terça-feira, maio 02, 2006

Inside Job

"Underneath this smile lies everything
All my hopes and anger, pride and shame

Make myself a pact not to shut doors on the past
Just for today I am free

I will not lose my faith
It's an inside job today

I know this one thing well…

I used to try and kill love. It was the highest sin
Breathing insecurity out and in

Searching hope, I'm shown the way to run straight
Pursuing the greater way for all human light.

How I choose to feel is how I am.
How I choose to feel is how I am.

I will not lose my faith
It's an inside job today

Holding on, the light of night
On my knees to rise and fix my broken soul

Again

Let me run into the rain
To be a human light again

Let me run into the rain
To shine a human light today

Life comes from within your heart and desire
Life comes from within my heart and desire
Life comes from within your heart and desire"

Mike McCready

Família

substantivo feminino


1.
conjunto de pessoas aparentadas que vivem em comum sob o mesmo tecto; agregado familiar;

2.
grupo de pessoas formado pelos progenitores e seus descendentes; linhagem; estirpe;

3.
raça;

4.
conjunto de pessoas do mesmo sangue ou parentes por aliança;

5.
grupo de pessoas unidas pelo vínculo do casamento, afinidade ou adopção;

6.
grupo de pessoas com origem, ocupação, ou outra característica em comum;

7.
BIOLOGIA grupo taxinómico (categoria sistemática) constituído por seres que se assemelham por determinados caracteres e que compreende um ou mais géneros;

GRAMÁTICA família de palavras conjunto de palavras que têm a mesma origem ou a mesma raiz;

família humana humanidade;

(Do lat. familìa-, «id.»)


© Copyright 2003-2006, Porto Editora.

Se há assunto onde sinto emoções contraditórias, a questão da família é uma das mais óbvias. Se por um lado tenho familiares que adoro e pelos quais tenho uma genuína amizade, também tenho outros que parece que tentam fazer tudo o que seja possível para me tirar do sério e irritarem-me de uma forma inimaginável. Bem sei que provavelmente acabei de descrever milhões de famílias por esse planeta fora, mas enfim, estava a precisar de desabafar...

Normalmente as coisas correm melhor se não se juntarem muitas gerações diferentes na mesma sala. Ou seja, se eu estiver na mesma sala com os meus pais ou os meus tios e se ainda juntarmos à mistura os meus avós e se a televisão estiver a dar algum programa noticioso (estou a criar o pior cenário possível), é quase certo que me vou irritar com alguma opinião proveniente de um tempo que já não tem lugar. Pelo menos era isso que acontecia até há uns anos atrás, o que me valeu a tristemente fama de ser o "rebelde"da família. Sim, porque todas as famílias têm de ter um "rebelde", certo? Nos dias que correm deixo esse papel para todos os meus outros primos e se por acaso a conversa resvala para temas como política, religião, sexualidade ou algo parecido, prefiro manter-me silencioso e evitar chatear-me com pessoas por quem tenho muito carinho... Percebem o choque de emoções que aqui se passa?

Costuma dizer-se que não se escolhem os familiares, mas também não me parece que haja famílias perfeitas por aí à solta. Talvez o facto de sermos um "conjunto de pessoas aparentadas" seja um ambiente muito fácil para discussões, zangas, birras e outros sinónimos afins, mas só assim é que temos hipótese de ter o poder de dar a volta a tantas diferenças de opinião e princípios e conversarmos sobre isso, partilhando experiências e acabando por ouvir histórias que apenas pensávamos que aconteciam com os outros...

Ninguém disse que era fácil, mas como se costuma também dizer, truth is stranger than fiction, e no caso de uma verdadeira família portuguesa como a minha, isso não poderia ser mais adequado.

Lisboetas

"Eu ontem fui aldrabado. Tu hoje és aldrabado. Nós amanhã seremos aldrabados."

segunda-feira, maio 01, 2006

Recordar e Reviver (Ondas Sonoras - XIII)

Vai fazer dez anos no próximo dia 24 de Novembro que assisti pela primeira (e única, em 2000 andava por outras paragens pelo que não estive na plateia do Restelo) vez ao vivo a esses génios da música que são os Pearl Jam. Foi no Pavilhão do Dramático de Cascais, e fiquei completamente rouco de tanto cantar e lavado em suor do calor que toda aquela gente "deu" ao concerto. Por muitos anos que se passem, nunca me irei esquecer das emoções desse dia e da comunhão que houve entre banda e público. Um solo fantástico do Mike, Eddie a cantar "Portugal, Portugal", e o Eddie a saltar de uma coluna com muitos metros de altura para o meio da multidão. E as músicas, claro, a razão principal de uma banda existir, e fazer com que no último sábado tenha esperado quase 3 horas para comprar o meu bilhete para o próximo dia 4 de Setembro, no Pavilhão Atlântico, onde espero ouvir, mais uma vez, a banda sonora da minha vida. Como alguém que eu conheço diria, Big Fat Smile...

quarta-feira, abril 26, 2006

Amanhã é dia de...

