
"Sou, de facto, um corpo estranho. E para o confirmar, basta-me simplesmente olhar para o lado. Aquilo que poderia passar por um extravazar de sentimentos devido a uma violência por demais psicológica, não passava de uma birra. Uma birra de alguém que ainda não sabe rigorosamente nada da vida. Que pensa que merece tudo e que tem direito a ser sempre ouvida. Mas há mais. Umas escadas acima, o comprovativo de que há algo em mim que não funciona como deve de ser. Ou que pelo menos não funciona como nos outros. Enquanto neles tudo é fácil, reconfortante e assumido, em mim acaba por haver sempre buracos na estrada, espinhos nas rosas que tento segurar e precipícios ao virar da esquina. E no fundo, acho que sou eu próprio que acabo por criar tudo isso. Será um íntimo desejo de ser realmente um corpo estranho? Não sei, se calhar preciso de me deitar no divâ e compreender realmente do que tratam todas estas palavras alinhavadas. Até lá, estranho me mantenho, com todo o arrependimento que isso traz."
das profundidades mais obscuras da minha alma







