sábado, janeiro 20, 2007

Grande?

Os Grandes Portugueses, segundo a RTP. Tenho de confessar que não fiquei muito interessado neste assunto. Não sei explicar muito bem porquê, mas vendo a misturada de pessoas que foram escolhidas começo a perceber a razão de não ter votado. Será um poeta mais importante que um político? E um futebolista, será ele mais importante que um actor de uma novela de verdadeiramente inconscientes? E uma fadista, será ela maior (no sentido de grande) do que um cantor de música popular portuguesa? Pois, demasiados campos de acção e com muitas e muitas diferenças entre eles. Mas pronto, é quase um concurso, não é? Ao ver os resultados, tenho pena que algumas pessoas que muito prezo não tenham passado aos play-offs, casos de Salgueiro Maia, Mário Soares ou Zeca Afonso. Para compensar, temos entre os dez eleitos Luis de Camões e Fernando Pessoa. Mas caso pensasse em votar nesta "sondagem", escolheria provavelmente o Infante D. Henrique (pela visão, pela capacidade de ir mais além, por toda a história que conseguiu despoletar neste pedacinho de terra) ou em Aristides de Sousa Mendes, pela sua integridade enquanto prova de consciência humana ou pelo facto de ter desobedecido a um outro personagem que também está entre os dez mais. Será que se este concurso acontecesse noutros países teríamos resultados parecidos coms este? Na Rússia estaria lá Estaline? Na China estaria lá Mao? Sim, muitíssimo provavelmente. Mas, e na Alemanha, haveria Hitler?E na Itália, Mussolini? E na Espanha, Franco? E eu gostaria de ver Portugal associado a estes últimos ou aos primeiros países que mencionei? Uma vez que o Fado e o Futebol não ficaram representados (Amália e Eusébio não mereceram essa honra), ficámos com a figura do seminarista, como diria o meu amigo Suburbano, que no seu post exemplifica bem como a amnésia consegue tomar conta de (parte de) uma nação. Poderia inumerar uma série de razões para não concordar com a presença de Salazar entre dez Grandes Portugueses (nem entre cem, quanto mais dez). Mas vou deixar só uma. A foto que acompanha este escrito foi tirada pelo meu pai em Angola, em 1971. Amanhã o meu pai completa 58 anos. Mas a verdade é que a sua vida poderia ter terminado aos 21 anos e eu nem sequer estaria aqui a escrever estas coisas desprovidas de bom senso que por aqui aparecem. Felizmente ele sobreviveu, ao contrário de alguns dos seus colegas de armas. É em sua memória que deixo estas palavras que talvez lembrem a algumas pessoas o tipo de grande português que querem que os represente.

6 comentários:

Anónimo disse...

Sinto um arrepio...também eu não compreendi como Salazar está na lista dos 10 finalistas...também me entristece e enfurece... o programa não inTeressa para nada, a votação (da qual tb fiz parte) já não intEressa para nada. PARA MIM O GRANDE, O MAIOR PORTUGUÊS SERÁ SEMPRE O MEU PAI! E parabéns ao teu!
Beijinhos
sonialx

cuotidiano disse...

Como "amanhã" é já hoje, parabéns ao teu Pai, de certeza um muito melhor português que o dejecto do Salazar! (e, já agora e por arrasto, parabéns ao filho - ainda bem - babado!)


Em relação ao texto:

Acho inacreditável o seminarista estar entre os a quem foi possível dar direito a aparecer entre os "votáveis" - culpa da RTP -, pela simples e óbvia razão de que se ele ainda mandasse nem sequer uma votação destas era possível, quanto mais alguma outra para eleger os nossos representantes. Já agora, relembro apenas um dos múltiplos slogans obrigatórios da época: "Quem vive? Portugal, Portugal, Portugal. Quem manda? Salazar, Salazar, Salazar."

Como é óbvio, se Salazar ainda mandasse, quem é que ganhava? Salazar, Salazar, Salazar!


Só espero que o povo português não tenha a memória tão curta ao ponto de votar nesse assassino...

Um abraço e obrigado pelo contributo no acordar (espera-se...) de consciências!

Canochinha disse...

Já somos dois... Também o meu pai esteve nessa malfadada guerra, também ele tem 58 anos.

Parabéns ao teu pai.

Nuno Guronsan disse...

O meu pai agradece os vossos votos de parabéns. E eu agradeço o simples facto de aqui virem e deixarem as vossas sempre sinceras e simpáticas palavras! Bem hajam!

A disse...

E cá está: os valerosos combatentes

ehehehehe

Não, o teu pai não andou na mesma companhia que o meu pai... o meu pai é um tanto nada mais velho do que o teu (não, não digo a idade do meu pai, porwue não se revela a idade dum senhor).


Por mais cobras e lagartos que digam do senhor Salazar, essa figura de destaque na nossa Historia, obviamente que terei uma palavra a dizer. Breve, muito breve. Cada homem e cada mulher terão um lugar de importância no nosso contexto histórico; Salazar foi um ditador - não tão violento como Franco, não tão assassino como Hitler ou Mussolini, mas ainda assim, um ditador. O responsável pela ditadura em Portugal, pelo "nosso" Estado Novo foi uma figura ímpar; não será concerteza qq pessoa que faz o que ele fez, e não é lembrado concerteza com orgulho, mas reconheço-lhe mérito, muito mais do que a Mário Soares, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, bem como todos os notabilíssimos que mancham os nossos jornais numa era mais perto de nós e dos nossos dias. Cambada de parasitas, digo eu...

Foi um homem inteligentíssimo. Muito mais do que todos os anteriores juntos; era um homem simples, de visão muito limitada em diversos campos, mas que nos salvou de alguns berbicachos valentes aquando da segunda grande guerra. Basta ler uns livritos de História Guronsan.
Sim, não faças essa cara; não gosto do senhor, mas que lhe reconheço estrondosa capacidade organizativa reconheço. E um grande economista.
O resto do atraso do nosso país não podemos sempre atribuir ao homem, mas a todos os que se lhe seguiram.

Se me perguntares quem creio ser a figura mais importante do nosso país, entre mortos e feridos, dir-te-ei que não misturo alhos com bugalhos. Arte, Política, Ciência, religião, Desporto... tantas e tantas categorias... acho desprestigiante...

Já agora.... isso é um programa de tv?

:)

Beijos

Nuno Guronsan disse...

Respeito, A., mas estou completamente (ou quase) em desacordo. Não é por a seguir ao homem terem vindo parasitas piores ou melhores que o homem fica melhor na fotografia. O que é certo é que no seu tempo seria impossível eu demonstrar o meu desacordo com a sua política ou ideias, ou o mais provável era acabar num calabouço torturado por algum PIDE sem escrupulos. E sim, isso vinha nos livros de História que eu li.

Beijos.