quinta-feira, dezembro 29, 2011

quarta-feira, dezembro 28, 2011

12 filmes para 2011

"Smoke"















"Red"














"José e Pilar"














"Filme do Desassossego"



















"Dead Man"














"Black Swan"











"Source Code"













"1778 Stories of Me and My Wife"















"Barney's Version"












"Planet Of The Apes"









"Pina"













"The Tree Of Life"












menção honrosa: "The Wire: The Complete Series"














terça-feira, dezembro 27, 2011

Lembrei-me agora

2012 já vai valer a pena. Mais não seja para rever e ouvir uma boa amiga.



Agora é só esperar por domingo, 18 de Março. Já faltou mais...


A navegar...

... pelos fantasmas dos comentários passados.

Recordei que, um dia, esta minha frase matou alguém,

"A vida nem sempre é perfeita mas nas entrelinhas anda muito lá perto."

Quase cinco anos depois, não alterava uma única palavra.

12 discos para 2011

"Anna Calvi", Anna Calvi

"Wounded Rhymes", Lyyke Li

"Live At Union Chapel and Södra Teatern", Mark Kozelek

"Fala Mansa", Norberto Lobo

"Bon Iver", Bon Iver

"Chromatic", You Can't Win, Charlie Brown

"The Rip Tide", Beirut

"Lisboa Mulata", Dead Combo

"The Magic Place" Julianna Barwick

"Apocalypse", Bill Callahan

"Hardcore Will Never Die, But You Will", Mogwai

"A Montanha Mágica", Rodrigo Leão

segunda-feira, dezembro 26, 2011

12 livros para 2011

"The Berlin Wall: 13 August 1961 - 9 November 1989", Frederick Taylor

"The Picture of Dorian Gray", Oscar Wilde

"The Catcher In The Rye", J.D. Salinger

"Arquivo Íntimo", Nelson Mandela

"Incendiário", Chris Cleave

"Bichos", Miguel Torga

"O Carteiro de Pablo Neruda", Antonio Skármeta

"Americana", Don DeLillo

"A Educação Sentimental dos Pássaros", José Eduardo Agualusa

"Por Este Mundo Acima", Patrícia Reis

"Absolut Sandman Vol. 4", Neil Gaiman

"Húmus", Raul Brandão

um buraco no coração



(ou como um simples virar de costas pode não significar a formal desistência...)


terça-feira, dezembro 06, 2011

Por estas noites...


(imagem retirada daqui)


Or, as Lester would say,
A life, Jimmy, you know what that is? It's the shit that happens while you're waiting for moments that never come.


quinta-feira, dezembro 01, 2011

Viver.

E assim passou um ano desde que aqui estou a viver. Um ano repleto de tanta coisa para contar e escrever mas com pouco tempo para ocupar as páginas que ficaram em branco. A actividade profissional, as idas e vindas entre este lar e o outro, alguns devaneios turísticos intramuros, um devaneio turístico à la Relvas, as muito bemvindas visitas a este lar, algumas (ou muitas?) folgas repletas de pura nhoquice, tudo isto contribuiu para uma quase estabelecida falta de vontade para me sentar e escrever o que quer que fosse. E, no entanto, há palavras escritas, aqui e ali, perdidas nas páginas de outros, rabiscadas no momento, quem sabe um dia o que poderão dar. Mas um ano assim se passou. Nesta terra tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Houve dias em que 240 quilómetros significaram os mesmos sentimentos dos quase 10.000 quilómetros a que já estive um dia. Mas com ajuda de algumas almas que preenchem o meu coração, dias houve em que me sentia efectivamente em casa, sem necessidade de nada mais. Neste ano senti o meu ritmo abrandar. Senti-me a voltar uma década no tempo. A ir ao encontro de um espaço físico e emocional que já senti mas muito no passado. Viver aqui é uma experiência estranha para quem sempre viveu regularmente em sítios demasiado urbanos. É claro que me fazem falta algumas coisas que, por se viver numa grande cidade ou perto dela, damos por garantidas, estão sempre ali, podemos "pegar" nelas quando nos apetece. Aqui não há essas coisas. Mas também não há, ou quase não há, tudo aquilo que dia após dia exaspera qualquer ser humanos que tenha de viver nos grandes centros urbanos. Hoje caminho mais, ando muito menos de carro numa base diária, e, como já disse a algumas pessoas, apenas sinto saudades da minha família e dos meus amigos. São eles a carne e o sangue que me falta ao esqueleto. De resto, tenho aqui estabelecida a minha rotina, os meus momentos de ócio, e graças a algumas incursões num bom raio de quilómetros aqui à volta, conheço um pouco mais do meu país e, arrisco-me a dizê-lo, da parte boa, escondida e que vale a pena o esforço a descobrir. A minha pátria é a língua portuguesa, dizia Pessoa, e eu humildemente acrescento que a minha pátria são as oliveiras, os vales, as encostas das serras, os castelos, os rios, tudo o que me rodeia, e as pessoas. As pessoas. Aqui, nesta minha casa de um ano, as pessoas marcaram-me a ferros. Tenho tantas, tantas pessoas que conheci que davam um livro, literalmente. A sua simpatia, a sua pujança, a sua vontade de lutar e não desistir, o seu abraço, a sua sinceridade, perderia o resto do dia a descrever todas as formas como estas pessoas me receberam. Sempre me tive em conta como uma pessoa que gosta de estar com outras, mesmo nos meus dias de timidez adolescente, sempre me senti bem rodeado de outros seres humanos, mas a profundidade deste sentimento ficou bem mais real aos meus olhos depois deste ano. Tantos momentos que me chegam à memória, tantos segundos de profunda alegria por partilhar esta humanidade, esta gente do campo cujo coração é do tamanho deste país que vive dias tão tristes. Se houve chatices ou momentos de angústia? Claro que sim. Não é por todos falarmos a mesma língua, e eu que tanto inglês e portunhol falei neste ano, que nos ouvimos melhor. Mas passar de uma realidade onde todos os dias havia alguém descontente ou capaz de pegar em armas para nos enfrentar para uma outra onde isso ocorre tão esporadicamente que já nem me lembro quando foi a última, bom, nem sei propriamente como descrever o que isso significa para mim. Escrevo tudo isto para que haja registo, para que possa ler, onde quer que a vida me leve de seguida. Porque esta terra já faz um pouco parte de mim, e há que trabalhar para que continue a ser assim, há que continuar a merecer esta pequeníssima espécie de presente de natal fora de época que me foi entregue em mãos. Tal como tantas coisas que aconteceram nestes trinta e cinco anos de vida, continuo a não perceber porque tenho direito a estes acontecimentos tão bons e tão marcantes. Mas já que é o que tenho, continuemos assim, com a cabeça entre as orelhas, como diria o Sérgio. Obrigado. A emissão segue dentro de momentos.



domingo, novembro 13, 2011

Sonhar precisa-se...



Interior profundo.

Foi um dos primeiros a entrar na loja. Com o sorriso do costume, assente por baixo daqueles olhos que quase não precisavam de uma boca para falarem. Cumprimentou todos os empregados, depois estendeu também a mão para os poucos clientes que por ali andavam, tratando-os todos pelo nome próprio, qual registo civil ambulante cá da terra. E depois, quando me viu a caminhar na sua direcção, fez aquele gesto de quem acaba de ver um amigo de infância de quem já tinha muitas saudades.

Gosto de vir aqui. Não é que em casa me sinta sozinho, graças a deus a minha mulher é a melhor companhia que algum dia podia ter, especialmente agora que os filhos já não moram cá e os netos decidiram ir estudar para fora. Já há muitos anos que nos acompanhamos um ao outro e é assim que queremos acabar os nossos dias, quando chegar a nossa hora. Mas sair de casa, da minha horta, e vir até aqui, é muito mais que ir simplesmente às compras. É um sítio onde posso encontrar os meus vizinhos e amigos, pôr a conversa em dia, distribuir e receber sorrisos, falar com esta gente que trabalha tão bem e que nos recebe tão bem. São todos uma simpatia e já quase podiam ser da minha família. Ah, e aquele rapaz da cidade, esse é uma simpatia. Há ali coisas que me lembram o meu filho mais velho, há muitos anos, quando ainda morava com os pais. Não sei bem dizer o quê, mas sim, há ali qualquer coisa. Olha, lá vem ele.

Não me dá um abraço, se calhar para não chamar as atenções em demasia. Mas dá-me um aperto de mão demorado, alegre, feliz por me voltar a ver. Já fazia umas semanas que não nos encontrávamos. Diz que esteve para a capital, a visitar os filhos, a matar as saudades dos netos, a aproveitar para fazer uns exames também, há que aproveitar quando se tem um filho que é médico. Pergunta pelos meus pais, pela loja, pelos empregados. A tudo respondo com a maior das sinceridades, pois sei que essas perguntas são genuínas e não mera bisbilhotice. Agradeço-lhe mais uma vez a garrafa de aguardente que me deu da última vez que veio à loja. Que não tinha nada que se incomodar, que nós estamos ali para o ajudar e não para receber prendas. Ele diz para me deixar de tolices, que o prazer de oferecer foi dele e que apenas quer saber se estava boa. Digo-lhe que sim, e que o meu pai gostou também. Volta a sorrir como se não passasse de um jovem de vinte anos. E então do que é que precisa hoje?

Se não soubesse, diria que ele era mesmo daqui. Claro que não fala como nós, os que somos de cá, mas a forma como nos recebe, como fala connosco, como não se importa de nos ouvir, como sorri quando nos vê, nem se nota a diferença para os empregados que nasceram e sempre viveram aqui. Eu já desconfiava, mas quando ele me disse que os pais eram do norte, logo vi donde vinham as raízes dele. Não enganam. E eu sei do que falo. Sei bem como os meus netos são, eles que já não nasceram aqui na terra e que só vêm cá de férias, para me visitar e à avó deles. Já não é a mesma coisa. Não é que sejam mal-educados, ou que me faltem ao respeito, nada disso. Mas não é a mesma coisa. Por isso é que este rapaz é diferente. Mais terra-a-terra, mais parecido com as pessoas daqui. E está sempre disponível. Tenho que ver se lhe arranjo uma daquela compotas que a mulher costuma fazer por esta altura. Vai ficar todo contente.

