terem. E nos móveis da casa e no sítio deles e na casa e no sítio da casa. É o espírito que nos atravessa todos mas que enquanto nos atravessa nós estamos fabricando ou já temos fabricado - é curioso. Vou pensar na questão?"

Vergílio Ferreira

 

sábado, janeiro 14, 2012

Para um anónimo do costume

"Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá."

Vergílio Ferreira







(E fico tão feliz que tenhas mesmo decidido levar as palavras do teu mestre à letra. Não haverá estrela mais bonita do que aquela que o último Natal te trouxe. Um grande abraço, meu caro amigo anónimo do costume. Que sejas sempre feliz.)



quarta-feira, março 11, 2009

Continuo a acordar...

... e haja muitos demónios a deixarem-me palavras tão bonitas como as que se seguem.

"Mas insensivelmente os lábios foram-se separando um pouco. Um dente. Subtil iluminado de pacificação serenidade alegria de ser - se te demorasses um pouco. E seres aí a vida rodeada de verdade por todos os lados. Um dente visível. Mas os lábios separaram-se mais e são agora um sorriso claro solar. E instintivamente deixei que se demorasse aí até eu poder reconhecer-lhe o esplendor. É um riso, não vou cometer a imprudência de o perder. Está na linha do céu e do mar, não vou. A juventude sem uma força excessiva de o ser. A confiança - não vou. O futuro dos séculos a quererem vir. A segurança contra o medo a vileza a degradação. A morte. Nem na realidade há nele futuro algum. Porque todos os séculos do futuro e do passado se conglomeram ali no instantâneo presente. O riso. Sem olhos nem face. Nem cabelos. Porque toda a sua ausência está lá. São olhos iluminados de uma festa terrível, cabelos de ar. Fixar-te para sempre, riso da minha pacificação."

Vergílio Ferreira

sexta-feira, abril 13, 2007

Da escrita de livros

escrita

substantivo feminino


1.
representação do pensamento e da palavra por meio de sinais convencionais;

2.
conjunto de caracteres adoptado num determinado sistema de representação gráfica;

3.
técnica de representação por meio de sinais convencionais;

4.
aquilo que se escreve;

5.
modo pessoal de expressão escrita; estilo;

6.
exercício para desenvolver a caligrafia;

7.
forma como cada pessoa desenha os caracteres utilizados na escrita; caligrafia;

8.
ECONOMIA (contabilidade ) registo, em livros apropriados, segundo determinadas regras, das operações económicas de uma empresa; escrituração comercial;

pôr a escrita em dia contar as últimas novidades; tratar da correspondência em atraso;

(Do lat. scripta-, «coisas escritas», part. pass. neut. pl. subst. de scribère, «escrever»)


© Copyright 2003-2007, Porto Editora.

livro

substantivo masculino


1.
reunião de cadernos, manuscritos ou impressos, cosidos ordenadamente, formando um volume encadernado ou brochado;

2.
obra literária ou científica, em prosa ou verso;

3.
divisão de uma obra;

4.
registo de certas actividades ou de actos simbólicos;

5.
ZOOLOGIA terceira parte do estômago dos ruminantes, que apresenta internamente numerosas pregas; folhoso;

livro de bolso livro de tamanho reduzido e em geral com preço baixo;

livro de cheques conjunto de impressos emitidos por um banco que, quando devidamente preenchidos e assinados, permitem ao seu titular movimentar dinheiro de uma conta;

livro de ouro livro em que se regista o nome das pessoas que contribuíram para determinado fim altruístico, ou de visitantes ilustres;

livro de ponto livro usado nas escolas pelos professores para fazer o registo diário das actividades lectivas de uma turma;

ser um livro aberto ser franco, leal; saber muito;

(Do lat. libru-, «id.»)


© Copyright 2003-2007, Porto Editora.

Ora, o problema está efectivamente na conjugação das duas palavras, que efectivamente não está ao alcance de todos. Muito menos de alguém que não tenciona levar a sério nenhum dos seus escritos, por mais elaborados ou pensados que eles sejam. Esses escritos não passam de um escape, uma forma de deixar algumas pegadas mais consistentes na areia, mas que mesmo assim serão varridas pelas ondas do tempo, senão agora, daqui a algum tempo, sem qualquer réstia de dúvida. Sejamos muito claros. Ninguém aqui quer ser autor ou escritor ou o que quer que possa sair da conjugação lá de cima. Se me fosse dado a escolher, mais depressa sugeria outros escritos de outras pessoas que, na minha opinião, estão uns furos bem acima da média de livros que vejo publicados todos os dias. Escritos como os que leio aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui. Estamos conversados e ponto final. Até porque o senhor Vergílio Ferreira já explicou muito bem a razão pela qual escrevo,

"Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve."