quinta-feira, outubro 28, 2010

À noite


Há músicas, letras e notas musicais que me servem de porto seguro quando preciso de me agarrar à beira do abismo. Mas também há aquelas pessoas que nos deixam canções que nos aconchegam o coração e nos libertam a alma para outros voos. Esta senhora é, muito provavelmente, a melhor manifestação da segunda via. E uma excelente companhia para noites escuras, silenciosas e longas...

sábado, outubro 23, 2010

24 de Maio de 2011



O primeiro momento de felicidade para 2011 está garantido.


quinta-feira, outubro 21, 2010

34

As prendas serão inesquecíveis.
As palavras foram directamente para o coração.
Os sorrisos valem todos os euromilhões do mundo.
Os abraços foram apertados como sempre devem ser.

Mas espero que todos e todas me perdoem quando eu disser que a melhor prenda que tive hoje foi um telefonema que me fez chorar de felicidade. Sentir que palavras como esperança e acreditar até ao fim nunca mais serão as mesmas depois de ouvir a voz de alguém em quem os meus pensamentos têm tantas vezes recaído nas últimas semanas. Ainda agora, enquanto volto a pensar no telefonema e na voz linda que ouvi do outro lado, ainda agora sinto os olhos ficarem molhados de lágrimas que me deixam de alma renovada, que me mostram uma vez mais que a nossa felicidade acabará sempre por vir de dentro de nós e das pessoas que nos preenchem os vários recantos do nosso coração. E como sou feliz hoje depois de te voltar a ouvir, minha querida. Agora apenas quero estar contigo, abraçar-te, beijar-te e sentir que sempre estiveste aqui e que sempre estarás...

Obrigado. Dias de aniversário assim quero tê-los para sempre...

Olha, passou mais um ano...


Continuas a correr, sabe-se lá para onde. Mas gosto da maneira como continuas a sorrir enquanto tentas descobrir novos sítios, novas pessoas, novas coisas que povoem a tua vida e que te deixem sempre com boas memórias. Mas gosto ainda mais da maneira como ontem disseste que o passado é passado, viva o presente, e venha o futuro. É daquelas ideias inspiradas pela luz a iluminar-te logo pela manhã.

Parabéns, puto!


segunda-feira, outubro 11, 2010

Pobre diabo

Demorou um bocado a aperceber-se. Na verdade, foi mais do que um bocado. Na verdade, demorou alguns anos a ver o estado em que estava. Talvez fosse porque já quase nem se lembrava de algum dia ter escrito aquelas palavras. Não fosse guardar todos os livros onde alguma vez tinha aparecido o seu nome ou os seus escritos e provavelmente teria continuado a viver sem nunca se aperceber da sua triste condição. Mas, pronto, tinha pegado naquele livro antigo, com muitos contos de vários autores, no qual também ele aparecia com meia dúzia de páginas escritas quase de um fôlego num dia particularmente chuvoso com uma lâmpada que apenas iluminava o ponto onde a caneta se encontrava com o papel. E assim que começou a ler as suas próprias palavras, ou melhor assim que começou a recordá-las, um olhar estranho apoderou-se de si e de tudo aquilo que o rodeava e que os seus olhos alcançavam. O cigarro aceso que segurava entre os dedos da mão direita. O televisor mudo que o fitava do outro lado do quarto. Os papéis espalhados desgovernadamente por todas as duas camas do quarto. O brilho de faróis indo e vindo do outro lado dos vidros da janela. Tudo isto era incrivelmente estranho. Tudo isto era incrivelmente familiar. Mas mesmo assim, ele não queria, não pensava, apenas desejava que tudo não passasse de uma desagradável coincidência, desejava que tudo não passasse daqueles síndromes de idiotice generalizada estilo sexta-feira treze ou dez do dez do dez. E agarrando a cabeça com as duas mãos, o escritor dizia que não, não era possível, nada daquilo fazia qualquer tipo de sentido, tinha finalmente perdido todo e qualquer pedaço de juízo que alguma vez tivesse tido sob aquele crânio. Levanta-se, anda de lado para o outro no quarto, acende outro cigarro, vai à janela, abre-a, torna a fechá-la, apaga a luz, fecha os olhos enquanto inspira mais uma vez a nicotina, volta a abri-los, volta a andar de um lado para o outro, sente-se enlouquecer lentamente. Até ao momento em que passa pelo espelho. Pelo canto do olho, vê um vulto a passar pelo espelho. Volta atrás e coloca-se de frente para o mesmo. E é nesse preciso momento que se apercebe do seu fado, destino, o que lhe queiram chamar. É nesse preciso instante que vê os seus cabelos brancos, as suas rugas, os seus olhos inundados de raios de sangue de incontáveis insónias, as manchas que começam a percorrer os seus braços, as pregas do pescoço, a barba rala e áspera como lixa. E assim, num segundo, ele sabe que é mesmo verdade. Não o sonhou, não o imaginou, mas é mesmo verdade. Apaga o último cigarro e pega no livro esquecido de contos. Volta a passar as páginas, uma a uma, volta a ler as palavras que escreveu há tantos e tantos anos, volta a lê-las, uma a uma. E enquanto sente toda as suas forças a fugirem-lhe do corpo, todo o seu ser a transformar-se em cinzas de uma vida esgotada, enquanto tudo isso acontece, ele sabe que é mesmo verdade. Que tudo não passou de uma ficção. Que na realidade nada aconteceu, nada se passou. Que, no fundo, apenas viveu a vida de outrém. Que, ao virar a última página, a sua vida não foi mais do que aquela que imaginou para uma das suas desgraçadas personagens numa das suas míseras estórias.