Precisa de uns panos para a azeitona. Está na altura dela e tem de aproveitar que no próximo fim-de-semana os netos vão cá estar para o ajudar. Mostro-lhe os panos e pergunto se também precisa de ripadores. Diz que não tinha pensado nisso mas agora que lhos mostrei vai levar um par deles. Ajudo-o a levar as compras e acompanho-o até à caixa. Uma vez que está pouca gente na loja, ele aproveita para me contar mais uma daquelas histórias de quando era um gaiato e fazia a apanha da azeitona em vários terrenos aqui à volta. Gosto das história dele. Lembram-me as que o meu avô tantas e tantas vezes me contava e que acabei por quase decorar. Mas nestas história há uma diferença, quase sempre acabam por resvalar para alguma anedota, quase sempre rematadas com uma pequena caralhada e um sorriso maroto dele. Não há como rir com ele, deixando-nos sempre, a todos, com uma boa disposição que não tem preço. Despeço-me dele com um meio abraço e pergunto quando é que volta cá a vir. Também como sempre, diz que não sabe mas que da próxima vez me vai trazer a melhor compota que eu alguma vez provei, para mim e para o resto do pessoal. Trocamos sorrisos e despedimo-nos.

Lá levo eu mais coisas do que tinha planeado. Mas pronto, fazem sempre falta e se o rapaz não me tem lembrado, se calhar até tinha que cá voltar. Gosto sempre de conversar com ele. Não conheço muitos que, estando na posição dele, me aturassem assim. E o melhor de tudo é que se vê que não o faz por favor, nada disso, é mesmo dele. Bom, mas por hoje já chega, já lhe roubei tempo a mais. Ele diz que não, que é sempre um prazer ver-me. Acredito que sim, rapaz, olha que o prazer é todo meu. Pago as minhas compras, dou um beijinho à rapariga da caixa, que já a conheço quando ainda era uma bebé pequenita, e dou um abraço ao rapaz. Digo-lhe para manter as coisas como estão, que ele tem ali empregados bons e que sabem tratar dos clientes. Não mudes nada e guarda-os bem que eles são uma boa equipa. Na próxima vez trago compotas para todos, pois todos eles o merecem. Trocamos sorrisos e despedimo-nos.



(isto não existe. isto nunca aconteceu. esta terra não existe. ou será que sim?)


quinta-feira, novembro 10, 2011

Filosofia de Elevador

"A invisibilidade tem vantagens. Ouço muitas conver-
sas. Vejo estranhas coisas. Vou chegando à conclusão
de que o mundo, lá fora, não é muito diferente de um
circo. Há palhaços ricos e palhaços pobres. Domadores
de feras, estalando chicotes contra tigres vegetarianos,
que rugem em playback para assustar a turba, e são tão
medrosos que até uma barata os assusta. Há os equili-
bristas e os contorcionistas. Os que vivem no muro e os
que nunca tiveram coluna vertebral. Há os que fazem sur-
gir coelhos de dentro de cartolas, e os que desaparecem
com os coelhos e as cartolas, e todo o dinheiro dos justos.
O circo é o mundo condensado. Como o leite con-
densado, compreende?, meio artificial, mas muito mais
doce. A gente aprende a rir. Aprende a rir para combater
a dor."

José Eduardo Agualusa


quarta-feira, outubro 26, 2011

Húmus

"Atrás da insignificância andam os céus, os mundos, os
vagalhões doirados. Anda o desespero. Anda o instinto fe-
roz. Atrás disto andam as enxurradas de sóis e de pedras,
e os mortos mais vivos do que quando estavam vivos.
Atrás do tabique e das palavras anda a Vida e a Morte e ou-
tras figuras tremendas. Atrás das palavras com que te ilu-
des, de que te sustentas, das palavras mágicas, sinto uma
coisa descabelada e frenética, o espanto, a mixórdia, a dor,
as forças monstruosas e cegas.

(...)

Só a insignificância nos permite viver. Sem ela já o doi-
do que em nós prega, tinha tomado conta do mundo. A in-
significância comprime uma força desabalada.

Raul Brandão


terça-feira, outubro 25, 2011

Vida.

Um poema em forma de filme.




" The only way to be happy is to love. Unless you love, your life will flash by. Do good to them. Wonder. Hope."


quinta-feira, outubro 20, 2011

Por Este Mundo Acima

"E agora, com quem me aborreço?
Como abraço essa tua mania de passear pela vida,
desajeitando os dias?
Deixaste as luzes acesas.
As migalhas no chão.
A camisola amarrotada.
A toalha fora do sítio.
As minhas noites em desalinho.
As horas, vadias.
Anda.
Tenho saudades de arrumar o teu mundo.

Miguel Carvalho


(Mais um Outubro. Consta que amanhã o mundo vai acabar. Outra vez. Não faz mal, até porque hoje já houve momentos de felicidade suficientes para uma vida inteira. Creio eu.)


sexta-feira, outubro 14, 2011

A Educação Sentimental dos Pássaros

"A bondade é transparente, não carece de explicação.
Personagens de alma pura tendem a dar, já se sabe, fracas
personagens. Almas puras, como a água pura, não sabem
a nada. São matéria insípida. Personagens perversas,
pelo contrário, fazem a alegria dos atores que as inter-
pretam no cinema ou no teatro. O mal, mesmo rudimen-
tar, parece sempre mais complexo e interessante do que
o bem. O Diabo fascina. Os anjos, esses, nem sexo têm."

