terça-feira, maio 29, 2012

The dark of the matinee

Para quem, como eu, adora cinema e perder horas e horas da minha vida numa sala escura diante do grande e mágico ecrãn, este filme é uma homenagem tão bonita ao cinema que é impossível não ficar apaixonado por ele. Lindo, lindo, lindo.


"If you've ever wondered where your dreams come from, you look around... this is where they're made."


quarta-feira, maio 23, 2012

Sinal dos tempos... cada vez mais...

"Good evening, London. I thought it time we had a little talk. Are you sitting comfortably? Then I'll begin...
I suppose you're wondering why I've called you here this evening. Well you see, I'm not entirely satisfied with your performance lately…. I'm afraid your work's been slipping, and...and well, I'm afraid we've been thinking about letting you go.
Oh, I know, I know. You've been with the company a long time now. Almost...Let me see. Almost ten thousand years! My word, doesn't time fly? It seems like only yesterday… I remember the day you commenced your employment, swinging down from the trees, fresh-faced and nervous, A bone clasped in your bristling fist... "Where do I start, sir?" You asked, plaintively.
I recall my exact words: "There's a pile of dinosaur eggs over there, youngster," I said smiling paternally the while. "Get sucking."
Well, we've certainly come a long way since then, haven’t we? And yes, yes, you're right, in all that time you haven’t missed a day. Well done, thou good and faithful servant. Also please don't think I've forgotten about your out-standing service record, or about all of the invaluable contributions that you've made to the company... Fire ,the wheel of agriculture...It's an impressive list, old-timer. A jolly impressive list. Don't get me wrong.
But...well, to be frank, we've had our problems ,too. There's no getting away from it. Do you know what I think a lot of it stems from? I'll tell you... It's your basic unwillingness to get on within the company. You don't seem to want to face up to any real responsibility, or to be your own boss. Lord knows, you've been given plenty of opportunities...We've offered you promotion time and time again, and each time you've turned us down. :"I couldn't handle the work, Guv'nor," you wheedled. "I know my place"
To be frank, you're not trying, are you? You see, you've been standing still for far too long, and it's starting to show in your work....And I might add, in your general standard behaviour. The constant bickering on the factory floor has not escaped my attention...Nor the recent bouts of rowdiness in the staff canteen. Then of course there's....Hmmmm. Well, I didn't really want to have to bring this up, but...Well, you see I've been hearing some disturbing rumours about your personal life.
No, never you mind who told me. No names, no pack drill...I understand that you are unable to get on with your spouse. I hear that you argue. I am told that you shout. Violence has been mentioned. I am reliably informed that you always hurt the one you love...The one you shouldn't hurt at all.
And what about the children? It's always the children who suffer, as you're well aware. Poor little mites. What are they to make of it? What are they to make of your bullying, your despair, your cowardice and all your fondly nurtured bigotries? Really, it's not good enough, is it? And it's no good blaming the drop in work standards upon bad management, either ...
Though, to be sure, the management is very bad. In fact, let us not mince words ... the management is terrible! We've had a string of embezzlers, frauds, liars and lunatics making a string of catastrophic decisions. This is plain fact.
But who elected them? It was you! You who appointed these people! You who gave them the power to make your decisions for you! While I'll admit that anyone can make a mistake once, to go on making the same lethal errors century after century seems to me nothing short of deliberate.
You have encouraged these malicious incompetents, who have made your working life a shambles. You have accepted without question their senseless orders. You have allowed them to fill your workspace with dangerous and unproven machines.
All you had to say was "NO." You have no spine. You have no pride. You are no longer an asset to the company. I will however, be generous. You will be granted two years to show me some improvement in your work. If at the end of that time you are still unwilling to make a go of it...You're fired.
That will be all. You may return to your labors."



 Alan Moore



sexta-feira, maio 11, 2012

A vida enquanto piano desafinado


A vida, às vezes, consegue ser um autêntica merda. Especialmente quando somos "roubados" de um enorme mundo de talento na forma de um ser humano. Que continuemos a ouvir o som dos seus dedos nas teclas de um piano para nos lembrarmos da sua memória luminosa que nos iluminou até ao triste dia de hoje...


domingo, maio 06, 2012

Dejá vu

"Não digas nada – a tua boca já me pertenceu
e agora tenho ciúmes das palavras. O que
disseres será um beijo pousado nos lábios de
outra mulher, dor e mais dor, traição maior
para quem acreditou que o teu amor era para
a morte. Não fales – tenho também ciúmes


da tua voz; ouvir-te é ficar só uma vez mais."