... rever as águas do Rio Douro.
... escrever à sombra da Torre dos Clérigos.
... passear ao sol que brilha na Foz.
... comer uma francesinha comme il faut.
... beber um cimbalino na Avenida dos Aliados.
... beber um fino na Praça do Cubo.
... tirar fotos nos jardins do Palácio de Cristal.
... passear pelas lojas de Santa Catarina.
... ver as luzes a acenderem-se na Marginal.
... estar com a familía e amigos "invictos".
... ouvir o sotaque que me traz tão boas recordações...


(Um obrigado especial ao Telmo Freitas pela bonita foto que tirou e que me fez voltar atrás no tempo.)

terça-feira, abril 25, 2006

A Senha

Bobine original gravada no dia 24/04/74 às 18H00 para ser transmitida no programa Limite às 00H20.

(Clique na imagem, por favor; com os agradecimentos do Filho do 25 de Abril, de quem "clonei" a ideia, e à Fundação Mário Soares, pelo ficheiro original.)

Bic laranja p'ra escrita fina...

Inadaptado

"Point is, what's so wonderful is that every one of these flowers has a specific relationship with the insect that pollinates it. There's a certain orchid look exactly like a certain insect so the insect is drawn to this flower, its double, its soul mate, and wants nothing more than to make love to it. And after the insect flies off, spots another soul-mate flower and makes love to it, thus pollinating it. And neither the flower nor the insect will ever understand the significance of their lovemaking. I mean, how could they know that because of their little dance the world lives? But it does. By simply doing what they're designed to do, something large and magnificent happens. In this sense they show us how to live - how the only barometer you have is your heart. How, when you spot your flower, you can't let anything get in your way."

domingo, abril 23, 2006

Dedicado à Carla e às suas plantinhas




















"Concepts are like hypothesis; they are artifices that do not have to be justified for their own sake, they serve to focus the intellect on a problem."

P.W. Barlow and D.J. Carr, 1984

Odor especial para um dia especial

A propósito do Dia Mundial do Livro (que poderia perfeitamente ser rebaptizado de Dia Mundial da Imaginação, da Alma, ou do Sonho, qual deles o melhor sinónimo para o Livro), dei de caras com este artigo no Portugal Diário. E também eu me questionei sobre qual seria o livro da minha vida, apenas para chegar à conclusão de que seria assunto não para um mas para vários e vários livros, que tiveram impacto na minha vida consoante o período da mesma. Já para não mencionar o facto de ainda ser um jovem (à beira dos 30, é verdade...), o que ainda me deixa menos à vontade para nomear Um livro da minha vida. Assim, optei por uma solução mais simples e deixo aqui o primeiro livro que "mexeu" comigo, o primeiro livro que me deixou a pensar sobre ele durante muito tempo, o primeiro livro que me fazia tentar convencer apaixonadamente os meus amigos a também o lerem, porque sabia que iria afectá-los da mesma forma que me afectou a mim. Tratava-se d' O Perfume, de Patrick Suskind, um livro que ainda hoje recordo com saudade e que inclusivamente lhe perdi o rastro. Andará perdido por aí algures na casa de algum amigo meu (isto foi no tempo pré-Bookcrossing), mas não fico triste, pois espero que esse meu amigo o tenha lido e tenha ficado com a mesma paixão por ele que eu senti e que inclusivamente o tenha passado a mais alguém. Porque este é um livro que merece ser conhecido por gerações e gerações de pessoas que têm prazer na leitura.