José Eduardo Agualusa



quinta-feira, outubro 13, 2011

Raízes



Serei sempre conhecido como o Quim pequeno.
Ou como o neto do Taveira ou o neto do Pinguinhas.
É um facto da vida e não posso fazer nada quanto isso.
Mas o curioso é que, tantos anos depois, sinto-me bem com isso.
E quando eventualmente um dia for um desconhecido aqui, vou sentir falta disso.


quinta-feira, outubro 06, 2011

Sinal de vida...


viva a metrópole e todos os seus pequenos prazeres.
em breve será altura de rumar a norte e aos seus grandes prazeres.
até já.


sexta-feira, setembro 30, 2011

domingo, setembro 18, 2011

quinta-feira, setembro 08, 2011

Americana

"A solidão intensa só se torna insuportável quando não há nada que queiramos dizer aos outros."

Don DeLillo


quarta-feira, setembro 07, 2011

Adeus.

Nunca a esqueceremos. Pois era uma pessoa linda, especial como poucas, com quem gostávamos de estar e que nos custava deixar. Sempre que estava com ela, ficava sempre mais feliz do que antes de a encontrar. A minha vida foi mais rica só por a ter conhecido, só por a ter visto sorrir, só por ter tido a benção da sua amizade. Que a sua alma seja feliz onde quer que esteja.




terça-feira, setembro 06, 2011

Simples.

Ocorre-me que a vida é um vestido. Um vestido cor de sangue, comprido, ocupando o espaço impunemente, sem prestar contas a quem quer que seja. Umas vezes amarrotado, derrotado, no chão, ignorado e pisado sem piedade. Outras vezes esvoaçando, ao sabor do vento que sopra, vivo, alegre, despreocupado e com vontade de voar por esse mundo fora, conhecendo tudo o que há para conhecer. Por vezes arrumado, numa caixa num armário, longe dos olhos de todos, só e isolado. Mas ainda algumas vezes, passeando pela rua, simples e sem dar nas vistas, cabeças rodando mesmo assim para o observarem melhor, iluminado e iluminando de cor sangue. Um vestido. Uma vida.


http://cdn1.lostateminor.com/wp-content/uploads/2011/07/Pina-film-2.jpg


domingo, setembro 04, 2011

Pequena (grande) nota

Era só mesmo para ficar escrito. Cada vez me apaixono mais pelo Alentejo, pelo nosso país interior, pelas pessoas que aqui vivem, por tudo o que essas pessoas lutam e pela força de vontade com que o fazem. São pessoas admiráveis e que mereciam tudo nas suas vidas. Que eu continue a partilhar os meus dias com elas é tudo o que de momento tenho a pedir. Resumindo, mais um dia daqueles para recordar até à eternidade.


sábado, setembro 03, 2011

da minha Amiga Calamidade, que se lembrou de mim


"A tua morte é sempre nova em mim.

Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.

Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.

E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.

Redescubro a tua morte como outros
redescobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás vivo.

Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.

Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto

que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.
o único presente verdadeiro é teres partido."

Adolfo Casais Monteiro


(obrigado. por estares desse lado.)

quinta-feira, setembro 01, 2011

Isso.



Al: Nice-looking woman.
Robert: She isn't my type.
Al: What are you talking about? Look at yourself. You're nothing. You're nobody. You're wanted in connection with a violent crime. You're cleaning the floor of a diner. She is an intelligent, passionate, beautiful, rich woman. The issue of whether or not she's your type is not one that you're likely to have to resolve in this world... or, indeed, the next, since she will be going to some heaven for glamorous pussy, and you will be cleaning the floor of a diner in hell.
Robert: I guess so.
Al: So why are you even thinking about it?



Folga.


Ontem fez oito dias.
Hoje chove lá fora.
Costuma dizer-se que não há coincidências, e eu acredito que não haja mesmo. De qualquer forma, quando as nuvens, o céu, o sol escondido, decidem imitar o nosso estado de espírito, é dificil não ficar tentado a cair num lado mais espiritual, menos racional do nosso cérebro. Mas neste momento, tudo o que sirva para aliviar um pouco a mágoa, nem que seja um placebo do consciente, é bem-vindo e ajuda a lembrar apenas os bons momentos, o carinho e a amizade, os olhos meigos, e a vontade de nunca parar, de continuar sempre as suas caminhadas, de passear pelo meio das oliveiras que o viram crescer. É bom lembrá-lo, mesmo com lágrimas. É sempre bom lembrá-lo e vê-lo em fotos antigas, e pensar que agora a sua alma pode descansar em paz, sem necessitar de bengalas ou quejandos. Fica bem, meu querido.



(Apesar de todos estes últimos escritos carregados de tristeza, estou melhor. Melhor que há uma semana, e a melhorar com cada dia que passa. Obrigado, meus amigos e amigas, pelo carinho que me têm dado. Vocês têm sido o meu melhor remédio.)


segunda-feira, agosto 29, 2011

Parêntesis.

