Mesmo em versão cinematográfica, é dificil de ver este filme. É dificil porque sabemos que tudo ou quase tudo o que ali está a passar é real e não imaginado. Todos os milhares de sem-abrigos que rumam pelas ruas mais escuras de Los Angeles são reais. O desprezo a que são votados pela sociedade dita civilizada é real. A esquizofrenia de Mr. Ayers é real. Os seus ataques de fúria são reais. O seu sentimento de claustrofobia perante o resto do mundo é real. O seu talento é real. O seu amor à música é real. O facto de sabermos que a sua cura não irá acontecer e que provavelmente ele vai continuar a vaguear perdido até ao fim dos seus dias, soltando sons maravilhosos das cordas do seu violoncelo, tudo isso é bastante real. E é por isso que, mais que avaliar da qualidade do filme e dos seus actores, o que é importante é lembrarmos que o mundo pode ser terrivelmente injusto e, por isso mesmo, não deixar de ser amarguradamente real.
And now, meet the real Mr. Lopez and Mr. Ayers.