sexta-feira, setembro 28, 2012

Lama

Não deixa de ser simplesmente fabuloso como se pode pegar num mero saxofone e fazê-lo soar como um distante e temível didgeridoo.

Ler a frase de cima em todas as suas formas de interpretação possíveis, imaginárias e sonhadas algures durante a noite.
 

domingo, setembro 09, 2012

Nippon

Um dia hei-de lá ir. Eu que já estive lá tão perto mas não consegui lá chegar. Uma pena, realmente. Mas o fascínio continua por aqui, rondando a minha cabeça. E um dia há-de ser plenamente satisfeito. Quero conhecer tudo. Quero conhecer as pessoas. E, como diz o Haruki, quero realmente saber de que é "feito". O que é que realmente faz ser como é? E tantas perguntas que poderia fazer, tanta coisa que poderia querer saber, e assim de repente apenas me apetecia perguntar como é que se resiste a tanta coisa? Afinal de contas,

Hiroshima foi há 67 anos,

Nagasaki foi há 67 anos,

Kobe foi há 17 anos,

o metropolitano de Tóquio foi há 17 anos,

e Fukushima já foi há mais de um ano.


Seja pela mão do homem ou pela da natureza, tantos já tombaram naquela terra. Que as suas almas descansem em paz.
安らかに眠る.

Um velho acordado na sua própria morte

"Este é o lugar que me prometeram
quando adormeci,
que me foi roubado quando acordei.

Este é o lugar por todos desconhecido,
onde os nomes dos navios e das estrelas
vagueiam para longe.

As montanhas já não são montanhas;
o sol não é sol.
É fácil esquecer como era;

Vejo-me a mim, vejo
a margem da escuridão na minha fronte.
Em tempos fui inteiro, em tempos fui jovem…

Como se isso agora importasse
e me pudesses ouvir
e o tempo deste lugar alguma vez parasse."


Mark Strand



(Dedicado a um país com um coração enorme e com uma capacidade de sofrimento ainda maior.)

terça-feira, setembro 04, 2012

Alegria a dois


Que bela maneira de começar um Setembro que promete muitos sorrisos...



 


domingo, agosto 26, 2012

Passeio

Hoje caminhei, caminhei e caminhei. E ao longo dos meus passos, tive a estranha sensação que caminhavas ao meu lado, reavivando todas as caminhadas que fizémos juntos, desde os tempos em que eu corria atrás de ti até aos tempos em que te dava o meu braço para te apoiares. E assim caminhei com um sorriso e com o sol a bater-me na cara e com o sentimento de que a minha homenagem matinal falhada ficou plenamente conseguida com a vespertina que passámos juntos. Pelo menos nas nossas almas.




 


sexta-feira, agosto 24, 2012

sexta-feira, agosto 17, 2012

Cinco dias

Nunca é tempo suficiente. Fica sempre algo por dizer, por fazer, por pensar, por sonhar. Quando o tempo se esgota, olha-se para trás e fica-se sempre com a amarga desconfiança que o tempo passou demasiado depressa. Que toda a mistura de memórias felizes eternamente guardadas nos recantos da alma com todas as lágrimas que se vai derramando escondidos da multidão deixa sempre uma névoa sobre nós. Os reencontros, as cumplicidades, as mesas cheias de caras risonhas, tudo isso não tem preço e faz com que o mundo seja a nossa ostra. Esses momentos já ninguém me tira, e felizmente preencheram tantas horas que quase parecia que tinha recuado no tempo, até aos dias em que as férias duravam e duravam. Tantos abraços, tantos beijos, tantos olhos a brilhar na minha frente, tanta história que atravessa quase trinta e seis anos de vida "conjugal". Como é que se explicam tantas e tantas afinidades? Como é que se explica que se dobre uma esquina quase a correr para esconder as lágrimas de alguém que chora já uma despedida que nunca se sabe se será a última? Como é que se explica que perante pessoas que sempre conhecemos de outra maneira, tenhamos que manter um débil sorriso e pensar que o dia de amanhã vai trazer melhoras? Se calhar não se explica. Se calhar só o nosso coração percebe o porquê de amarmos todas estas pessoas. E depois há toda aquela terra. Uma terra que noutros tempos conhecemos tão bem e que agora apenas conhecemos a sua geografia física. Que sentimos um peso no peito quando entramos no jardim das tabuletas e de quase todos os cantos sentimos os olhos de tantas e tantas pessoas que nos conheceram, que nos amaram. É o local mais triste que conheço hoje em dia. Mas depois basta passar o portão, descer uns quantos metros de pedras calcetadas e entrar numa casa construída com suor e traballho, ver as uvas a pintar, sentir o cheiro dos grelhados, e ter um encontro imediato com o sagrado coração, versão tresloucada e ovelha negra da família. E tudo está bem, mesmo do outro lado da encosta onde sabemos que sim está bem, que sim tem imensas saudades de nós, e que sim os nossos encontros serão a partir de agora um enorme turbilhão de emoções que iremos guardar dentro de nós até ao final dos nossos dias. Que esse dia esteja bem longe é que o desejo mais.



segunda-feira, agosto 06, 2012

Verão alentejano

Nunca me canso de chegar a casa do trabalho e ficar sentado a olhar para os céus enquanto o sol se vai pondo por trás do Monte da Penha. Digamos que é o meu momento zen do dia e que apenas peca por ser muito rápido. Ainda assim, há sempre o instantâneo para a posteridade. Para mais tarde recordar mas sem interpretações de me querer ir embora. Ainda há tempo...



domingo, agosto 05, 2012

Obrigado...

... à Radar. Por me lembrar que houve um dia onde saí das aulas à pressa, sempre com medo de perder o dinheiro que tinha no bolso, e que corri em direcção à loja de discos mais próxima onde, depois de meses à espera, pude comprar aquele quadrado de cartão que continha o vinil mais desejado desse ano. Good times...








sexta-feira, agosto 03, 2012

Fenómenos

Há amizades que nos marcam. Que nós marcamos. E que, felizmente, temos uma vida inteira para apreciar, para fortalecer, e para diariamente nos lembrarmos que as afinidades do coração estão aí, quase sempre ao virar da esquina e quase sempre prontas a nos surpreender e nos agarrar pelos colarinhos. Parabéns grandes, minha querida amiga.


 


quinta-feira, agosto 02, 2012

i'm not there

"É impressionante como passas ao lado da vida. Sempre distraído com alguma coisa, sempre a pensar na morte da bezerra. Porque não te viras para a frente e agarras a coisa pelos cornos? Pensas que vai ser sempre assim, sonhos acordados com uma paisagem bonita em fundo? Desengana-te, meu amigo, ainda vais ter de pisar muito carvão em brasa até chegares ao teu destino. E mesmo aí duvido que realmente ganhes juízo, não passas de um pobre sonhador, sempre a imaginar o que poderia ter sido ou o que ainda pode acontecer, quando na verdade deixas escapar o presente nas areias em fuga de uma mera ampulheta. Vá, diz lá que não tenho razão, diz lá que sou só basófia e garganta. Ainda vai chegar o dia, e não deve estar longe, em que vais dar o braço a torcer e afirmar, com todas as letras, que eu é que tenho razão e que começaste a procurar a vida, a real vida, demasiado tarde. E depois quem é que te vai amparar?Não contes com a minha ajuda, meu pateta, tenho mais que fazer, ainda tenho de passar hoje nas finanças para entregar o IRS em atraso..."



(Foto tirada por um desaparecido em combate.)

(a dobrar)



quarta-feira, agosto 01, 2012

A pessoa que éramos

"As histórias de amor são assim, derradeiras, socos no estômago e, mais tarde, na memória. Mais do que nas fotografias que são tão cruas, tão ausentes de tudo o que se viveu, porque não passam de imagens de algo ou de alguém que já não amamos, as músicas lembram-nos aquilo que vivemos, que sentimos e acima de tudo, a pessoa que éramos, que fomos, que destruimos, uma faísca que ardeu e se perdeu.