Hoje foi um dia complicado. De coração apertado. Com vontade de estar junto daqueles com quem tinha estado até ontem. Com saudades deles todos, vivos e mortos. Na verdade, e agora que me ponho a pensar, já não sentia realmente isto, e com tanta força, desde o primeiro ano deste século. Ou o último ano do século passado, escolha-se a doutrina que se quiser. Não sentia tamanho peso dentro de mim desde aqueles dias, em que errava pelas ruas sem destino, sem pontos de referência, com as indicações cheias de caracteres estranhos e incompreensíveis. O sentimento é igual, ainda que hoje não tenha tido tempo para andar pelas ruas. E tal como nessa altura agora longínqua, quase como se de outra vida se tratasse, chego também ao fim do dia sem forças e sem vontade de continuar, mas sabendo, no meu íntimo, que tudo passa e que tudo tem de seguir em frente, por mais dor e saudades que se tenha. Valha-nos as ligações telefónicas, no caso dos vivos. Valha-nos as memórias e histórias acumuladas ao longo de uma vida, no caso dos mortos.

Descanso. Amanhã vai correr melhor.


domingo, agosto 28, 2011

Interregno.

Tenho tanta coisa para escrever. Tantas coisas que gostava de vos contar. Mas receio que se o fizer agora, apenas conseguirei colocar aqui lágrimas e não palavras. Por isso, e enquanto faço uma pausa na palavra escrita, deixo aqui algo que já tem mais de dois anos. É só um parágrafo, mas neste momento nem o consigo acabar de ler. Adeus, meu querido António.

Ontem partilhámos provavelmente o momento mais íntimo que alguma vez tivémos. Bem sei que era uma actividade perfeitamente banal, mas quando os meus olhos encontraram os teus continuamente marejados pelas lágrimas que agora te aparecem tão facilmente, por pouco não chorei também. Armei-me em forte e sorri e pedi o teu sorriso, que de tão bonito devias exibi-lo todos os dias. Quando viraste as costas, enxuguei as minhas lágrimas enquanto pensei que momentos como aquele são aqueles que irei guardar no meu coração quando a tua hora de partir der os primeiros sinais. E derramei mais algumas lágrimas quando pensei nisto.

(escrito nesta data.)

segunda-feira, agosto 15, 2011

Família.

Hoje fui recordado mais uma vez de como esta vida pode ser injusta. De como nos pode privar dos bons, daquelas pessoas que mereciam viver para sempre, espalhando por este mundo a sua bondade, a sua coragem, a sua força de viver. De que somos realmente apenas um pouco de luz que atravessa a vida daqueles que nos rodeiam, de que a amizade e o amor são valores intemporais, indiferentes ao espaço e ao tempo que passam, impiedosos. De tudo isto e mais. Que há pessoas que têm tanta força dentro de si que nuncam, jamais, haverá alguma doença que apague a sua presença das nossas vidas, que as memórias serão guardadas como peças fundamentais do nosso coração. E que, no fundo, os bons ganham sempre, sempre! Por isso, minha querida amiga, choremos sim, para aliviar a nossa dor e a nossa tristeza, mas ao mesmo tempo continuemos a sorrir, imitando o sorriso que ela nos devolve, que sempre nos devolverá, agora e sempre. E como sei o que sentes, e como já escrevi palavras sobre isso mesmo, quero que saibas que essas mesmas palavras são também para ti e para todos aí em casa. Com o amor de um amigo que estará sempre contigo.



Ainda se sente a tua ausência. Quando entramos na casa, desviamos o olhar para onde te vimos pela última vez, na esperança de reavivarmos as memórias que temos de ti. Já passou quase um ano que não te temos junto de nós mas os olhos ainda ficam tristes quando não te vemos onde sempre te encontrámos. Falta-nos a tua alegria, o teu sorriso, a tua forma de ser que sempre nos fazia voltar. Sentimos que há uma parte de nós que foi contigo também, uma parte da nossa inocência e do nosso sentimento de mortalidade. Continuamos a nossa vida, como tu o desejarias, e continuamos a reunirmo-nos como o fazíamos contigo. Celebramos as nossas pequenas festas e aniversários e recordamos-te nos nossos risos e amor uns pelos outros. Tentamos esconder as nossas saudades por ti mas há sempre uma lágrima que nos denuncia e, ao mesmo tempo, te recorda. A dor não desaparece dos nossos corações mas quando nos juntamos, juntamo-nos para celebrar a tua vida e todos os momentos em que tocaste a nossa. Quero que saibas que, onde quer que a tua alma se encontre, nós nunca te esqueceremos nem ao amor que tinhas por nós. Temos saudades tuas. Sentimos a tua falta.
(escrito a 21 de Maio de 2006)


quinta-feira, agosto 04, 2011

Do mesmo sangue.


Ao longo da minha vida tem havido uma série de momentos, comigo e sem mim, que tento evitar que caia naquele abismo do nosso cérebro onde muitas das memórias se deixam ir até ao desaparecimento eterno. Recordo-as uma e outra vez, com a ajuda dos que lá estiveram, reavivando a mente dos contornos de cada momento, cada palavra dita, cada imagem que passou pela retina. Tento sempre, sem desistir, pois são momentos que constituíram em granda parte aquilo que sou neste exacto momento em que escrevo estas palavras. Tudo isto sou seu, é o mantra a utilizar. Até porque, e estamos a chegar lá, em grande parte desses instantâneos do quotidiano, não houve polaroides a acompanhar os momentos, ficando as imagens apenas naquilo que é conhecido pela massa cinzenta. Daí que, com a facilidade de nos dias de hoje qualquer coisa ser capaz de tirar fotografias, acreditem que é um enorme alegria poder registar um momento que, ao mesmo tempo que me fez recuar no tempo, fez-me acreditar que o futuro está já ali, à minha frente, que a distância não existe quando os corações batem em simultâneo, quando os olhares de muitos e muitos anos se cruzam mais uma vez, e de que efectivamente blood runs thicker than water. Haja muitos instantes assim.


quinta-feira, julho 28, 2011

A tua voz.

