segunda-feira, agosto 15, 2011

Família.

Hoje fui recordado mais uma vez de como esta vida pode ser injusta. De como nos pode privar dos bons, daquelas pessoas que mereciam viver para sempre, espalhando por este mundo a sua bondade, a sua coragem, a sua força de viver. De que somos realmente apenas um pouco de luz que atravessa a vida daqueles que nos rodeiam, de que a amizade e o amor são valores intemporais, indiferentes ao espaço e ao tempo que passam, impiedosos. De tudo isto e mais. Que há pessoas que têm tanta força dentro de si que nuncam, jamais, haverá alguma doença que apague a sua presença das nossas vidas, que as memórias serão guardadas como peças fundamentais do nosso coração. E que, no fundo, os bons ganham sempre, sempre! Por isso, minha querida amiga, choremos sim, para aliviar a nossa dor e a nossa tristeza, mas ao mesmo tempo continuemos a sorrir, imitando o sorriso que ela nos devolve, que sempre nos devolverá, agora e sempre. E como sei o que sentes, e como já escrevi palavras sobre isso mesmo, quero que saibas que essas mesmas palavras são também para ti e para todos aí em casa. Com o amor de um amigo que estará sempre contigo.



Ainda se sente a tua ausência. Quando entramos na casa, desviamos o olhar para onde te vimos pela última vez, na esperança de reavivarmos as memórias que temos de ti. Já passou quase um ano que não te temos junto de nós mas os olhos ainda ficam tristes quando não te vemos onde sempre te encontrámos. Falta-nos a tua alegria, o teu sorriso, a tua forma de ser que sempre nos fazia voltar. Sentimos que há uma parte de nós que foi contigo também, uma parte da nossa inocência e do nosso sentimento de mortalidade. Continuamos a nossa vida, como tu o desejarias, e continuamos a reunirmo-nos como o fazíamos contigo. Celebramos as nossas pequenas festas e aniversários e recordamos-te nos nossos risos e amor uns pelos outros. Tentamos esconder as nossas saudades por ti mas há sempre uma lágrima que nos denuncia e, ao mesmo tempo, te recorda. A dor não desaparece dos nossos corações mas quando nos juntamos, juntamo-nos para celebrar a tua vida e todos os momentos em que tocaste a nossa. Quero que saibas que, onde quer que a tua alma se encontre, nós nunca te esqueceremos nem ao amor que tinhas por nós. Temos saudades tuas. Sentimos a tua falta.
(escrito a 21 de Maio de 2006)


4 comentários:

A.na disse...

Já passou quase um ano que não te temos junto de nós mas os olhos ainda ficam tristes quando não te vemos onde sempre te encontrámos.

Podem passar décadas... quem disse que a dor não se quantifica estava a mentir, ou pelo menos nunca perdeu ninguém significativamente importante.

Beijo grande meu amigo

Nuno Guronsan disse...

A dor custa, mas também acaba por nos lembrar sempre, eternamente.

Beijos grandes de volta, amiga.

Luís Gustavo Brito Dias disse...

"A dor custa, mas também acaba por nos lembrar sempre, eternamente."

concordo com você. penso que não há nada mais nobre do que lembrar eternamente.

Nuno Guronsan disse...

É isso mesmo, Luis. Lembrar sempre, mesmo quando a memória começa a fugir, temos de lutar contra a amnésia interna.

Obrigado pelo simpático comentário.