Maria do Rosário Pedreira



quinta-feira, maio 03, 2012

Corvo

A simplicidade e a honestidade conseguem fazer momentos cinematográficos únicos. E sou recordado de algo que uma vez escrevi acerca da viagem do ano passado à Nova Zelândia. Que, por muito bonitas e inesquecíveis que sejam as paisagens e os lugares, o que acabará sempre por ficar nas nossas memórias são as pessoas, a sua sinceridade e a sua frontalidade, a forma como nos recebem e nos confrontam, é isso que fica. E aqui aconteceu exactamente a mesma coisa. Como alguém diz a certa altura, e não me recordo das palavras exactas, só vale a pena fazer alguma coisa se realmente gostarmos de a fazer, só se a amarmos muito é que vai sair bem, tenhamos ou não tudo o que precisamos à mão, se a fizermos só por interesse ou porque tem que ser, então o mais certo é ficar uma coisa muito mal feita. Assim, apenas ficamos deslumbrados pelo quanto o Gonçalo ama realmente o Corvo e as suas gentes, para ter saído esta maravilha de três horas e tal que passam a correr e deixam o desejo de continuar por ali...





domingo, abril 29, 2012

Vacaciones

Hoje foi o primeiro dia. E se todos os dias que aí vêm nas próximas três semanas tiverem momentos tão bons como o de hoje, serei uma pessoa feliz. Com ou sem chuva, mas sempre com a luz que apenas os verdadeiros amigos nos conseguem dar. Sejam sempre bem-vindos a esta casa. :)

domingo, abril 22, 2012

Os outros dizem



"Uma cenoura?? Mas crua ou cozida? Ou descascada??"

Riso e mais riso. Muito bom.


quinta-feira, abril 12, 2012

A propósito da MAC...

Fui recordado que a minha antiga escola primária também já não existe. Era uma pequena ilha de ensino no meio de alguns dos prédios mais antigos da freguesia. Era feita de pavilhões de madeira, tinha árvores, e recreios para brincar, e espaço para correr. Se eram as melhores instalações escolares do mundo? Não, longe disso. Mas sempre foram mais do que suficientes para os alunos que havia na altura, sempre houve salas suficientes, sempre houve professores e auxiliares capazes de controlar algumas das crianças mais destravadas que conheci em toda a minha vida. E nem mesmo uma cabeça partida me faz ter menos saudades daquela escola que conheci desde os meus três anos de idade até à altura que parti para a preparatória. Foi abaixo, com a justificação de instalações mais modernas e a necessidade de albergar muitos mais alunos do que aquilo que conseguia. Nunca construíram outra no seu lugar. Nem tal se pedia. Mas havia tanta coisa que podia ali ter nascido para, de algum modo, honrar aquele antigo local de aprendizagem escolar e mesmo de como crescer enquanto cidadão deste mundo. Um jardim, uma biblioteca, tanta, tanta coisa. Ficámos com um parque de estacionamento. Uma coisa necessária, sem dúvida, tendo em conta a falta de planeamento urbano que sempre reinou naquele local, mas mais cimento cinzento povoado por coisas sem vida. Acho que nem sequer a árvore que há tantos anos ajudei a plantar, acho que nem sequer ela sobreviveu. Nem sempre penso nestas coisas quando passo à frente daquele espaço que me deixou tantas memórias. Mas, às vezes, por vezes, lá me passa de repente uma imagem, um som, uma voz, uma espécie de fotografia em movimento, que acaba sempre por me lembrar que, enquanto os anos passam e inevitavelmente crescemos, há algumas partes do nosso mundo emocional que simplesmente acabam. Seja ou não quinta-feira...

quarta-feira, abril 11, 2012

Mantra


"You is kind. You is smart. You is important."

(isso.)


segunda-feira, abril 09, 2012

Prenda atrasada

Acabei há poucos minutos de ler um livro do Steinbeck que me foi oferecido no último aniversário por duas boas amigas, daquelas com quem já tenho um bonito caminho percorrido. Caminho que já passou por algumas viagens, tal como através do livro também Steinbeck vai viajando por estradas e esquinas norte-americanas, tentando descobrir o que realmente é isso de ser Americano, esteja esse ser Americano em desertos, montanhas, planícies, costas marítimas, ou as grandes cidades que nasceram de pequenas povoações. Um livro bem interessante e que explica muito sobre a forma como os E.U.A. foram "crescendo" nos últimos cinquenta anos. Mas mal podia esperar que também o livro que agora tenho nas mãos também tenha viajado. Mais concretamente desde a Quarteira em 1989 até chegar aqui, Portalegre em 2012. Uma bonita surpresa feita pelas minhas amigas. Um grande bem haja ao João José, onde quer que ele se encontre. O teu livro está em boas mãos! :)