Estes dias têm vindo a ser uma confirmação de como a nossa vida, o nosso ser, é de uma fragilidade tão grande que nem sonhamos. De como de um dia para o outro, deixamos de ser capazes de ter a memória apurada até ao fim dos nossos dias, ou as pernas que até ontem nos permitiam percorrer quilómetros como se nada fosse. O tempo consegue ser bondoso, mas na maior parte dos casos, e por muito que lutemos contra, será impiedoso e deixará as suas marcas profundas, com quais temos que viver, dia sim dia sim, com um sorriso nos lábios e com lágrimas nos olhos, alegria e tristeza de mãos dadas, por nós e por aqueles que nos rodeiam. Não há muito para dizer, na realidade sem que não fique inundado por uma onda de dor e tristeza, premonitória do que ainda está para vir e que teremos, como um todo, que enfrentar. Apenas quero aqui deixar que já não tenho medo da morte, tenho sim medo de envelhecer. Assim. Desta forma. Ponto final.


domingo, julho 03, 2011

Já faltou mais...


"Ah, damn you! God damn you all to hell!"


Ainda a propósito...

"Não há relação tão única e exclusiva como a relação entre irmãos. Não há mais nenhuma que nos consiga elevar aos mesmos níveis de desespero e irritação. Que tão depressa nos deixe de rastos como de bem com o mundo. Que nos recompense com os mesmos níveis de solidariedade, de amor e de apoio. (...) Que nos permita um mergulho conjunto em memórias de cheiros, sons, sabores, lugares. (...) Há gargalhadas e lágrimas que só fazem sentido nesta relação tão própria e especial."

por Sofia Barrocas, Notícias Magazine de 3 de Julho de 2011



Sou filho único. Durante grande parte dos meus primeiros anos de vida lembro-me de perguntar à minha mãe quando é que iria ter um mano ou uma mana. Acho que cheguei mesmo a pensar que tal prenda estava guardada para um qualquer Natal mais especial ou algo do género. Os meus pais sorriam com este meu pedido e deixavam sempre no ar a ideia que sim, um dia podia acontecer. Era um puto, ainda estava longe de compreender o porquê de acabar por ser o único. Hoje já percebo e claro que não sinto ressentimentos por continuar a ser um filho único. Nunca os teria, na realidade, pois sei perfeitamente o quão difícil foi o meu nascimento, logo apenas posso considerar a minha mãe como a pessoa mais corajosa que até hoje conheci. Mas mesmo que não soubesse isso, apenas me sinto único no sentido "sangue do mesmo sangue" da coisa. Porque, ao longo da minha vida, sempre tive irmãos e irmãs. Fossem eles primos e primas, amigos de longa data, amigos de curta data, houve sempre pessoas com quem partilhar as minhas alegrias, as minhas tristezas, os meus receios, os meus desejos, toda a minha vida houve sempre alguém do meu lado para sentir esta ligação que a Sofia Barrocas escreveu. E se nos dias de hoje há irmãos e irmãs que estão mais perto do meu coração e outros que estão um pouco mais longe, o certo é que, aos meus olhos, continuam todos a serem as pessoas, para além dos meus pais, que me apoiaram e me agarraram nos bons e maus momentos. E isso é algo que viaja comigo sempre, vá eu para onde for, faça eu o que fizer desta vida. E sei perfeitamente que não preciso de listar os seus nomes, pois eles também sabem que independentemente das encruzilhadas do tempo, serei sempre irmão deles e delas.

sexta-feira, junho 24, 2011

Concerto.