Coffee and Cigarettes

Há já algum tempo que tinha curiosidade em ver este filme. E depois de há uns tempos atrás me ter dado para escrever sobre este ritual, ainda mais vontade me deu de o ver. Coffee and Cigarettes é o exemplo de um filme que não tem rigorosamente nada a ver com aquilo a que normalmente nos habituámos a ver em termos de cinema. É cinema feito de pequenos nadas, pequenos diálogos e pequenas imagens, mas tudo isso se combina para observarmos retratos vivos de um quotidiano que poderia ser de qualquer um de nós. A diferença é que por aqui se passeiam nomes como Iggy Pop, Cate Blanchett, Meg e Jack White, Bill Murray, Roberto Benigni. Alfred Molina, entre outros. Aquilo com que mais me identifiquei é mesmo com as pequenas conversas sobre nada que aqui acontecem, e que podem originar tantas e tantas situações engraçadas, envergonhadas, hostis ou de puro nonsense. Apesar de não me ver a largar o café nos próximos tempos, os cigarros já não fazem assim tanta parte do meu dia-a-dia, isto pelo menos era o que eu pensava, até o Tom Waits se sair com uma frase que eu desejava que fosse minha (e de certo modo até é), "The beauty of quitting is, now that I've quit, I can have one, 'cause I've quit."

sábado, abril 22, 2006

Aniversário Blogueiro

Os meus parabéns ao Nuno Ferreira, pelos dois anos do Estradas Perdidas. Apesar de ser um leitor recente, não perco nem uma das Estradas que se vão desfiando neste blogue. Desejando mais uns anos de estradas perdidas, não resisto a uma pequena transcrição.

"Atrás de casa, encoberta por tufos de erva daninha, silvas e bidões abandonados, o comboio de janelas iluminadas vinha das Quintãs e silvou depois do túnel em curva, em direcção a Aveiro. Ali ao lado há uma estrada, a minha primeira estrada. Mulheres e homens cruzam-na impelindo teimosamente os pedais das bicicletas. Junto à vitrine de um pronto-a-vestir lê-se "Modas Katita". De uma taberna, saem dois homens que se dirigem para duas Famel-Zundapp. Estrada perdida."

Amanhã é dia do Senhor

God Is In The House

We've laid the cables and the wires
We've split the wood and stoked
the fires
We've lit our town so there is no
Place for crime to hide
Our little church is painted white
And in the safety of the night
We all go quiet as a mouse
For the word is out
God is in the house
God is in the house
God is in the house
No cause for worry now
God is in the house

Moral sneaks in the White House
Computer geeks in the school house
Drug freaks in the crack house
We don't have that stuff here
We have a tiny little Force
But we need them of course
For the kittens in the trees
And at night we are on our knees
As quiet as a mouse
For God is in the house
God is in the house
God is in the house
And no one's left in doubt
God is in the house

Homos roaming the streets in packs
Queer bashers with tyre-jacks
Lesbian counter-attacks
That stuff is for the big cities
Our town is very pretty
We have a pretty little square
We have a woman for a mayor
Our policy is firm but fair
Now that God is in the house
God is in the house
God is in the house
Any day now He'll come out
God is in the house

Well-meaning little therapists
Goose-stepping twelve-stepping Tetotalitarianists
The tipsy, the reeling and the drop down pissed
We got no time for that stuff here
Zero crime and no fear
We've bred all our kittens white
So you can see them in the night
And at night we're on our knees
As quiet as a mouse
Since the word got out
From the North down to the South
For no-one's left in doubt
There's no fear about
If we all hold hands and very quietly shout
Hallelujah
God is in the house
God is in the house
Oh I wish He would come out
God is in the house

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words and music by Nick Cave

sexta-feira, abril 21, 2006

Dedicado à Teresa

Ás vezes as coisas não correm como nós queremos. Temos tudo muito bem planeado e depois, quando menos esperamos, algo nos obriga a fazer um desvio. Pode ser uma coisa pequena em temos de importância, como pode ser algo que vai abalar a nossa vida. Pode ser um espectáculo para o qual já não arranjámos bilhetes ou um livro que está esgotado. Mas também pode ser a "obrigação" de ir para um país distante ou dar o primeiro passo em direcção a uma relação que não sabemos se vai "funcionar" ou não. Provavelmente, aquilo que realmente importa é a forma como enfrentamos os desvios (pequenos ou enormes) que nos vão aparecendo. Viramo-nos para dentro ou vamos à procura de alternativas? Fugimos para "casa" (o que quer que isso seja) ou mergulhamos no desconhecido? Gostava de ser destemido em todas as bifurcações que já apareceram ou hão-de aparecer na minha vida, mas a verdade é que nem sempre o consigo. Hesito, pondero, desespero, suores frios, arrepios na espinha, e depois... Nada. E depois lá vem o empurrão que preciso, normalmente uma voz amiga que sugere, aconselha, ou simplesmente me pergunta, me obriga a pensar melhor. Por isso, esta é a minha forma de agradecer a todos os meus amigos e amigas (materializados numa única pessoa, é certo, mas que simboliza todos os que fazem parte da minha vida) que já me ajudaram a suplantar os "desvios" do meu percurso. Obrigado e um brinde à vossa!

