Quinta-feira, Julho 09, 2009

Serviço de utilidade pública - XXIV


(a pedido de um viajante perdido algures)

Quarta-feira, Julho 08, 2009


Segunda-feira, Julho 06, 2009

The UFO Menace

"Interestingly, according to modern astronomers, space is finite. This is a very comforting thought - particularly for people who can never remember where they have left things. The key factor in thinking about the universe, however, is that it is expanding and will one day break apart and disappear. That is why if the girl in the office down the hall has some good points but perhaps not all the qualities you require it's best to compromise."

Woody Allen


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Domingo, Julho 05, 2009

O teu nome

"às vezes
dá-me pena que me
falte a destreza
para conceber um daqueles
poemas cheios de palavras
indomáveis mas de gostosa
cifra, daqueles que têm
um som mesmo bom
de ouvir, fonética
e sintacticamente
irresistíveis,
mesmo para quem não
avançou muito nos estudos.
um poema extenso, intrincado,
calibre de guerra mas leve
como sapatilha de ballet
ah! antes de to oferecer
dobrar a lírica em quatro
e atar-lhe um lacinho
à volta das redondilhas
plenas da cultura geral
que eu não tenho!
só o título desse poema
queria que fosse de chapa
mas ainda mais perfeito
na palavra,

o teu nome."

(da autoria de alguém que "conheci" como Abssinto,
e que me chegou via a novel Revista Zero Nove)

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Sábado, Julho 04, 2009

Na escuridão


>Yuri Kozyrev, Russia, Noor for Time.

Rajiha Jihad Jassim (37) stands with her son Sarhan, in Baghdad, Iraq. Her husband, Gazie Swadi Tofan, was kidnapped in November 2006 and is still missing. For months she visited the city morgue, in case she could recognize her husband among the dead. With five children and no family income, she can no longer pay the bus fare so does not go to the morgue any more, but still hopes for Tofan's return.

Fucked-up families


"Even the most primitive of societies have an innate respect for the insane."

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Elegia


Há uma série de coisas que me trespassaram a alma ao ver este filme. Há o sentimento de me perder, ao mesmo tempo, entre a beleza das linhas que fazem parte do corpo e da alma de Consuela e entre as cicatrizes temporais que vemos no rosto de pessoas como David, George e Amy e que também ouvimos nas suas palavras. Também sinto a falta de um grande amor, daqueles que nos deixa sem outros pensamentos na nossa mente, um amor que nos absorve por completo, que nos arrasta para o seu interior e não nos deixa sair daquele espaço, o espaço que apenas nós os dois sabemos que existe na comunhão dos nossos corpos e almas. O filme também me lembra algo que já sabia mas que quase tinha esquecido, que não quero nunca ter de enterrar amigos meus, amigos daqueles com os quais partilhamos laços de sangue, mais intensos ainda do que se fossem nossos familiares. Já o tive de fazer por duas ocasiões e foram tempos bem negros, esses. Foram alturas em que questionei tudo o que me rodeava, a justiça do desaparecimento de alguém que ainda nem sequer saiu da primavera da vida e não teve direito a caminhar na direcção das outras estações. Foram momentos de uma dor estranha, confusa, que nos aperta o coração e nos faz perguntar o que fizémos para merecer estar aqui. E finalmente, lembrou-me também que há tristezas que nunca nos abandonam, que caminham connosco de mão dada, imagens e lágrimas que parecem adormecidas mas que no espaço de um segundo estão ali, novamente a serem vividas, e que nem assim a dor se torna mais suportável. Lembramos os bons momentos, os risos, os abraços, as afinidades, mas recordamos também as lágrimas, a doença, as dores e o momento da despedida. Tudo como se tivesse acontecido ontem.

Um filme que nos faz pensar nisto tudo apenas pode ser necessariamente interessante. E para mais, havia um piano na história. Razões mais do que suficientes para o ver.


George O'Hearn: Beautiful women are invisible.
David Kepesh: Invisible? What the hell does that mean? Invisible? They jump out at you. A beautiful woman, she stands out. She stands apart. You can't miss her.
George O'Hearn: But we never actually see the person. We see the beautiful shell. We're blocked by the beauty barrier. Yeah, we're so dazzled by the outside that we never make it inside.