Subiu ao palco, encandeado com o foco de luz branca que o seguia por todo o lado. Tanto assim que quase não conseguia ver as pessoas cujos gritos e aplausos e assobios afundavam o som da banda num caos sonoro que já não lhe trazia nada de novo. Noite após noite. Quase sempre a mesma reacção ao início de mais um concerto. Era naquelas alturas que se sentia mais perdido, mais só. Era nessas alturas que se agarrava ao microfone e ao seu apêndice com uma fúria que seria interpretada por todos os jornalistas de música como o comprovar da sua independência musical, a explosão do verdadeiro génio da banda. Merdas. Constantes e sempre sem uma única ponta de novidade de léxico. Quando apenas ele sabia a verdade. A verdade que o impelia sempre a agarrar no suporte do micro como se a sua vida dependesse disso mesmo. Não dependia, mas era sempre aos primeiros acordes da primeira música que as tonturas quase o derrubavam, quase o deitavam por terra. E ele agarrava-se, qual bóia salvadora, deixando o corpo a salvo o suficiente para cantar com todas as suas forças, gritando as palavras e versos que um dia tinha escrito num pequeno caderno oferecido pela pessoa que estava ali, a meia dúzia de passos dele, fazendo vibrar incessantemente as cordas de um baixo que ele próprio lhe tinha oferecido em troca. Era o último concerto dela. Era o último concerto da tourneé mas ele também sabia que era a última vez que ela pisaria o mesmo palco que ele. Talvez por isso ela estivesse ainda mais distante dele, perdida no seu mundo de notas musicais e cordas e distorção e sons ainda mais graves do que em todos os outros concertos. Ele cantava, cantava sempre, estivesse feliz, estivesse triste, estivesse terrivelmente triste, como nesta noite. Mesmo sendo uma tristeza conformada, resignada às consequências que o fim de uma relação pode ter em tudo à sua volta. A culpa tinha sido dele e quase podia jurar que de cada vez que o baterista fazia explodir as percursões, era como se estivesse a bater nele, a tentar dar-lhe murros com todas as forças que podia. Não era o fim da banda, claro. Havia demasiados compromissos, demasiados fãs, demasiado dinheiro, e no fim do dia, aquele era o emprego de quatro pessoas que pouco mais sabiam fazer para além de canções que pareciam agradar a todos os que se cruzavam com a sua música. Não, não era o fim. Já havia audições marcadas para a semana para arranjar-lhe um substituto. O guitarrista e o baterista, amigos de há muito, tratariam disso. Ele nem sequer conseguia imaginar alguém no lugar dela. Nem como baixista nem como... Eles tratariam disso. E sempre seria uma forma de estarem algum tempo afastados, talvez assim a mágoa que sentiam em relação a ele diminuisse um pouco. Não os podia censurar, a culpa era dele. Já estava embalado depois das primeiras músicas, já podia mandar o suporte ao chão. Aplausos e mais gritos estridentes. Guitarrista e baixista a tocarem lado a lado. Baterista a marcar o ritmo lento da canção enquando aproveitava para beber. E ele, sempre no centro das atenções, cantando, declamando, gritando, letras que a um tempo lhe lembravam momentos que não se repetiriam, que pouco significado já tinham. Mas ele conseguia, enterrava tudo isso lá dentro, e cantava, cantava, cantava. Cantava enquanto pensava por quantos mais anos conseguiria fazer isto, subir a um palco, ver as multidões literalmente aos seus pés, fazer com que tudo o que soava da sua garganta o fosse feito pela última vez na vida. Preferia pensar nisto, se sim se não, a ter de olhar nos olhos dos seus parceiros. Ainda havia demasiado rancor. Em todos. Menos nos olhos dela. Neles parecia haver uma espécie de alívio, por saber que aquela era a última noite. A última noite que tocariam juntos. A última noite em que partilhariam o mesmo quarto. A última noite. Música após música, tinham chegado ao espaço do encore. Todos se foram retirando do palco. As luzes apagaram-se. Os gritos do público continuaram. Até que apenas ele tinha ficado, sozinho na escuridão do recinto. Ali se deixou ficar enquanto as pessoas pediam mais canções, mais momentos para depois recordarem. Queria falar com eles. Queria poder dizer-lhes que se calassem, que por favor se calassem. Queria silêncio, queria conversar. Queria contar-lhes como o seu amor tinha realmente terminado, que não era apenas mais uma nova música que lhes estava a apresentar. Queria poder perguntar-lhes se sabiam o que se faz quando isso acontece, o que é que nos pode valer para podermos continuar em frente, como é que conseguimos fazer com que o nosso coração torne a bater. Não disse uma única palavra. Apenas esperou que a banda voltasse ao palco, esperou até que à sua volta os instrumentos entoassem as últimas duas músicas, aquelas que toda a gente à sua frente queria ouvir, pelas quais tinham esperado e esperado. As duas músicas que, ironicamente, eram sobre ela, a que estava ali a meia dúzia de metros dele. As duas músicas que, muito provavelmente, ele nunca mais conseguiria cantar novamente. Sabia que lhe chamariam tudo e mais alguma coisa. As mesmas pessoas que agora cantavam com ele, palavras após palavra, seriam as mesmas que não compreenderiam a sua decisão e o iriam queimar em praça pública. Seja. Ele não queria saber. Cantava mais uma vez e procurava os olhos dela, que sabia não estarem lá. O olhar dela já era outro. Era um olhar que já não queria saber dele para nada, um olhar já virado para o futuro que seria longe dele. Gritou as últimas palavras por cima do público, fugiu ao foco luminoso e a todas as outras luzes, e foi o primeiro a sair do palco. Não conseguia ficar ali e ver o último acto de um amor defunto. Tinha participado no velório, mas não queria ver as luzes e os aplausos e as vénias cobrirem o caixão de uma vida a dois que tinha deixado de respirar. Saiu do palco, fugiu por onde tinha entrado. As luzes do teatro começaram lentamente a acender-se. Obrigado, vocês são os maiores, nós adoramo-vos. Até à próxima.


domingo, junho 12, 2011

Uma inspiração

"Os ideais que acalentamos, os nossos sonhos mais íntimos e as nossas esperanças mais ardentes podem não ser concretizados no nosso tempo de vida. Mas isso não é o mais importante. A consciência de termos cumprido o nosso dever e de termos estado à altura das expectativas dos nossos contemporâneos é em si mesma uma experiência gratificante e uma conquista magnífica."

Nelson Mandela


terça-feira, junho 07, 2011

um buraco no coração



(ou como, por vezes, não sabemos lidar com o amor que temos e quando finalmente o descobrimos, a nossa mente já fugiu para sítios recônditos...)


