quarta-feira, março 12, 2014

É possível descrever a amizade

Sobre uma das minhas palavras predilectas.

"Mas é possível descrever a amizade? Quando nos con-
frontamos com a pergunta, sentimos que as dificuldades se
ampliam. Entramos num campo onde não há muitas decla-
rações exatas, até porque de sua natureza a amizade é implí-
cita, mesmo se contribui tão decisivamente para tornar a
vida explícita e vasta. Há uma ética da amizade, mas essa
não vem escrita, não é tutelada legalmente, e escapa ao ar-
bítrio dos pactos sociais. A amizade é singularíssima e
mune-se de uma desconcertante simplicidade de meios. O
traço mais universal da sua gramática é, talvez, o da pre-
sença: mas esta tanto se faz de muitos encontros, como de
poucos; de muitas palavras ou de um silêncio espaçado e
confidente; de um telefonema por dia ou por ano; de uma
ou de incontáveis atenções... O importante é que tudo isso
se torne, a dada altura, uma história que nos acompanha e
por onde o essencial da vida passa."

José Tolentino Mendonça

 

segunda-feira, março 10, 2014

Um buraco no coração



(..."this whole world's wild at heart and weird on top.")



quarta-feira, fevereiro 26, 2014

O profundo silêncio das manhãs de domingo

"O ideal, já se sabe, é que pudéssemos todos che-
gar a ser felizes. A maior parte dos vivos tem, porém,
de se contentar com a infelicidade de não chegar a
ser feliz. Sendo assim, talvez haja na ideia de uma
bela infelicidade algo de redentor, como uma espécie
de meta de consolação. Não sendo possível atingir a
felicidade, é ainda assim aceitável viver infelizmente
- se formos capazes de plantar na nossa infelicidade
um instante de doce melancolia, algo como o raio de
sol que vem tornar suportáveis as manhãs de chuva."

Manuel Jorge Marmelo

 

sábado, fevereiro 15, 2014

Pré-aviso

Hoje há mais uma sessão de vai e vem. Tornaram-se também parte da rotina dos últimos quase quatro anos de interior continental. É um par de horas que normalmente passa num instante, a mais das vezes ao som de memórias musicais de outros tempos. Talvez que a lembrar que a vida por aqui deixou, há muito, de ser uma simples linha recta, com mais curvas e contracurvas que a antiga estrada de Lamego. Vou provavelmente ter a companhia da chuva e das nuvens cinzentas que ultimamente cavalgam os nossos céus. Seja. Não é a primeira vez e não será certamente a última. As chegadas a "casa" compensam sempre os rigores das viagens, o calor dos corações que nos amam é o melhor bálsamo para melancolias e demais devaneios mentais. Vou, como também já começa a ser tradição, com a esperança de encontrar amizades várias. Dos mais diferentes recantos da minha vida, mas com a base comum de fazerem parte do meu ser. Já sei que não vou conseguir estar com todos e alguns não vão conseguir estar comigo. Faz parte. Não há problemas nem chatices, haverá mais oportunidades e não será pela falta de vaivéns. Por enquanto tem e será assim. No futuro logo se vê. É andar por aqui e assitir aos próximos capítulos. E ir gravando uns instantâneos e andar sempre com a caneta e o caderno atrás, nunca se sabe quando é que as palavras certas se poderão atravessar no nosso caminho. E é isto. Bater a porta, rodar a chave, destravar e carregar no acelerador. Vêmo-nos desse lado.


domingo, fevereiro 09, 2014

Da alma.

Houve um momento no concerto de ontem à noite onde tudo ficou claro como a água. Onde as palavras, a voz, a guitarra portuguesa, o foco de luz que atravessava a escuridão, se juntaram à enorme alma que Camané coloca nas suas canções e encheram aquele palco de uma luminosidade como poucos conseguem trazer para a música. Foi gratificante ver a sala completamente cheia a aplaudir. Mais um bonito concerto que vou guardar no meu baú de memórias portalegrenses.

"Se estou só, quero não estar,
Se não estou, quero estar só,
Enfim, quero sempre estar
Da maneira que não estou."


quinta-feira, fevereiro 06, 2014

O pintor debaixo do lava-loiças

"Todos os jardins da nossa infância são o jardim
do paraíso. A pele suave desses tempos em que se
corria com as pernas arqueadas soltando uma espé-
cie de luz pela respiração. Ríamos a correr para os
braços dos adultos numa entrega absoluta. Eles, os
adultos, atiravam-nos ao ar e apanhavam-nos com
mãos ásperas, e, talvez por isso, quando crescemos
nunca mais deixamos de, esporadicamente, sonhar
que voamos. E de sonhar com gigantes e anões, pois
eram essas as nossas proporções".

Afonso Cruz

 

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Claustrofobicamente fenomenal



"I get it, it's nice up here. You could just shut down all the systems, turn down all the lights, just close your eyes and tune out everyone. There's nobody up here that can hurt you. It's safe. What's the point of going on? What's the point of living? Your kid died, it doesn't get any rougher than that. It's still a matter of what you do now. If you decide to go then you just gotta get on with it. Sit back, enjoy the ride, you gotta plant both your feet on the ground and start living life. Hey, Ryan, it's time to go home."


sexta-feira, janeiro 24, 2014

"I am fire... I am death!"