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Quinta-feira, Julho 02, 2009


Não gostava de morar num mundo pós-apocalíptico, apercebo-me agora disso. Um mundo que tivesse sido devastado pelas criações destruidoras do homem seria algo demasiado negro para mim. Viver rodeado do permanente sentimento da morte eminente, às mãos de um qualquer bando de revolucionários de alguibeira ou de agentes policiais transformados em braço armado de um lunático, são algumas das imagens que de repente me assolam o cérebro quando penso nessa possibilidade de mundo. Definitivamente o futuro, por vezes, consegue ser algo de perfeitamente assustador. Não é sempre, mas às vezes, quando se liga a televisão, quando se pega num livro ou quando se vê um filme que nos deixa a pensar. A pensar que por muito conhecimento que acumulemos na nossa fugaz existência, o desconhecido ocupará sempre a maior percentagem na nossa mente. Resta-nos acreditar que, no derradeiro fim, os princípios que deviam nortear o humanidade, como o amor e a amizade, serão mesmo a última coisa a ser vaporizada numa bola de fogo infernal...

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Sexta-feira, Junho 26, 2009

The Scrolls

"Whosoever shall not fall by the sword or by famine, shall fall by pestilence so why bother shaving?"

Woody Allen

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Terça-feira, Junho 23, 2009

J'aime quoi?

A propósito de um piano e das palavras de um amigo que me deixam sempre a reflectir.




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Domingo, Junho 21, 2009

Capa dura

Numa altura em que já não recebo tantas cartas como antigamente, as novas tecnologias às vezes são uma seca, o melhor que se consegue arranjar é um e-mail gerado automaticamente do mais impessoal possível mas que afinal nos traz notícias de um amigo há muito perdido. Um amigo que me passou pelas mãos vindo directamente da varanda mais quente de portugal, e não estou só a falar do calor que traz gotículas e mais gotículas de suor, e que depois de páginas e mais páginas, acabou num pequenino cantinho de um pavilhão que teimou em resistir na terra dos ex-pavilhões aos pacotes e que desde o longínquo setembro de 2004 nunca mais tinha dado notícias, como tantas vezes tem acontecido a irmãos e irmãs desalinhados que tenho largado nas estradas por onde já passei. Tudo isto para descobrir que, em tempos de crise de embuste, o rapaz acabou por se tornar num vendido, passando uma imagem de 2ª mão, quando até já passou por mais. Mesmo assim, obrigado pelas notícias e olha, podes sempre recauchutá-lo com mais uma de mão, acho que ele ainda se aguenta á bronca...

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Selections from the Allen Notebooks

"Thought: Why does man kill? He kills for food. And not only food: Frequently there must be a beverage."

Woody Allen

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Quarta-feira, Junho 10, 2009

Palavras acertadas



"A sociedade e o estado são ainda excessivamente centralizados. As desigualdades sociais persistem para além do aceitável. A injustiça é perene. A falta de justiça também. O favor ainda vence vezes demais o mérito."

(in Público)


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Pedido

"as tuas palavras são o melhor que me podem dar."



E eu apenas peço o teu sorriso. Peço-te que não chores para não me obrigares a ir limpar as minhas lágrimas para o quarto ao lado. Sorri, esquece as maleitas, e vive o que tens a viver.