A história reescreve-se sempre, por outras palavras, com novas memórias, com outra pessoa, mas a música traz-nos de volta tudo o que fomos e todas as sensações de um momento único na nossa vida."

(Minha querida amiga, nunca me canso das tuas palavras e já não tenho conta das vezes que me conseguiste deixar sem fôlego literário. Gostava que escrevesses mais. Considera isso como a minha prenda para este ano. :)


Os teclados

"Tudo é o que tem de ser, vá lá a gente saber por que se morre."


Teolinda Gersão

 

terça-feira, julho 31, 2012

Um buraco no coração


("I wouldn't change one second of our life together...")


... chaos will ensue.

Eu e tu não nos entendemos. Tu e eu não conseguimos perceber o que cada um de nós quer desta vida. Poderia apenas ser um problema de linguagem, afinal somos de países diferentes, mas nem isso serve como desculpa. Até porque simplesmente deixámos de falar. Já nem sequer conseguimos ouvir-nos a explicar isto e aquilo e o que está errado e o que está ainda mais errado. Discussão após discussão conseguimos espremer todo o amor que tínhamos até quase nada restar. Continuamos juntos mas apenas estamos a partilhar o mesmo espaço físico, o espaço emocional implodiu. E aqui estamos, sentados a poucos centímetros um do outro, calados, e nas nossas cabeças a milhares de quilómetros um do outro. Um de nós devia dizer algo, devia pedir desculpa, devia pedir que o outro se desculpasse. Mas nenhum se move, nenhum abre a boca, permanecemos mudos e deixamos que a angústia nos consuma. No dia seguinte, alguém vai estar a fazer as malas, a arrumar as suas coisas e algumas das que vieram para esta casa pelas mãos dos dois. Vai ser o símbolo final, o símbolo de que o nosso amor não foi suficientemente forte. Imagino que ambos estejamos a pensar numa das nossas canções preferidas e que, realmente, todo o amor do mundo não foi suficiente e apenas podemos pensar que o amor, o nosso amor, não serviu realmente para nada. A tristeza é palpável mas nem isso nos leva a dizermos algumas palavras, alguma espécie de elegia a um amor que se prepara para ser enterrado definitivamente. Ficamos quietos, cada um no seu canto, calados, sem forças para fazer ou dizer o que seja. Até ao momento em que tu te levantas e sais porta fora e eu apenas consigo sussurar pela última vez o teu nome. Júlia...


quarta-feira, julho 11, 2012

Lá de Cima - XVI


Albufeira de Montargil, Portugal.

Aqui jazem os meus óculos, Outubro 2010 - Julho 2012. Descansem em paz. :)


sábado, junho 30, 2012

Nítido nulo

"Há o espírito do tempo, da hora que nos calhou, só se nasce uma vez? há o signo que nos coube. Introduz-se nos interstícios de todo o nosso ser, é o espírito do tempo. No que pensamos, amamos, odiamos. E no nosso modo de andar, de vestir, de estar à mesa. E de fazer amor. E no tamanho dos gestos, na altura da voz. No formato do corpo até onde puder ser. Nos problemas que nos pomos e na antecipada solução deles, que é por onde um problema começa. Ou na não solução deles quando escolhemos problemas para a não terem. E nos móveis da casa e no sítio deles e na casa e no sítio da casa. É o espírito que nos atravessa todos mas que enquanto nos atravessa nós estamos fabricando ou já temos fabricado - é curioso. Vou pensar na questão?"

Vergílio Ferreira

 

quinta-feira, junho 14, 2012

A conta, fachavor

"Saving human race from total extinction - no charge".


Douglas Adams

 

domingo, junho 03, 2012

Bom dia.

Nunca tinha acordado com uma canção que encaixasse tão bem nos sonhos que tive durante a noite. Pena que a possibilidade de os mesmos se concretizarem esteja tão distante da realidade. Mas posso sempre continuar a sonhar ao som destes senhores que hoje me foram acordando a pouco e pouco...


 

"Hey, are you awake
Yeah, I'm right here
Well, can I ask you
About today"