terça-feira, novembro 01, 2005

Admito, estou velho...

É giro pensar que vem aí uma outra geração. A geração dos filhos dos meus amigos, colegas de faculdade, colegas de trabalho, enfim todos aqueles a quem nos últimos anos tenho presenciado os casamentos e que agora assisto ao nascimento dos seus filhos e filhas. E tudo isto pôs-me a pensar na minha adolescência e na adolescência que eu vejo hoje nas ruas.

 

A coisa começou quando tive uma conversa com o Suburbano, aqui há uns tempos atrás. Pensávamos nos nossos tempos de secundário onde existia toda uma série de “tribos” mais ou menos identificáveis. Haviam os betos, os surfistas, os metaleiros, os meninos ricos (normalmente eram os primeiros a irem de carro para a escola), até conseguíamos identificar indivíduos que não se inseriam em qualquer destes grupos, os “normais”. Na realidade não sei se hoje ainda se passa assim, mas o que é certo é que olhamos para um grupo de rapazes e raparigas e parecem todos clones uns dos outros. Nos rapazes impera a cultura hip-hop, com as calças a descairem quase até ao joelhos, o boné de basebol e as camisolas com 3 ou 4 números acima. As raparigas usam quase todas as calças de cinta descaída, quase a vislumbrar as cuecas, normalmente com uma tatuagem ao fundo das costas, muito umbigo à mostra e decoradas com piercings por tudo o que é lado.

 

É claro que cada geração encontra a sua forma de “rebeldia” e de tentar chocar a geração mais velha, e isso era algo que também acontecia na minha adolescência, mas continuo a achar que havia mais “variedade” de atitudes. Hoje parece que os adolescentes saltam certas e determinadas fases que na minha altura eram quase ritos de passagem: a primeira cerveja, o primeiro cigarro, o primeiro beijo. É tudo mais rápido e mais cedo.

 

Daí a minha enorme curiosidade em saber como vão ser os filhos daqueles que passaram pelas mesmas coisas que eu. Que tipo de educação lhes vão dar? Será que se vão rever neles? Será que vai haver mais um salto brutal geracional? To be continued...

6 comentários:

barros disse...

Pois é amigo, estamos velhos...
Agora é só acompanhar o crescimento dos nossos filhos e dos filhos dos nossos amigos e tentar que eles não se estraguem e que consigam ser "normais"!!!

Nuno Guronsan disse...

Tendo em conta aquilo em que a nossa sociedade se tornou, tenho sérias dúvidas se valerá a pena pôr mais algum cá fora...

José Raposo disse...

E depois eu é que faço pausas introspectivas... tu tb não estás propriamente optimista em relação ao futuro...

Nuno Guronsan disse...

Sim, é verdade, se consigo ser optimista em muitas coisas que penso que o futuro nos pode trazer, já nestas questões não sei bem o que pense e, como tal, deixo-me ficar pelo cenário mais pessimista. É a vida, como dizia o outro.

Célia disse...

Pois eu também sou muito pessimista em relação à educação que a nossa geração irá dar aos filhos. Basta ver o que acontece agora quando são crianças - completamente mimados, birrentos e que conseguem absolutam/tudo o q querem dos pais, avós, etc. Os nossos pais tiveram de lutar mt para obter bens essenciais. Nós não. Lutamos para ter outro tipo de bens. E a a geração seguinte? Qual será o grande objectivo de vida? Conhecer o próximo e viver em comunidade? Não creio..

Nuno Guronsan disse...

Apesar de em muitas situações também pensar assim, gostava de ter um bocadinho de esperança que a coisa se vai resolver. Já que estes jovens passam pelas experiências mais cedo do que nós, talvez também consigam "ficar com uma consciência social" mais cedo do que nós. Não gostava nada de, daqui a uns anos, fazer os mesmos comentários que sempre ouvi os meus pais ou familiares fazerem sobre a minha geração...