1778 escritos

Hoje tive um sonho em que, de certa forma, me vi envolvido nos ambientes deste filme, que vi recentemente numa das longas viagens de avião. E fiquei com a sensação que me falta algo nos últimos tempos, falta-me o momento de pegar numa caneta e escrever algo que saia da minha imaginação real ou da minha realidade imaginada e que faça devolver um pouco de vida a este Espaço. O que é que se há-de fazer? Se calhar aproveitar o próximo dia de descanso, deixar que o portátil continue em greve, e pegar no bloco de estórias... Haja boas intenções...





quarta-feira, maio 04, 2011

sexta-feira, abril 22, 2011

quinta-feira, março 24, 2011

A minha mãe anda com uma foto minha na carteira, é basicamente a mesma coisa...

Hoje, dia 24 de Março de 2011, é quinta-feira.
E lá fora o mundo está exactamente igual...




Ah, a sabedoria popular...


terça-feira, março 15, 2011

Do desassossego.

Fiquei com vontade. Fiquei com vontade de passear em Lisboa ao fim do dia, com a luz moribunda do sol a banhar as águas turvas do Tejo. Fiquei com vontade de caminhar descalço nas praias da minha juventude, sentindo de novo a areia a envolver os meus pés, enquanto a água fria os vai lentamente afundando. Fiquei com vontade de voltar a escrever como já escrevi noutros tempos, apressadamente, com medo que as palavras caiam no abismo do pensamento, com medo que as palavras fujam de mim sem ficarem enclausuradas na tinta permanente de uma página. Fiquei com vontade de sonhar os sonhos intermináveis de criança, com a alma de um homem adulto que se deixa puxar para desejos labirínticos por mulheres esquivas e que sussurram palavras estranhas e que não me largam nem mesmo quando acordo. Fiquei com vontade de ler todos os livros que alguma vez me passaram pelas minhas mãos, abandonar-me nas suas páginas, embebedar-me com todas as palavras alguma vez escritas pelas mãos de sábios arquitectos da prosa e da poesia. Fiquei com vontade de cantar, de dançar, de voltar a dedilhar as cordas de uma guitarra e de ser capaz de escrever letras tão banais como sentidas, em canções que apenas existiram na minha cabeça. Fiquei com vontade de amar, de voltar a beijar os lábios dela, de sentir o meu coração explodir apenas com a sua presença, de ver o universo parar à minha volta apenas porque ela não está aqui, de sentir num abraço o seu corpo, de me prostrar aos seus pés, de declarar o meu amor sob a lua dela. Fiquei com vontade de tudo isto. E fiquei com vontade de viver para sempre, apenas para ver tudo isto concretizar-se...




"
O romancista é todos nós, e narramos quando vemos, porque ver é complexo como tudo."

Fernando Pessoa


domingo, março 13, 2011

Homem morto



"If the doors of perception were cleansed, everything would appear to man as it is: infinite."



segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Festa de Jazz


Primeiro a avaliação. Muito bom.
8 concertos a preço irrisório e ainda com oferta de CD's de uma das melhores editores portuguesas de música jazz.
Belas surpresas musicais, e mesmo os experimentalismos mais difíceis de engolir não deixaram de ficar como matéria para muitas piadas privadas em línguas várias.
Ficou, acima de tudo, a música e a vontade de descobrir coisas novas e a boa disposição de pessoas que vieram pela primeira vez a Portugal e logo para tocar aqui, no interior profundo.
Volto a dizer, muito bom.
Obrigado, CAEP.


domingo, fevereiro 20, 2011

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Um buraco no coração



(ou como, nas diferenças que se instalam entre nós, nos encontramos sempre no fim de tudo...)


terça-feira, fevereiro 01, 2011

Nortada

nome feminino
vento áspero e frio que sopra do norte
(De norte+-ada)

(in Infopédia)




Ou não. Ou pode ser uma vento quente vindo do norte que tanto nos pode levar de um riso estranho a um aperto no coração, ou simplesmente ficarmos quedos e mudos, completamente imersos nos quadros vivos que se vão compondo em frente aos nossos olhos, hipnotizantes, desconcertantes, mas sempre de uma beleza tão estranha como sublime. E o vento vai assim soprando nas nossas almas...


segunda-feira, janeiro 31, 2011

No less.

Bernie Capax: But I did okay, didin't I? I mean I got, what, fifteen thousand years. That's pretty good. Isn't it? I lived a pretty long time.

Death: You lived what anybody gets, Bernie. You got a lifetime. No more. No less. You got a lifetime.


terça-feira, janeiro 25, 2011

leitura de cabeceira

"Teus olhos imorais,
Mulher, que me dissecas,
Teus olhos dizem mais
Que muitas bibliotecas!"

Cesário Verde


(ainda se fosse tão fácil como ler um livro perdido há muita na estante...)


quinta-feira, janeiro 13, 2011

Declaração de intenções

Um dia, quando crescer, gostava de escrever estórias assim. De Natal e das outras.






(Nota de rodapé: quase a completar um ano, não deve ser boa ideia ver filmes relacionados com fumo... :)


sábado, janeiro 08, 2011

A ler pela noite dentro...

... e a pensar se teria a mesma coragem/impulso que o Conrad teve.





(Foto tirada pela Lavínia)