domingo, abril 01, 2012

Um de abril

Hoje caminhei cerca de doze quilómetros, por entre serras e vales, a subir e a descer, debaixo de chuva e debaixo de sol. Houve sabores alentejanos aos quais, provavelmente, já me habituei demasiado mas que sempre são reconfortadores. Houve conversas e mais conversas com tudo e mais alguma coisa à mistura. Houve visões deslumbrantes de flores que em breve serão frutos de uma terra que merecia mais, muito mais. E houve, acima de tudo, a simpatia e a alegria das gentes alentejanas, que tornam este país um bocadinho mais bonito. E houve vozes alentejanas a cantar que cheira bem, cheira à minha cidade de nascimento, e a chamarem-me alfacinha, e outras a dizerem que não, que já sou mas é alentejano. Houve um domingo repleto de alegria, e, melhor que tudo, nada do que aqui escrevi é mentira.




segunda-feira, março 26, 2012

Viagens com o Charley

"Há ocasiões que uma pessoa guarda como tesouros por toda a sua vida, e tais ocasiões estão gravadas, clara e rigorosamente, na substância da recordação total. Sentia-me muito feliz nessa manhã."

John Steinbeck


Memória

Ferreiros, Laceiras e Cavaleiros. Estas três "terras" vieram-me hoje à memória enquanto atravessava um campo de oliveiras quase dentro de Portalegre. O mesmo cheiro a terra cultivada, o mesmo cheiro a oliveiras a crescerem, tudo a recordar-me os inúmeros dias passados nessas três "terras", sempre caminhando atrás do meu querido avô, sempre escutando as suas palavras, e lembrando-me dos dias em que ele ainda subia às oliveiras com uma vara às costas. Memórias boas, muito boas mesmo, mas que não evitam que algumas gotas de tristeza sejam derramadas sobre o meu coração. A saudade não tem tempo nem lugar, apenas existe, sempre.


Fronteira

Hoje foi dia de encher o depósito do pólo em Espanha.

Eu sei, eu sei, sou uma besta anti-patriótica por não comprar cá dentro do rectângulo. Sim, eu sei, sou um sacana que apenas se interessa em poupar o vil metal, que não compreende que a diferença entre gasolina a 1,491 € do outro lado da fronteira e gasolina a 1,739 € no posto de abastecimento aqui ao pé de casa se deve aos mercados, e às taxas de juro, e ao preço do barril de petróleo, e não às supostas filhas-da-putice das empresas gasolineiras que operam cá na nossa terra. Sim, eu sei que provavelmente ainda estou a contribuir para um possível aumento do desemprego com o fecho de mais postos de gasolina, independentemente de achar que há cartéis e coisas afins neste mercado, e independentemente da bomba espanhola onde vou empregar espanhóis e portugueses, e quase que jurava que há por ali uma moça galega que adora dizer xxxxx isto e xxxx aquilo. Eu sei, eu sei, sou um cabrão incorrigível e que devia preocupar-me mais com a nossa economia, mas em meu favor digo que ainda não encho o pólo com três ou quatro jerricans de gasolina, nem encho o porta-bagagens com sete ou oito bilhas de gás. Sim, que o gás também é mais barato, vá se lá compreender. E realço a palavra ainda, de modo que podem ir preparando mais palavrões para me linchar em praça pública.

Mas, calma, tenham calma, meus caros vilipendiadores, que estas coisas não ficam sem o devido castigo. E esse, mais tarde ou mais cedo, acaba por cair em cima de quem o merece. Portanto, toma lá duas operações stop no espaço de quatro quilómetros, uma do nosso lado e outra do lado de lá. É verdade, hoje houve encontro imediato com a GNR e com a Guardia Civil, uma maravilha. Mas são tão parecidos que até podiam ser gémeos separados à nascença. Pediram-me impiedosamente os documentos, fulminando-me com os seus olhares suspeitos. Isto até me deixar rir com uns e com outros. Do lado de cá, ri-me com o senhor agente pois a foto da minha carta de condução ainda foi nos tempos da barba, de modo que tive de tirar os óculos escuros para o senhor perceber que em tempos tive mesmo aquele aspecto. Depois de quatro quilómetros, ri-me com o señor agente pois disse-lhe que nem há cinco minutos tinha sido mandado parar, ao que o senhor me respondeu com risos de "nuestros colegas portugueses tambien tengan que trabajar" ou algo do género, que eu não falo espanhol.