(Só por isto já valia a pena. Isto e uma série de orcs a serem chacinados, claro :)))


Normas e regulamentos

Quando cheguei à última página, lembrei-me de outros tempos, outros locais, outras hierarquias, resumindo outras "espécies" de pessoas. De como há tantas diferenças entre os cenários que quase dava para escrever um livro inteiro de como não fazer as coisas de forma correcta. Aliás, a única coisa que me passava pela cabeça enquanto lia parágrafo após parágrafo era que a minha vida anterior estava lentamente a tentar arrombar a porta da minha actual vida. Mas agora tudo à minha volta está muito diferente, e para bem melhor. Mesmo com algumas preocupações e ansiedades pontuais, muito melhor. E assim a única coisa que realmente podia fazer foi exactamente o que fiz, sorrir. Sorrir e pensar que fiz coisas que, à distância de uma fronteira, me parecem irreais e que, aqui, seriam ainda mais estranhas e inconvenientes. E voltei a sorrir e lembrei-me dos amigos e amigas do quotidiano que agora ficou lá atrás e que apenas os vejo de vez em quando no presente. E que eles e elas foram as melhores lembranças desse tempo de antigamente. E serão sempre. Era o que deveria dizer a trigésima norma, se ela existisse.


domingo, janeiro 05, 2014


Nunca, repito nunca haverá outro como tu. Dez anos antes de eu nascer fizeste magia futebolítica nos relvados da pátria mãe do futebol. Nunca haverá outro como tu. Descansa em paz.


quinta-feira, janeiro 02, 2014

Um buraco no coração


(ou como o meu coração ainda acredita em história de amor eternas...

"Legendary hearts
tear us all apart
make our emotions bleed
crying out in need")

Último capítulo.

Comecei o ano a acabar de ler um livro. E ao ler as últimas palavras trocadas entre Abel e Silvestre, apercebo-me lentamente que tenho uma parcela de cada um deles dentro de mim, na minha consciência. Dou por mim a torcer pelas intenções de Silvestre enquanto sei também que as coisas acabam por ser mais reais pelos olhos de Abel. No fundo, são os dois uma e única pessoa, não há muita volta a dar isto, o coração não é fácil de enganar, sei-o bem enquanto leio a última frase, que ficará a ecoar dentro de mim nos próximos dias deste novo calendário que agora começa...

"O dia em que será possível construir sobre o amor não chegou ainda..."

"you turn me good and god-fearing
well, tell me what am i supposed to do with that"


 

terça-feira, dezembro 31, 2013

vi, ouvi e li

north by northwest, alfred hitchcock
killing them softly, andrew dominik
drive, nicolas winding refn
a turma, laurent cantet
alien, ridley scott
frankenweenie, tim burton
django unchained, quentin tarantino
the deer hunter, michael cimino
the great gatsby, baz luhrmann
the searchers, john ford
life of brian, terry jones
rush, ron howard

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fade, yo la tengo
push the sky away, nick cave & the bad seeds
drive original soundtrack
regions of light and sound of god, jim james
trouble will find you, the national
pale green ghosts, john grant
standards, lloyd cole
casulo, márcia
dream river, bill callahan
almost visible orchestra, noiserv
amália por júlio resende, júlio resende
as canções d'a naifa, a naifa

.......................................................................

a queda de um anjo, camilo castelo branco
fúria, salman rushdie
o caminho mais longo, ewan mcgregor e charley boorman
i'm your man - the life of leonard cohen, sylvie simmons
the art of travel, alain de botton
yoga for people who can't be bothered to do it, geoff dyer
granta portugal I - eu
1q84 - the complete trilogy, haruki murakami
caderno afegão, alexandra lucas coelho
onde os rios se separam, mark spragg
granta portugal II - poder
no meu peito não cabem pássaros, nuno camarneiro

 

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Do Mal o Menos

"Se por algum desígnio voltar a esta terra amada gostava de ser uma árvore visitada por aves no verão, por onde se passeassem os esquilos, onde se escrevessem no tronco pequenos nomes humanos apaixonados. Uma árvore de uma floresta do norte onde no inverno cai a neve e há aquele silêncio que tudo guarda. E que depois fosse cortada por um lenhador, pai de uma família grande e saudável, e que parte de mim fosse logo queimada, o seu calor cozendo a comida de todos e que com a melhor madeira se fizesse uma mesa onde alguém um dia escrevesse uma carta a alguém que estivesse longe para lhe dizer que a amava."

Pedro Paixão


sábado, dezembro 14, 2013

Saudades da "minha" cidade

"Trezentas mil pessoas habitam Lisboa enquanto Fernando
dorme. Entre as oito da manhã e as oito da noite há três mil
cantos contemporâneos dentro das fronteiras da cidade. Um
canto por cada cem habitantes. A densidade melódica de Lis-
boa, uma das mais elevadas do hemisfério norte, é responsá-
vel por algumas das particularidades dos seus habitantes. Há
muita gente impreparada para tanta melodia, gente vulnerável
às emoções com que esbarra a cada instante. Não há protec-
ções eficazes contra emoções cantadas e há quem fuja, quem
enlouqueça e quem escreva poemas. Em Lisboa, entre as oito
da manhã e as oito da noite, as cabeças enchem-se de eco e cada
um faz o que sabe fazer."

Nuno Camarneiro

 

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Mantra

"Life's a piece of shit
When you look at it
Life's a laugh and death's a joke, it's true.
You'll see it's all a show
Keep 'em laughing as you go
Just remember that the last laugh is on you."