domingo, setembro 09, 2007

Estou?

Sim, sou eu.
Estás melhor? Ou pior?
Para ser sincera, nem eu própria sei.
Pelo menos já te levantas ou nem por isso?
Bom, neste preciso momento em que me ligaste tinha acabado de ir à casa-de-banho.
Sempre é melhor que nada.
Não sei, nada parece-me ser um estado extremamente atractivo.
Isso não és tu a falar, é o tumor dentro de ti.
Precisas mesmo de me lembrar que tenho essa coisa dentro de mim.
Tens razão. Desculpa. Não quis...
... ser inconveniente. Pois. Eu percebo.
O que eu queria dizer é que não te queria lembrar disso.
És apenas mais um. Por estes dias há muitos que não querem que eu me esqueça.
Estou a sair agora. Posso ver-te?
Ficarias muito chateado comigo se dissesse que preferia estar sozinha?
Sabes perfeitamente que não consigo ficar chateado contigo.
Não mintas.
Não estou a mentir.
Ficaste chateado quando não te contei sobre tudo isto mais cedo.
Chateado não. Triste sim.
Porque não confiei em ti?
Apenas porque não me contaste só isso.
Agora também já não interessa. Todos já sabem.
Gostava de pensar que sou algo mais que "todos".
E és. Por isso foi mais difícil contar-te.
Sim, claro.
É a verdade.
A verdade é sempre muito relativa.
Bom, se queres mesmo ver-me...
Sim, quero.
Podes vir, então. Mas não esperes encontrar-me bem disposta, não o estou.
Talvez que quando eu te deixe hoje, estejas melhor.
Tens qualidades terapeuticas, não o nego. Mas não tantas assim.
Pensei que me davas mais valor.
E dou. Muito mais do que aquilo que alguma vez sonharás.
E tu a dizeres que preferias estar sozinha...
Sou uma tonta, o que é queres?
Olha, lembras-te do que a minha avó costumava dizer?
A avó Beatriz?
Sim. Lembras-te?
Se não fossem os antibióticos era capaz de me lembrar...
Sempre que as coisas pareciam estar num beco sem saída...
Sim?
...virava-se para nós, com aquele sorriso lindo...
Sim?
e dizia, "Ora, não há mal que dure para sempre!"
Já me lembro. Agora que o dizes...
Lembras-te? A sério?
Sabes bem que adorava ouvir a tua avó...
Bom, então só temos que pegar nas palavras dela e fazê-las realidade.
Se fosse assim tão simples...
Se me deixares... só te quero ajudar.
Eu sei. Sou uma tonta.
Já disseste isso.
Então não digo mais nada. Não pelo telefone. Preciso de te ver.
Já estou no final do corredor. Em breve estarei a caminho daí.
Não demores.
Não vou demorar.
Até logo.
Até já.
 

5 comentários:

Luis Mendes disse...

Deixaste-me sem palavras... ficção ou realidade, tem, sem dúvida, uma força tremeda.

Stephen King disse...

Nem que que diga...

Abraço

Nuno Guronsan disse...

Meus caros, de vez em quando saem umas coisas assim... Até eu fico surpreendido... Abraços para vocês.

Stephen King disse...

Nem sei que diga, claro...

Abraços

Anónimo disse...

maravilhoso, nuno.
sónia
polly