Portanto, este vosso pouco patriota amigo, que se dá ao desplante de conduzir vinte e poucos quilómetros para ir à bomba espanhola mais próxima, já teve o seu duro castigo e com toda a certeza que os agentes policiais, portugueses e espanhóis, estarão atentos às minhas movimentações gasolineiras. Há que andar na linha senão ainda lá sai uma carga policial sobre a minha pessoa. E eu que não sou jornalista, e sim um porco capitalista ao soldo do grande capital estrang..., quer dizer, pequeno capital nacional. Ou algo assim.


Para vosso conhecimento, já devo ter passado a fronteira tantas vezes que já nem recebo a mensagem de boas-vindas da vodafone espanhola. Uma vergonha. Não há como a nossa pátria.


domingo, março 25, 2012

Declaração de intenções domingueiras parte 2

Umas breves palavras para a posteridade. Caso a malta hindu ou os amigos cristiano-esotéricos (sim, eles existem) tenham mesmo razão nas suas crenças, queria desde já dizer que na minha próxima reencarnação eu quero ser um cão. Não interessa a raça, o tamanho, a cor, apenas quero ser um canis lupus familiaris. É só.




(A culpa é do Steinbeck, das duas almas que me ofereceram o Steinbeck, e finalmente de um cão que hoje se aproximou de mim no jardim. Culpados, todos eles.)



Declaração de intenções domingueiras parte 1

Era só para lhe dizer, menina Victoria, que de cada vez que a ouço cantar uma dessas porcelanas musicais que a sua banda nos oferece, me deixo perder de amores por si mais um bocadinho. Espero que saiba o que isto significa e que faça alguma coisa de modo a eu não ficar eternamente perdido. Obrigado, menina Victoria.




Uma hérnia discal e um restaurante


"Leben ist, was passiert, waehrend du dabei bist, andere plaene zu machen"


quarta-feira, março 21, 2012

Ondas Sonoras - XLI

Domingo passado. Mais de duas horas de músicas lindas, sons que ficam a morar na nossa cabeça indefinidamente, e uma voz, uma senhora, que continua a aquecer-nos o coração como poucos. Obrigado, por mais um concerto das nossas vidas, menina Leslie.






quarta-feira, março 14, 2012

Variações sobre a amizade...

... do Miguel Esteves Cardoso...


... do meu homónimo escritor preferido...

"É certo que tenho amigos destes. Felizmente. Algumas pessoas, que por razões que nem a elas nem a mim assistia poder alterar, só as posso ver de quando em vez, , porque vivem noutro país, noutra cidade, noutros enquadramentos. mas há pessoas que assumem esta posição quando nada o obriga a tal. Quero com isto dizer que o recorte das chamadas amizades próximas também vive de uma combinação entre rega e presença, e que, em alguns casos, se isso não acontecer, não se gera acrimónia ou desgosto, mas algo fica diferente. O que, no passado, já me entristeceu, porque verifiquei que os queria mais próximos, mais "quotidinizáveis", e não conseguia. Ou perdia-se o enquadramento.
Uns esqueceram-me, outros esqueci-me deles, e alguns permaneceram e permanecem, felizmente. Mas não julgo que a amizade de sempre, que aquele acervo precioso de com quem contamos, seja em que perspectiva fraterna for, esteja isenta de riscos quando a ausência é maioritária ou esmagadora.
No fundo, não é colocar em causa o que o MEC diz, mas simplesmente achar que as minhas empatias, e atrevo-me a dizer, mais algumas, sobrevivem à custa da vivência, da tal partilha dos nadas, da cumplicidade das histórias que depois se tem para contar. Acho eu...
A prova de que talvez eu esteja mesmo enganado, é que este meu amigo está longe, e de facto está perto. Mas se também o preferiria ver mais vezes, e desafiá-lo para as as jornadas fílmicas nas salas de cinema manhosas do Monumental? Também é verdade.
Ao menos Domingo lá estaremos."



... da minha calamidade preferida....

"um Senhor Malhumorado que conheci dizia que a Amizade e o Amor eram como as plantas.
Daqui, julgo que quem conhece as ditas, mais a terra e as fragas poderá tirar muitas ilações...
ele é o terreno, a água, o sol, o frio, mais ou menos luz, a fragilidade da cepa, a enxertia que se quer fazer, se são de fruto ou decorativas...se árvores para durar cem anos ou daquelas flores exóticas sem cheiro para adornar mesa de ministro."



terça-feira, março 13, 2012

Ira


"I'll be all around in the dark - I'll be everywhere. Wherever you can look - wherever there's a fight, so hungry people can eat, I'll be there. Wherever there's a cop beatin' up a guy, I'll be there. I'll be in the way guys yell when they're mad. I'll be in the way kids laugh when they're hungry and they know supper's ready, and when the people are eatin' the stuff they raise and livin' in the houses they build - I'll be there, too."