No andar de cima

Começou a ouvir as primeiras notas a ecoarem no silêncio do prédio. A vizinha de cima acabava de começar o seu "concerto" de final de tarde. Encostado no sofá, depois de mais um dia de trabalho, com a janela meio aberta, a deixar entrar alguma corrente de ar e aquela luz magnífica que só os fins de tarde de verão podem ter, no silêncio do seu apartamento, vai ouvindo as bonitas notas de um jazz de uma beleza em câmara lenta que a sua vizinha de cima toca de cada vez que os seus dedos encontram as teclas brancas e negras do seu piano. Naqueles dias quentes, acaba por ser a única coisa que o faz descontrair e arrefecer o espiríto. Imagina que ela toca apenas para ele, que as notas atravessam as paredes da casa com o único intuito de chegar aos seus ouvidos, a todos os recantos da sua mente, dando-lhe paz e sossego. Gosta mais das suas notas de verão. Mas também sente o coração reconfortado nas tardes chuvosas de inverno, quando a vizinha de cima toca peças clássicas, frias e minimais, das quais ele desconhece o nome do compositor. Nunca foi um conhecedor de música erudita e até quase que podia dizer que a mesma não o entusiasmava por aí além. Mas a combinação da contenção daquele piano, com as gotas de chuva a acariciarem o vidro da janela, e com o crepitar das pequenas labarelas na sua lareira, proporcionavam-lhe algo que não conseguia explicar. Talvez já morasse sozinho há demasiado tempo. Talvez os antigos pequenos momentos de solidão que apreciava se estivessem a tornar num vazio cada vez menos suportável. Talvez fosse apenas a sua cabeça a pregar-lhe partidas. Ou, naquele preciso momento, talvez o calor que vinha lá de fora fosse de tal forma abafado que a sua mente tivesse fugido para aquele antro de pensamentos esvoaçantes, ao som de um piano que não pedia permissão para se insinuar por toda a casa. Era engraçado que, de cada vez que tentava imaginar a vizinha de cima a tocar, apenas conseguia formar uma imagem mental das suas mãos a percorrerem o teclado, como se de uma peça de porcelana se tratasse. Não era porque não a conhecesse. Tinham-se cruzado umas quantas vezes, nas escadas, à entrada do prédio, em frente às caixas do correio. Algumas palavras de circunstância, bom dia, boa tarde, o tempo, as plantas da entrada, o carteiro que se enganava na correspondência, pouco mais. Nada sobre os concertos de piano. Tinha receio que ao mencionar algo sobre isso a deixasse desconfortável e o piano ficasse quedo e silencioso. Por isso, ele conhecia a sua vizinha de cima, sabia como eram as linhas e curvas do seu rosto, as formas do seu corpo, até o som da voz dela. Mas, naquele momento, sentado, no silêncio entrecortado pelo fluir das cordas do piano, a única imagem dela que lhe surgia era a dos seus dedos, movendo-se sem esforço, sentindo as teclas como se fossem extensões das falanges, as notas a sua voz. E se para apreciar a beleza sublime daquelas horas, daqueles verões, daqueles fins de tarde, se o preço a pagar fosse a solidão daquele apartamento que lhe servia de casa, pois então que fosse. Não se importava. Ouvir a sua vizinha de cima a tocar o piano era o amor que lhe chegava para incendiar o seu coração.

Sábado, Junho 06, 2009

Na sala de cinema - IV




Foi sempre isto que me maravilhou numa sala de cinema. O ambiente quase mágico das imagens e do silêncio mesclado de respeito pelos intérpretes, capaz de nos arrancar a mais sentida das lágrimas e o mais sinceros dos sorrisos. Lembro-me que, com a idade destes moços, também sorri e fiquei de boca aberta quando vi o ET, penso que no São Jorge. Foi o primeiro e aquele que me acabou por viciar no ritual do cinema. Já agora, obrigado Spielberg.

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Quarta-feira, Junho 03, 2009

Na sala de cinema - III




É o caso crónico dos multiplexes e cinemas com milhentas salas. Olhamos para o "cardápio" e nada nos agrada, cheira tudo a pratos requentados e revistos vezes sem conta em qualquer ecrãn de televisão a um domingo à tarde. Foi como hoje. Não fui ao futebol mas fui passear à beira-rio. Excelente remédio quando não há nada que nos puxe para a escuridão de uma matiné.

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My Philosophy

"The universe is merely a fleeting idea in God's mind - a pretty uncomfortable thought, particularly if you've just made a down payment on a house."

Woody Allen

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Segunda-feira, Junho 01, 2009

Na sala de cinema - II




Já não me lembro da última vez que chorei na escuridão de uma sala de cinema. Talvez porque a ficção, por mais angustiante que seja, não passa disso mesmo e a realidade é sempre bem mais dura e capaz de arrancar lágrimas dos mais empedernidos corações.

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Domingo, Maio 31, 2009

Na sala de cinema




Bastam 3 minutos e meio para criar imagens que ficam dentro de nós, a trespassarem a nossa alma com a sua beleza e inquietude.

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Sábado, Maio 23, 2009

Luzes




... que me vão guiando pelo caminho certo.
Para bom entendedor, meia palavra basta.
E ainda bem que assim é.

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Lembras-te, Mãe?

"Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?"


[...]