segunda-feira, outubro 04, 2010

estrada fora



os quilometros já são mais que muitos, sempre com o sol de frente, mas não mudava nada, quero continuar sempre em frente, seja a 50 ou a 150, enquanto houver estrada pra andar, a gente vai continuar, já o bardo ébrio canta ao piano há muitos anos, e nunca ele esteve tão certo...


domingo, setembro 26, 2010

Um buraco no coração


("do you remember what you told me once? that every passing minute is a another chance to turn it all around...")


Segredos pouco escondidos...


("roubado" do sítio domingueiro do costume)


E fiquei com aquele sorriso parvo na cara de cada vez que vejo um segredo que também fala ao meu interior. Ao ver este acabei por me recordar mais uma vez da razão pela qual ainda hoje a minha mãe anda sempre na carteira com um postal pequenino feito por mim na escola, com meia dúzia de palavras de criança a tentarem servir de legenda a todo o amor que nutro por ela. Outros tempos mais simples, os mesmos sentimentos, sem tirar nem pôr, que sinto no presente...


(este blogue está a ficar um bocado lamechas... :)))



luz estranha



ou, por outras palavras, continuam a ser dias recheados de coisas emergentes e experiências novas nas quais apenas acrescentava a presença daquelas pessoas que são as minhas artérias e os meus ventrículos, aquelas que todos os dias alimentam a minha loucura saudável. Amo-vos, onde quer que esteja.


terça-feira, setembro 14, 2010

calcorreando



definitivamente, os instantâneos estão por aqui para durar...


segunda-feira, agosto 30, 2010

Algures sob o sol de agosto...


... e com muito pouco tempo para escrever as palavras que me apetecia. Mas mesmo assim, não mudava nada desta luz que vai entrando por uma janela que tardava em abrir... Haja sangue para fazer com que o meu coração continue a bater assim, livre...


sexta-feira, agosto 20, 2010

Tudo e mais alguma coisa

"As palavras são arte abstracta."

Jacinto Lucas Pires


(se ao menos o "nosso" Júlio Cristo tivesse tiradas deste calibre... mas... pinocar com tudo o que mexe também deve ser realmente bom.)


quarta-feira, agosto 18, 2010

Por falar em animais e outras questões filosóficas

"Vamos para o Céu por favor. Se fôssemos por mérito, ficaríamos à porta e o nosso cão entrava."

Mark Twain


quinta-feira, agosto 05, 2010

(...)





Fora daqui também há palavras. Exclusivas.


Aunque no sepa cantar mi corazón es lleno como una ola que se levanta temprano conectada a los misterios primordiales más profundos


Bem-vindos a uma casa que por todos os cantos está recheada da melhor música portuguesa a ser lançada no mercado nos últimos tempos. Música que corre directamente para os nossos corações e nos deixa a sonhar acordados, maravilhados, apaixonados.

