quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Day 8: Corner of my house


Pequeno grande canto aqui da casa. As caras familiares de amigos, uns quantos livros e uma revista, os phones para ouvir música de embalar, e um candeeiro que, por vezes, fica aceso bem para lá do que seria razoável...


terça-feira, fevereiro 07, 2012

Day 7: History of feet



Local de trabalho mais verde não há... Pena que o calçado seja tão pouco confortável, mas não se pode ter tudo, não é verdade? :))

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

O filho de mil homens

"Disse-lhe: havemos de compor as coisas. Também eu per-
cebi essa urgência. Mas não quero uma mulher qualquer,
alguém ao acaso que me leve e me use. Quero-te a ti.
Quero a mulher que fala sozinha com a areia e o mar,
a que veio ao meu encontro exacto. A Isaura sentiu que
estava triste e feliz ao mesmo tempo.
Ela perguntou: podes repetir.
Ele disse: amo-te, Isaura.
Subitamente, metade das coisas pareciam compostas."

Valter Hugo Mãe



Day 6: Lights in the night


Portalegre by night. And blurry.


domingo, fevereiro 05, 2012

Day 5: Inspiration


Depois de ter passado o dia a tirar fotos a tudo e mais alguma coisa, acabo por me lembrar daquilo que realmente mais inspira os meus dias, a amizade de verdade. E nada melhor do que uma foto com uma das melhores amizades que esta vida me proporcionou e que continua a ser uma parte muito importante de mim. Esta é para ti e para todos os verdadeiros amigos e amigas que completam a minha vida.


sábado, fevereiro 04, 2012

Day 4: That song


No dia de aniversário do navio mais conhecido do mundo com nome de cerveja. Quase imediatamente a ter tirado esta fotografia, só havia uma música que me atravessava o pensamento, e assim passou a ser esta a alternativa a tirar uma foto da capa do disco. Espero não ter "contornado" as regras do desafio. :))

nick cave & the bad seeds "the ship song"







sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Day 3: Texture


Lençois polares. A maior invenção desde a roda. O único problema é que custa imenso deixá-los de manhã, assim, solitários, sem a nossa companhia...

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

palavras para amanhã

"Falemos de casas, do sagaz exercício de um poder
tão firme e silencioso como só houve
no tempo mais antigo.
Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer,
sorrindo com ironia e doçura no fundo
de um alto segredo que os restitui à lama.
De doces mãos irreprimíveis.
- Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas,
as casas encontram seu inocente jeito de durar contra
a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras.

Digamos que descobrimos amoras, a corrente oculta
do gosto, o entusiasmo do mundo.
Descobrimos corpos de gente que se protege e sorve, e o silêncio
admirável das fontes –
pensamentos nas pedras de alguma coisa celeste
como fogo exemplar.
Digamos que dormimos nas casas, e vemos as musas
um pouco inclinadas para nós como estreitas e erguidas flores
tenebrosas, e temos memória
e absorvente melancolia
e atenção às portas sobre a extinção dos dias altos.

Estas são as casas. E se vamos morrer nós mesmos,
espantamo-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos
que não viram as torrentes infindáveis
das rosas, ou as águas permanentes,
ou um sinal de eternidade espalhado nos corações
rápidos.
- Que fizeram estes arquitectos destas casas, eles que vagabundearam
pelos muitos sentidos dos meses,
dizendo: aqui fica uma casa, aqui outra, aqui outra,
para que se faça uma ordem, uma duração,
uma beleza contra a força divina?

Alguém trouxera cavalos, descendo os caminhos da montanha.
Alguém viera do mar.
Alguém chegara do estrangeiro, coberto de pó.
Alguém lera livros, poemas, profecias, mandamentos,
inspirações.
- Estas casas serão destruídas.
Como um girassol, elaborado para a bebedeira, insistente
no seu casamento solar, assim
se esgotará cada casa, esbulhada de um fogo,
vergando a demorada cabeça para os rios misteriosos
da terra
onde os próprios arquitectos se desfazem com suas mãos
múltiplas, as caras ardendo nas velozes
iluminações.

Falemos de casas. É verão, outono,
nome profuso entre as paisagens inclinadas
Traziam o sal, os construtores
da alma, comportavam em si
restituidores deslumbramentos em presença da suspensão
de animais e estrelas,
imaginavam bem a pureza com homens e mulheres
ao lado uns dos outros, sorrindo enigmaticamente,
tocando uns nos outros –
comovidos, difíceis, dadivosos,
ardendo devagar.

Só um instante em cada primavera se encontravam
com o junquilho original,
arrefeciam o resto do ano, eram breves os mestres
da inspiração.
- E as casas levantavam-se
sobre as águas ao comprido do céu.
Mas casas, arquitectos, encantadas trocas de carne
doce e obsessiva - tudo isso
está longe da canção que era preciso escrever.

- E de tudo os espelhos são a invenção mais impura.

Falemos de casas, da morte. Casas são rosas
Para cheirar muito cedo, ou à noite, quando a esperança
Nos abandona para sempre.
Casas são rios diuturnos, nocturnos rios
Celestes que fulguram lentamente
Até uma baía fria – que talvez não exista,
como uma secreta eternidade.

Falemos de casas como quem fala da sua alma,
Entre um incêndio,
Junto ao modelo das searas,
na aprendizagem da paciência de vê-las erguer
e morrer com um pouco, um pouco
de beleza."

Herberto Helder


(Haja casas. Muitas. Uma aqui, outra além, outra acolá. Sempre.)