"Que tendes, meninos,
Que quebrastes os cantarinhos?
Morreu o João Ratão,
A carochinha está a chorar,
A tripeça a dançar,
A porta a abrir e a fechar,
A trave quebrou-se,
O pinheiro arrancou-se,
Os passarinhos tiraram os olhinhos,
A fonte secou-se,
E nós quebrámos os cantarinhos.
Pois eu que sou rainha
Andarei em fralda pela cozinha."


[...]


"Ó carniceiro, tu és tão forte que matas o boi, que bebe a água, que apaga o lume, que queima o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!"


[...]


"Eu sou o coelhinho
Que tinha ido à horta
E ia para casa
Fazer o caldinho;
Mas quando lá cheguei
Encontrei a cabra cabrês
Que me salta em cima
E me faz em três."


[...]


"Eu sou a formiga rabiga,
que te tiro as tripas
E furo a barriga."


[...]


"Não vi velha, nem velhinha;
Não vi velha, nem velhão;
Corre, corre, cabacinha
Corre, corre, cabação."


[...]


"Do meu rabo fiz navalha;
Da navalha fiz sardinha;
Da sardinha fiz farinha;
Da farinha fiz menina;
Da menina fiz camisa;
Da camisa fiz viola;
Frum, fum, fim,
Vou para a minha escola."


(ou a prova provada que, para além de ser um
inveterado nostálgico, continuo a não passar
de uma pequena criança que sempre gostou de
pegar num livro e ficar a lê-lo durante horas.)

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Sábado, Maio 16, 2009

Eu, nardo*, me assumo


"Space: the final frontier. These are the voyages of the starship Enterprise. Her ongoing mission: to explore strange new worlds, to seek out new life-forms and new civilizations; to boldly go where no one has gone before."



(*para quem tenha o "Inforscravos", do Douglas Coupland, edição Teorema:)

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Quarta-feira, Maio 13, 2009

Veias

Ontem à noite alguém me dizia que tinha descoberto quase por acaso este Espaço. E, mais estranho ainda, que tinha gostado do que cá tinha lido. Ainda que tenha achado quase todas as palavras bastante melancólicas, quando não mesmo tristes. Compreende-se. Há até quem já tenha falado em teletransporte de personalidade, qual beam me up scotty onde as moléculas tenham trocado de lugar com outro pseudo-escritor, trocando traços, trocando palavras. Os últimos tempos, até há duas semanas atrás, não tinham sido, de facto, fáceis. E o resultado acaba sempre por ser este mesmo, a permeabilidade dos sentimentos a passarem dos dedos para as teclas do computador. Mas depois das palavras de ontem, os neurónios ficaram a mexer, e a remoer, e a pensar em outras estórias que por aqui já passaram à ilharga, e que mesmo eu, ao lê-las, não conseguia evitar um sorriso daqueles solarengos, que o verão está quase aí. E achei que, um bocado inspirado pelas palavras do amigo de ontem e pelo milagre que aí vem cortesia de uma amiga do tamanho do mundo, está na altura de escrever outro conto de fadas. E era nisto que estava a tornar-se mais um regresso habitual a casa. Até que ouvi estas palavras.

"You might need me more than you think you will"

E não consegui evitar pensar em coisas das quais já me tinha esquecido. E também não evitei que os meus olhos ficassem enevoados, encobertos por outras coisas também elas tristes.

Felizmente já não estava longe de casa. Felizmente estou mesmo determinado a escrever sobre coisas mais alegres. Até porque a vida tende a tornar-se mais alegre. Especialmente quando parece que finalmente os extraterrestres chegaram e são uns gajos muita porreiros. MOV(e-te)!


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Segunda-feira, Maio 11, 2009

Ficheiros (pouco) secretos

Ás vezes também me sinto como um extraterrestre, a viajar num ovni que vai pairando por aí, sem rumo ou destino aparente. E sinto que me esqueci de algo no planeta de origem, e que provavelmente até seria um metafórico mapa para me guiar no meu caminho...


(já dormias ou mudavas de canal, não? não bastou o fenómeno da carpa rectal, pelos vistos...)

Domingo, Maio 10, 2009

Posologia

nome feminino
MEDICINA indicação das doses em que se devem aplicar e tomar os medicamentos; dosologia
(Do gr. pósos, «quanto» +lógos, «tratado» +-ia)

(in Infopédia)


Não se poderá arranjar uma versão portátil para uso contínuo?
Tenho quase a certeza que vou precisar...
Venham as palavras.