Um grande bem hajam, Mbari Música, e continuem o excelente trabalho.


De Namialo


Obrigado. Fizeste o meu dia. Quem me dera aconchegar-te nos meus braços.


quarta-feira, agosto 04, 2010

Otherworldliness

"He'd brought his mother here, prevailing over her own fatalism and his wife's practical misgivings. You are the son, you take care of the parents. And the illness, the drama of a failing body, the way impending death made her seem saintly, with an icon's fixedness, a stern and staring and enameled beauty. Albert, who shunned any form of organized worship and thought God was a mass delusion, sat and watched her for hours, combed her hair, soaked up her diarrhea with bunched Kleenex, talked to her in his boyhood Italian, and he felt that the house, the flat, was suffused with a reverence, old, sad, heavy and impressive - an otherworldliness, now that she was here."

Underworld, Don DeLillo



Chegaram cansados. Como se os seus músculos, ossos e mente já se tivessem esquecido da provação em que se tudo se tornou. Como as mais pequenas coisas são objecto dos mais profundos sacríficios, de como tudo se torna uma humilhação diária que já não responde a qualquer código de conduta que possa alguma vez ter existido. E tudo se degradou no último par de anos. Parece que o abismo estava mesmo ali, à distância de meia dúzia de passos , e ninguém foi capaz de o antecipar. Agora é tarde demais. Porque aquilo que é dito de manhã, passa a ser um grito com lágrimas de dor à noite. E é isso o que lhes custa mais. As palavras não pensadas de alguém que bate com a mão no peito e faz ameaças vãs, de um lado do ringue. As pequenas e mesquinhas intrigas que não ajudam ninguém e apenas servem para ferver ainda mais o sangue de todos, do outro lado do ringue. E é assim que se tornam vinte e quatro horas nas suas mãos. Toda a alma vai para eles, e mesmo assim ainda é preciso ouvir palavras insanes, gestos que rasgam o coração e nos deixam de rastos, atitudes bafientas de uma sacristia que apenas serve de ornamento. Damos tudo e ou não recebemos nada ou ainda nos arriscamos a um pontapé nos tomates. Eu sei, é só figurativo, mas a dor não deve ser muito diferente, e mesmo assim temos que esquecer e seguir em frente. Até porque sabemos que, inevitavelmente, na hora de passar o testemunho, chegam as futéis lágrimas que anunciam a mudança, e todos sabemos o quanto eles odeiam mudar, sempre assustados com o que os espera na figura de novos anjos que velam por eles como todos os outros. E pronto, é aí que o cansaço os atinge, como se tivessem aguentado a mais difícil das maratonas apenas para desfalecer indefesos do outro lado da meta. Estatelados no chão, eles apenas emitem um suspiro de algum alívio, um pouco contra a sua própria vontade, pois sabem que aquela meta é apenas o fim de uma etapa de um campeonato que ainda tem, ou assim todos o esperamos, muitas jornadas pela frente. E que mesmo com todas as dificuldades, com todas as desconfianças, com todos os martírios que nunca julgámos que pudessem acontecer, será um campeonato que teremos de enfrentar com todas as forças, nunca parando para pensar nos choques que quase nos derrubam, pois agora só existem eles, e assim terá que ser pois não o permitimos que seja de outra forma. Mesmo quando chegamos exaustos até ao limite. E se querem mais explicações, é favor ler de novo o parágrafo que ali está escrito pelos dedos bem mais sábios do DeLillo.


segunda-feira, agosto 02, 2010

Posso conhecer-te quando chegar a esse lado?


"So now, I would like to say. People can change anything they want to. And that means everything in the world. People are running around, following their little tracks, I am one of them. But we all got to stop just following our own little mousetrail. People can do anything. This is something I'm beginning to learn. People are out there doing bad things to each other. It's because they're being dehumanized. It's time to take the humanity back in the center of the ring, and follow that for a time. Greed, it ain't going anywhere. They should have that on a big billboard across Times Square. Without people, you're nothing. That's my spiel."