sexta-feira, abril 11, 2008

Na volta.

Hoje fui perseguido por uma nuvem.
Ela apareceu logo pela manhã. Não a vi quando me levantei e espreitei pela janela, para ver se a chuva já tinha fugido para outro país. O sol já começava a dar um ar da sua graça e assim a vontade para sair de casa até ganhou outro ímpeto. Mas assim que coloquei um pé na calçada, lá estava ela. Negra, grande e prestes a desabar em cima de mim. Corri para o carro, com receio da tormenta que se adivinhava, mas estranhamente nada aconteceu. Rodei a chave e entrei em modo de piloto automático, como acontece em quase todas as manhãs. Mas sentia uma presença estranha à minha volta. A nuvem ali continuava, a pairar sobre mim e cada vez mais negra, em antecipação de tempestade. Mas a chuva continuava a não aparecer e o escritório já estava à vista.
O resto do dia passou num piscar de olhos.
Não tinha pensado nela durante todo o dia, mas tinha a sensação que rapidamente me lembraria dela quando voltasse à rua. E assim foi, ela continuava no céu sobre a minha cabeça, à minha espera, ou assim parecia. Por entre fiapos de nuvens pequeninas, o sol continuava a iluminar o solo, mas eu apenas tinha olhos para aquela estranha companhia. A nuvem permanecia a seguir-me, sem largar uma única gota de chuva. Parado no trânsito, tentava captar todos os detalhes daquela massa de ar ameaçadora, apenas para constatar que, a cada detalhe que observava mais atentamente, mais familiar ela me parecia. Havia algo de mim naquela nuvem, apenas não conseguia explicar porquê. Ela fazia parte de mim ou eu fazia parte dela? De alguma forma os nossos destinos pareciam caminhar pelas mesmas estradas. Rumando a casa, com o sol a bater nas nossas costas.
Agora é noite. Será que amanhã estarás à minha espera?

3 comentários:

Patricia disse...

Já eu, com esta mistura de nuvens e sol fui abençoada duas vezes com um arco-íris esta semana :)
Acho que esta é das poucas razões pela qual gosto da chuva.

E gostava que ele me tivesse acompanhado durante todo o dia...

A disse...

Acho que essa nuvem foi a mesma que chegou esta semana a uma certa ilha...

Valham-nos as pessoas (poucas) e as palavras (muitas) que vemos e lemos e ouvimos.

Há coisas que sempre nos resgatam nos piores dias de nuvens a pairar (assim tipo um sugador de nuvens). Mas não é fácil. Nunca é.

Stephen King disse...

E para quando a narrativa????:)
Sim, com páginas numeradas e personagens aos pulos por todo o lado..

Abraço!