Serviço de utilidade pública - XXIV
...Porque a vida nem sempre é preta ou branca.
"Interestingly, according to modern astronomers, space is finite. This is a very comforting thought - particularly for people who can never remember where they have left things. The key factor in thinking about the universe, however, is that it is expanding and will one day break apart and disappear. That is why if the girl in the office down the hall has some good points but perhaps not all the qualities you require it's best to compromise."
Etiquetas: Woody Allen
"às vezes
Etiquetas: Hugo Roque


Etiquetas: Rumble Fish

Etiquetas: Elegia

Etiquetas: Akira
"Whosoever shall not fall by the sword or by famine, shall fall by pestilence so why bother shaving?"
Etiquetas: Woody Allen
A propósito de um piano e das palavras de um amigo que me deixam sempre a reflectir.
Etiquetas: Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
Numa altura em que já não recebo tantas cartas como antigamente, as novas tecnologias às vezes são uma seca, o melhor que se consegue arranjar é um e-mail gerado automaticamente do mais impessoal possível mas que afinal nos traz notícias de um amigo há muito perdido. Um amigo que me passou pelas mãos vindo directamente da varanda mais quente de portugal, e não estou só a falar do calor que traz gotículas e mais gotículas de suor, e que depois de páginas e mais páginas, acabou num pequenino cantinho de um pavilhão que teimou em resistir na terra dos ex-pavilhões aos pacotes e que desde o longínquo setembro de 2004 nunca mais tinha dado notícias, como tantas vezes tem acontecido a irmãos e irmãs desalinhados que tenho largado nas estradas por onde já passei. Tudo isto para descobrir que, em tempos de crise de embuste, o rapaz acabou por se tornar num vendido, passando uma imagem de 2ª mão, quando até já passou por mais. Mesmo assim, obrigado pelas notícias e olha, podes sempre recauchutá-lo com mais uma de mão, acho que ele ainda se aguenta á bronca...
"Thought: Why does man kill? He kills for food. And not only food: Frequently there must be a beverage."
Etiquetas: Woody Allen

Etiquetas: António Barreto
"as tuas palavras são o melhor que me podem dar."
Começou a ouvir as primeiras notas a ecoarem no silêncio do prédio. A vizinha de cima acabava de começar o seu "concerto" de final de tarde. Encostado no sofá, depois de mais um dia de trabalho, com a janela meio aberta, a deixar entrar alguma corrente de ar e aquela luz magnífica que só os fins de tarde de verão podem ter, no silêncio do seu apartamento, vai ouvindo as bonitas notas de um jazz de uma beleza em câmara lenta que a sua vizinha de cima toca de cada vez que os seus dedos encontram as teclas brancas e negras do seu piano. Naqueles dias quentes, acaba por ser a única coisa que o faz descontrair e arrefecer o espiríto. Imagina que ela toca apenas para ele, que as notas atravessam as paredes da casa com o único intuito de chegar aos seus ouvidos, a todos os recantos da sua mente, dando-lhe paz e sossego. Gosta mais das suas notas de verão. Mas também sente o coração reconfortado nas tardes chuvosas de inverno, quando a vizinha de cima toca peças clássicas, frias e minimais, das quais ele desconhece o nome do compositor. Nunca foi um conhecedor de música erudita e até quase que podia dizer que a mesma não o entusiasmava por aí além. Mas a combinação da contenção daquele piano, com as gotas de chuva a acariciarem o vidro da janela, e com o crepitar das pequenas labarelas na sua lareira, proporcionavam-lhe algo que não conseguia explicar. Talvez já morasse sozinho há demasiado tempo. Talvez os antigos pequenos momentos de solidão que apreciava se estivessem a tornar num vazio cada vez menos suportável. Talvez fosse apenas a sua cabeça a pregar-lhe partidas. Ou, naquele preciso momento, talvez o calor que vinha lá de fora fosse de tal forma abafado que a sua mente tivesse fugido para aquele antro de pensamentos esvoaçantes, ao som de um piano que não pedia permissão para se insinuar por toda a casa. Era engraçado que, de cada vez que tentava imaginar a vizinha de cima a tocar, apenas conseguia formar uma imagem mental das suas mãos a percorrerem o teclado, como se de uma peça de porcelana se tratasse. Não era porque não a conhecesse. Tinham-se cruzado umas quantas vezes, nas escadas, à entrada do prédio, em frente às caixas do correio. Algumas palavras de circunstância, bom dia, boa tarde, o tempo, as plantas da entrada, o carteiro que se enganava na correspondência, pouco mais. Nada sobre os concertos de piano. Tinha receio que ao mencionar algo sobre isso a deixasse desconfortável e o piano ficasse quedo e silencioso. Por isso, ele conhecia a sua vizinha de cima, sabia como eram as linhas e curvas do seu rosto, as formas do seu corpo, até o som da voz dela. Mas, naquele momento, sentado, no silêncio entrecortado pelo fluir das cordas do piano, a única imagem dela que lhe surgia era a dos seus dedos, movendo-se sem esforço, sentindo as teclas como se fossem extensões das falanges, as notas a sua voz. E se para apreciar a beleza sublime daquelas horas, daqueles verões, daqueles fins de tarde, se o preço a pagar fosse a solidão daquele apartamento que lhe servia de casa, pois então que fosse. Não se importava. Ouvir a sua vizinha de cima a tocar o piano era o amor que lhe chegava para incendiar o seu coração.
Etiquetas: Chacun Son Cinéma
Etiquetas: Chacun Son Cinéma
"The universe is merely a fleeting idea in God's mind - a pretty uncomfortable thought, particularly if you've just made a down payment on a house."
Etiquetas: Woody Allen
Etiquetas: Chacun Son Cinéma
Etiquetas: Chacun Son Cinéma
"Quem quer casar com a carochinha
Etiquetas: Adolfo Coelho

Etiquetas: Star Trek
Ontem à noite alguém me dizia que tinha descoberto quase por acaso este Espaço. E, mais estranho ainda, que tinha gostado do que cá tinha lido. Ainda que tenha achado quase todas as palavras bastante melancólicas, quando não mesmo tristes. Compreende-se. Há até quem já tenha falado em teletransporte de personalidade, qual beam me up scotty onde as moléculas tenham trocado de lugar com outro pseudo-escritor, trocando traços, trocando palavras. Os últimos tempos, até há duas semanas atrás, não tinham sido, de facto, fáceis. E o resultado acaba sempre por ser este mesmo, a permeabilidade dos sentimentos a passarem dos dedos para as teclas do computador. Mas depois das palavras de ontem, os neurónios ficaram a mexer, e a remoer, e a pensar em outras estórias que por aqui já passaram à ilharga, e que mesmo eu, ao lê-las, não conseguia evitar um sorriso daqueles solarengos, que o verão está quase aí. E achei que, um bocado inspirado pelas palavras do amigo de ontem e pelo milagre que aí vem cortesia de uma amiga do tamanho do mundo, está na altura de escrever outro conto de fadas. E era nisto que estava a tornar-se mais um regresso habitual a casa. Até que ouvi estas palavras.
Etiquetas: The National
Ás vezes também me sinto como um extraterrestre, a viajar num ovni que vai pairando por aí, sem rumo ou destino aparente. E sinto que me esqueci de algo no planeta de origem, e que provavelmente até seria um metafórico mapa para me guiar no meu caminho...