(a dobrar)

Day 2: Something sweet



Uma vez que estou longe dos "meus" travesseiros da Piriquita e dos gloriosamente diabéticos croissants do Careca, há que explorar o mundo da doçaria alentejana. Como é demasiado cedo para me atirar aos doces conventuais, e como não quero transformar todo o meu sangue em açucar líquido, fico-me por uma bolema de noz, ainda quentinha, directamente do produtor ao consumidor. Caro Álvaro, tens aqui mais um belo item para exportar e resolver de uma vez por todas esta chatice da austeridade.


quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Day 1: Color of the season


Enquanto não vêm as nuvens escuras com a promessa das bem-vindas chuvadas pelas quais tantos e tantos agricultores anseiam, e com as previsões de abruptas descidas de temperatura para o fim-de-semana, a cor que mais me tem acompanhado nestas terras alentejanas é, sem dúvida, o azul intenso de céus livres de nuvens e monopolizado por um sol luminoso que torna todos os dias um pouco mais optimistas. Pelo menos para mim...

terça-feira, janeiro 31, 2012

Húmus

"Siga a vida seu curso esplêndido. Sabe a sonho e a fer-
ro. E ternura, desgraça e desespero. Leva-nos, arrasta-nos,
impele-nos, enche-nos de ilusão, dispersa-nos pelos quatro
cantos do Globo. Amolga-nos. Levanta-nos. Aturde-nos.
Ampara-nos. Encharca-nos no mesmo turbilhão do lodo.
Mata-nos. Mas um momento só que seja obriga-nos a olhar
para o alto e até ao fim ficamos com os olhos estonteados.
Eu creio em Deus."

Raul Brandão


segunda-feira, janeiro 30, 2012

Dois anos


Não me tornei um fundamentalista anti, mas na verdade não lhe sinto falta.
O que não significa que, por vezes, não tenha vontade de mandar tudo ao ar e voltar ao vício.
Mas não. Creio que seja mesmo desta vez.
A suivre.

domingo, janeiro 29, 2012

Desafio aceite

Para a semana começa o mês de Fevereiro da graça de 2012. E numa tentiva (vã?) de insuflar ar neste Espaço meio moribundo, aceitei o desafio da companheira J. e vai de começar a pensar em tirar fotos todos os dias do mês que aí vêm, sendo que cada dia há uma nova temática a cumprir. Conseguirei eu cumprir os desafios? Não percam os próximos episódios, porque nós também não... :))




P.S. - Acabei de ver o dia 22. Estou perfeitamente fod$#%... :D


Lugar de Memória e de Lembrança

"(...)

Esta terra de minha juventude,
do pôr-do-sol a desfiar-se nos jardins da Corredoura,
do Crisfal enamorado em noite de cinema,
das tascas salpicadas pela cidade, de boémia e petisqueira,
da Fonte dos Amores no encanto da Serra,
do Café Alentejano encontro de cavaqueira,
do Tarro, jardim prazenteiro em noite de Verão,
dos bailes do Atalaião em todos os arraiais,
da Feira das Cebolas, da Festa dos Aventais.

(...)"

José-António Chocolate

(para referência futura, caso a memória dê de si.)


quarta-feira, janeiro 25, 2012

Visitas


Haja gente amiga a colar-se assim, à descarada. Serão sempre bem-vindos! :)


O respeitinho é muito bonito...


Este gajo não tem mais nada que fazer do que estar p'ráqui a tirar fotos e a perturbar o nosso atarefado dia de pasto e caminhada pelo prado? Ao menos podia ter trazido um bocadinho de ração com ele, sempre o suportava um bocadinho mais. Se ele se aproxima mais, vai descobrir rapidamente que estas duas coisas na minha cabeça não são meros ornamentos...


segunda-feira, janeiro 16, 2012

Life happening


"- If you really love me, then let's make a vow. Right here... together... right now. Ok ? - Ok... - All right, repeat after me... I'm gonna be free. - I'm gonna be free. - And I'm gonna be brave... - I'm gonna be brave. - Good... I'm gonna live each day as if it were my last. - Oh that's good... - You like that ? - Yeah... - Say it. - I'm gonna live each day as it were my last... - Fantastically... - Fantastically. - Courageously... - Courageously. - With grace... - With grace. - And in the dark of the night ,and it does get dark, when I call a name... - When I call a name... - It' ll be your name... What's your name ? Nevermind... let's go... say it. - Let's go... - Everywhere... - Everywhere... - Even though... - Even though... - We're scared... - We're scared... - Cause it's life... - It's life... - and it's happening, it's really really happening... RIGHT NOW..."


domingo, janeiro 15, 2012

Twenty.

"So many people don't make it this far, and I would think they have the same appreciation for music and a drive to make music and create music and record music and share music. But somehow their bands weren't able to stay together. I think the one thing that could be missing for them is communication and understanding of each other. At some point, some of that stuff becomes unspoken. There's a communication which is unspoken, and that's the good stuff which enables you to keep going farther with it. I think the main thrust of this whole deal for us has been to continue recording, continue writing, continue on this journey. When you get married, you don't want to get married after two dates or three dates or whatever, especially to four other people. But we got in that relationship pretty quick. And we appreciate that these relationships are what keep the music going and the songs coming. That's more important than anything."

Eddie Vedder


(thank you for always being an inspiration.)


sábado, janeiro 14, 2012

Para um anónimo do costume

"Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá."

Vergílio Ferreira







(E fico tão feliz que tenhas mesmo decidido levar as palavras do teu mestre à letra. Não haverá estrela mais bonita do que aquela que o último Natal te trouxe. Um grande abraço, meu caro amigo anónimo do costume. Que sejas sempre feliz.)



Cambalhuetas azules...


(E não, não estou a tentar fazer concorrência a Deus.)