quarta-feira, dezembro 30, 2009

palavras para 2009

janeiro,
«Já temos muitos quilómetros emocionais percorridos, com ruas paralelas e perpendiculares inesperadas, mas nunca, nunca com becos sem saída.»

fevereiro,
«Mas quando sou salvo... Não haverá nenhum opiáceo que forneça a mesma sensação. Uma sensação de liberdade, de quebra de barreiras intransponíveis, de amor, de alívio, de que realmente sou alguém e, num estranho universo do qual pouco percebo, a minha vida tem razão de ser e sim, é bom estar aqui e ser assim.»

março,
«O gang dos bróculos deixou mais marcas do que se pensaria. Vivemos em tempos violentos e todo o cuidado é pouco ao cruzarmo-nos com espécies tuberculas esverdeadas...»

abril,
«Tinha a sensação que esse facto lhe dava um ar algo desesperado, o que apenas aumentava os constantes remorsos que sentia de cada vez que entrava naquela casa. Mas que não impediam a excitação que sempre sentia naquele exacto momento. O momento em que tinha de escolher uma das mulheres do outro lado do vidro.»

maio,
«Ontem partilhámos provavelmente o momento mais íntimo que alguma vez tivémos. Bem sei que era uma actividade perfeitamente banal, mas quando os meus olhos encontraram os teus continuamente marejados pelas lágrimas que agora te aparecem tão facilmente, por pouco não chorei também.»

junho,
«Ouvir a sua vizinha de cima a tocar o piano era o amor que lhe chegava para incendiar o seu coração.»

julho,
«E depois de ouvir tudo aquilo, o esparguete não teve outra decisão que não fosse pegar nas suas almôndegas, meter o frasco de quetchupe na mala, colocar o chapéu de palha e sair pela porta da frente, deixando as chaves em cima do móvel da entrada.»

agosto,
«Valha-nos os poucos bocejos que demos ou ainda agora estaríamos no sofá. A idealizar uma qualquer teoria científica da treta, com resultados muito pouco credíveis...»

setembro,
«E quando chegavam a casa, beijavam-se e chegavam à conclusão que a sua vida nunca seria igual a um filme francês.»

outubro,
«Sentia-se a afundar lentamente, para dentro de um mundo que não descansaria até sugar toda e qualquer réstia de esperança humana à sua face. Manter-se à tona? Sim, continuaria a fazê-lo, sozinha e sem mais ninguém nem nada pelo qual fazê-lo.»

novembro,
«Por vezes deixo-me seduzir pela floresta, quando tenho a árvore mesmo à minha frente e nem assim viro o volante para evitar o embate que se avizinha.»

dezembro,
«Foram apenas dois segundos, enquanto passaste em frente ao vidro. Dois segundos que poderiam ter durado uma vida inteira.»


4 comentários:

cal...formerly known as calamity disse...

Queria roubar-te...a voz, porque a minha foi-se. Muda de beleza. É bom.

Beijos, aínda sem abrigo

Miss Kin disse...

Toda eu sou Outubro...

PenaBranca disse...

a balança balança o ano, com filmes, música, palavras e emoções. e que tal: o peso é o correcto, a balança balança para o lado certo?

Nuno Guronsan disse...

Querida calamidade, espero que não fiques muda (nem sem abrigo) por muito tempo. Não tarda a chuva irá embora e teremos que recuperar o tempo dos tremoços perdidos... :))
Beijos.

Querida miss kin, não se pode ser outubro sempre. Espero que rapidamente passes para fevereiro ;)
Beijos.

Amigo pena, a balança está fechada para obras, depois de a ter tentado usar logo a seguir à consoada... :D
Abracete.