quinta-feira, março 05, 2009

Blues

Isto de ser confrontado com as nossas amarguras via éter tem muito que se lhe diga. Até porque o que foi dito até trazia consigo uma certa aura de pan-pipes que normalmente apenas causa o escárnio e mal-dizer. O problema... O problema acaba por ser o piloto automático. Se este não existisse, mesmo com obras de ampliação, lama e vidros a precisar de água, talvez o cérebro estivesse mais desligado ou mais concentrado no caminho, e assim não lhe desse para o denaveio súbito, acabando por fazer uma tempestade num copo de água que, sinceramente, já não bebia há algum tempo. E de repente a sede fez-se rio de lágrimas amargas, daquelas que preferimos não conhecer, mas que a vida madrasta nos faz questão de recordar, talvez para melhor sabermos que não há nada eterno, nem as tristezas nem as alegrias, tudo está sempre à beira de um precípicio, ou melhor, de uma montanha-russa que eventualmente nos devolva à casa de partida.

Estou ao lado.

E vou largar a oxigénio de lado.

Wrong time. Wrong theories. Wrong page.

11 comentários:

PenaBranca disse...

ora bem, nem sei por onde começar. para quem está ao lado, um autopiloto deve ser o pior dos remédios. quantas vezes ele leva para o caminho tradicional, esperado e amorfo, e não o cativante e desafiante. não há pan-pipes por aí, apenas lugar para um Jai Ho. o autopiloto pode por isso ser perigoso.

essa água tempestuosa só pode ser ardente. ou brennivin engarrafado com um futetas? querias que o mal se fosse, mas não, ampliou-se?

meu conselho: saiu desse avião desgovernado, pois a tecnologia e a emoção já foram ultrapassadas. entra no século XXI: vai a pé, que é mais económico e saudável. e aí ao menos não há autopilotos.

e já agora, como dizia a outra: amigo é casa.

RF disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RF disse...

Parece que hoje acertei na quinta-feira, mas me desencontrei de ti no blog.

Bjs

RF

calamity disse...

don't feel it.
enjoy it
http://www.youtube.com/watch?v=wqs3-aRAdac

beijo

Nuno Guronsan disse...

Amigo Pena, se as minhas palavras já eram confusas, o que dizer das tuas... Isso quase parece um cocktail que passou o prazo de validade, foi confiscado pela ASAE, e acabou por fugir, arrastando-se para uma qualquer sargeta imunda...
O momento ao lado durou o que durou, às vezes faz falta ter momentos assim, altos e baixos estilo estrada islandesa... ;)

RF, desencontrados apenas na Net. Só isso... Por muitas divergências "anormais" que possamos ter... :)
Ouuuummmm.... Beijos.

É isso, calamity. Embracing your own private blues... Beijos.

RF disse...

:) bom saber...

Sempre gostei da tolerância perante as divergências. Todos diferentes, todos iguais

Bj

RF

A disse...

Existem, por vezes, momentos insuspeitáveis cheios de verdade, ainda que ditos de forma suave, que nos ferem por dentro, a demonstrar a veracidade do que se disse.

Só quem se interroga reconhece verdadeiramente esses momentos. Ao contrário do que a grande maioria pensa ou julga, todos nós nos interrogamos a cada dia que passa. Estou a fazer um workshop/acção de formação que trata disso mesmo, sabermo-nos ajudar para conseguir ajudar outros.

Há que demolir certas paredes e pilares para se poder construir algo melhor.

Beijinhos

Stephen King disse...

Brilhante, brilhante, brilhante!

Aqueel Abraço!

A. disse...

[denaveio súbito]


... é. é isso.







(e desculpa a intromissão)
*

Cate disse...

Gosto de pensar que inspirei este teu devaneio. =)

Beijos.

Nuno Guronsan disse...

Querida A,
"Existem, por vezes, momentos insuspeitáveis cheios de verdade, ainda que ditos de forma suave, que nos ferem por dentro, a demonstrar a veracidade do que se disse."
Nada do que está escrito neste pequenino "blues" chega perto deste tua afirmação. É isto mesmo, sem tirar nem pôr. Obrigado. Não há gestos que paguem afinidades destas.
Beijos.

SK, curvo-me perante tamanho elogio. Obrigado, meu amigo.

Cara A., obrigado pela intromissão. Esteja sempre à vontade para flutuar sobres este espaço e dar-lhe um pouco mais de cor.

Sim, Cate, em parte sim, a inspiração veio de um canto que me parece cada vez menos obscuro. E sem acidentes ;)
Beijos.