(Nada mal para alguém que, quando começou a escrever este post, estava com uma crise de inspiração terrível, hein?)

domingo, abril 16, 2006

Angels in America

"I hate America, Louis. I hate this country. Nothing but a bunch of big ideas and stories and people dying, and then people like you. The white cracker who wrote the National Anthem knew what he was doing. He set the word free to a note so high nobody could reach it. That was deliberate. Nothing on Earth sounds less like freedom to me."

Uma História Simples


Quem conhece o trabalho de David Lynch, sabe que o bizarro, o desconhecido e o estranho são as notas dominantes dos seus filmes. Mas Uma História Simples é diferente disso. Neste filme não há homens-elefante, ninguém recebe uma orelha decepada no correio, não há anões a falarem línguas estranhas, ninguém anda com um tronco ao colo, não há paixões doentias, não há auto-estradas perdidas com personagens estranhas pelo caminho, nem loiras com amnésias ou desejos lebidinosos. Não, este filme é um retrato da América no seu estado mais "normal", de acordo com a visão de Lynch. Talvez por se tratar de uma história tão simples, resida aí a razão para este filme ser tão despretencioso e tão rico de ingredientes, exactamente aquilo a que falta a muita da produção que nos chega de Hollywood. Só os olhos, as rugas e a voz do actor Richard Farnsworth (r.i.p.) mereciam uma longa-metragem, ficará muito provavelmente esta para a história. Mas a câmara de Lynch parece deslizar pelas longas auto-estradas americanas, crivadas pelo calor e pelos relâmpagos, pelos infindáveis campos de cereais, pelos vales e colinas que compõem o interior norte-americano. Quase se poderia dizer que David Lynch utiliza o cinema como uma tela para uma obra-prima e não para publicidade barata...

sábado, abril 15, 2006

Sexta-Feira Santa (Ondas Sonoras - XII)

Como se assiste a um concerto onde a banda ainda não editou qualquer disco, apenas se conhece uma canção que se ouviu meia dúzia de vezes na rádio, não se prestou atenção à encarnação anterior do vocalista/guitarrista (The Libertines) e, no entanto, é uma das bandas mais promissoras no Reino Unido e já se escreveu e gastou imensa tinta sobre ela? Bom, no meu caso, foi de imperial na mão e em pé que assisti ontem ao concerto dos Dirty Pretty Things, em Lisboa, no Santiago Alquimista. Não conhecia este espaço, que já é muito importante na área da música ao vivo a que se pode assistir em Lisboa, e fiquei agradavelmente surpreendido pela organização do local, que por momentos me lembrou um Coliseu em ponto mais que pequeno e sem cadeiras, ou quase.

Quanto aos Dirty Pretty Things, a sensação com que fiquei foi que o som é um rock bem dançavel mas melhor ainda com guitarradas fortes, ao jeito do que seriam uns Strokes se depois da dieta de punk made in NY tivessem emigrado para Londres e ouvissem todas as resmas de bandas que por lá houve nas últimas duas décadas. É uma descrição um bocado rebuscada, mas acho que ainda consigo fazer uma outra analogia: os DPT lembram-me os westerns de antigamente quando o gang de bandidos chegava à cidade, entrava pelo saloon adentro, acabava com todo o whisky que havia no sítio (ontem foi mais Jameson), pegava nas mulheres ao colo e roubavam beijos e outras carícias que tais (ontem também houve disto), enfim, devastava toda a cidade. Ontem não foi a cidade por completo, mas umas quantas dezenas de pessoas agradeceram a devastação com muitas palmas. Eu também gostei de ver ao vivo e o cores o verdadeiro "sex, drugs and rock n' roll". E a música é mesmo boa.

Antes disso houve banda portuguesa, (the) Scope, que apesar do falso arranque, merece ser acompanhada pelo rock sónico e com muita distorção que fazem. Precisam, se calhar, de mais rodagem, mas houve quem ficasse impressionada com o baterista ;)

(a reportagem do Disco Digital)

quinta-feira, abril 13, 2006

Clandestino

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazn
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

Pa una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la dej
Entre Ceuta y Gibraltar
Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
dice la autoridad

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazn
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quiebra ley

Mano Negra clandestina
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marijuana ilegal

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazn
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

(Letras e foto de Manu Chao)