domingo, janeiro 22, 2006

Dia de voto

Contrariando a tendência das últimas votações, hoje fui votar em familia, depois de um almoço de aniversário de um familiar. Antes de mais devo explicar que a questão de quem é que ia votar em quem ficou quase toda explicada à volta da mesa de almoço. Digo quase pois eu, apesar de toda a gente saber para onde o meu voto ia, apenas me orgulhei de quem é que NÃO teria a 100% o meu voto.

É engraçado que o ritual do voto aqui em Agualva-Cacém não se tenha alterado substancialmente nos últimos anos. Continua a ser um dia com mais gente na rua, os cafés ficam mais cheios do que o normal, os bombeiros e os escuteiros conseguem sacar mais alguns euros em rifas com prémios que não interessam a ninguém, vê-se conhecidos que estamos quase anos sem os ver, e essencialmente passamos pelas mesmas montras que vemos durante o dia.

E apesar disso, as pessoas saem mesmo à rua com a intenção de escolherem aqueles que, na medida do possível, melhor os representam. Idosos, jovens, casais, familias inteiras, grupos de amigos. Todos com esperança que o seu voto faça a diferença e represente uma mudança nestes tempos conturbados que vivemos. E mesmo com o aumento da abstenção de eleição para eleição, eu continuo a ver essas mesmas pessoas em todas os actos em que já participei. Aliás, se por vezes fico com vergonha é da minha própria geração que se vai lentamente afastando de tudo aquilo que tenha o rótulo de "política". Talvez seja um problema de acne...

Para terminar, se há dia em que fico muito orgulhoso da minha família (e não serão assim tantos..:-), é num dia de eleições, porque todos têm memória, ninguém sofre de amnésia política, e os mais velhos sabem realmente o que significou o 25 de Abril.

2 comentários:

o anónimo do costume disse...

Daqui do meu "exílio" onde meia dúzia de salas chegam para quase toda a população votar, acrescento só a nota de que a (prática e inevitável) divisão do Cacém parece-me ter tirado algum encanto aos dias de eleições, nos quais toda a população se deslocava à Ferreira numa "peregrinação cívica". Como se notavam diferentes os dias de voto, então! Lembro-me de chegar a ver cravos em lapelas, imagine-se! Mas felizmente algum encanto mantém-se, parece-me que em todo o lado, como relatas daí do Cacém (ou melhor, Agualva). Como dizia o Presidente (o Sampaio, não é o outro), é o dia em que as pessoas (algumas) vestem a sua melhor roupa para saír de casa. Encantador. É um dia em que até o Sócrates é capaz de ficar inspirado (antes dos resultados, claro está), ao dizer à saída do voto que em democracia o cargo mais difícil é o de eleitor. Mesmo quando os resultados não nos agradam, que viva a democracia!

Nuno Guronsan disse...

Bonitas e sinceras palavras, como de costume, meu caro anónimo...