domingo, setembro 26, 2010

Segredos pouco escondidos...


("roubado" do sítio domingueiro do costume)


E fiquei com aquele sorriso parvo na cara de cada vez que vejo um segredo que também fala ao meu interior. Ao ver este acabei por me recordar mais uma vez da razão pela qual ainda hoje a minha mãe anda sempre na carteira com um postal pequenino feito por mim na escola, com meia dúzia de palavras de criança a tentarem servir de legenda a todo o amor que nutro por ela. Outros tempos mais simples, os mesmos sentimentos, sem tirar nem pôr, que sinto no presente...


(este blogue está a ficar um bocado lamechas... :)))



luz estranha



ou, por outras palavras, continuam a ser dias recheados de coisas emergentes e experiências novas nas quais apenas acrescentava a presença daquelas pessoas que são as minhas artérias e os meus ventrículos, aquelas que todos os dias alimentam a minha loucura saudável. Amo-vos, onde quer que esteja.


terça-feira, setembro 14, 2010

calcorreando



definitivamente, os instantâneos estão por aqui para durar...


segunda-feira, agosto 30, 2010

Algures sob o sol de agosto...


... e com muito pouco tempo para escrever as palavras que me apetecia. Mas mesmo assim, não mudava nada desta luz que vai entrando por uma janela que tardava em abrir... Haja sangue para fazer com que o meu coração continue a bater assim, livre...


sexta-feira, agosto 20, 2010

Tudo e mais alguma coisa

"As palavras são arte abstracta."

Jacinto Lucas Pires


(se ao menos o "nosso" Júlio Cristo tivesse tiradas deste calibre... mas... pinocar com tudo o que mexe também deve ser realmente bom.)


quarta-feira, agosto 18, 2010

Por falar em animais e outras questões filosóficas

"Vamos para o Céu por favor. Se fôssemos por mérito, ficaríamos à porta e o nosso cão entrava."

Mark Twain


quinta-feira, agosto 05, 2010

(...)





Fora daqui também há palavras. Exclusivas.


Aunque no sepa cantar mi corazón es lleno como una ola que se levanta temprano conectada a los misterios primordiales más profundos


Bem-vindos a uma casa que por todos os cantos está recheada da melhor música portuguesa a ser lançada no mercado nos últimos tempos. Música que corre directamente para os nossos corações e nos deixa a sonhar acordados, maravilhados, apaixonados.

Um grande bem hajam, Mbari Música, e continuem o excelente trabalho.


De Namialo


Obrigado. Fizeste o meu dia. Quem me dera aconchegar-te nos meus braços.


quarta-feira, agosto 04, 2010

Otherworldliness

"He'd brought his mother here, prevailing over her own fatalism and his wife's practical misgivings. You are the son, you take care of the parents. And the illness, the drama of a failing body, the way impending death made her seem saintly, with an icon's fixedness, a stern and staring and enameled beauty. Albert, who shunned any form of organized worship and thought God was a mass delusion, sat and watched her for hours, combed her hair, soaked up her diarrhea with bunched Kleenex, talked to her in his boyhood Italian, and he felt that the house, the flat, was suffused with a reverence, old, sad, heavy and impressive - an otherworldliness, now that she was here."

Underworld, Don DeLillo



Chegaram cansados. Como se os seus músculos, ossos e mente já se tivessem esquecido da provação em que se tudo se tornou. Como as mais pequenas coisas são objecto dos mais profundos sacríficios, de como tudo se torna uma humilhação diária que já não responde a qualquer código de conduta que possa alguma vez ter existido. E tudo se degradou no último par de anos. Parece que o abismo estava mesmo ali, à distância de meia dúzia de passos , e ninguém foi capaz de o antecipar. Agora é tarde demais. Porque aquilo que é dito de manhã, passa a ser um grito com lágrimas de dor à noite. E é isso o que lhes custa mais. As palavras não pensadas de alguém que bate com a mão no peito e faz ameaças vãs, de um lado do ringue. As pequenas e mesquinhas intrigas que não ajudam ninguém e apenas servem para ferver ainda mais o sangue de todos, do outro lado do ringue. E é assim que se tornam vinte e quatro horas nas suas mãos. Toda a alma vai para eles, e mesmo assim ainda é preciso ouvir palavras insanes, gestos que rasgam o coração e nos deixam de rastos, atitudes bafientas de uma sacristia que apenas serve de ornamento. Damos tudo e ou não recebemos nada ou ainda nos arriscamos a um pontapé nos tomates. Eu sei, é só figurativo, mas a dor não deve ser muito diferente, e mesmo assim temos que esquecer e seguir em frente. Até porque sabemos que, inevitavelmente, na hora de passar o testemunho, chegam as futéis lágrimas que anunciam a mudança, e todos sabemos o quanto eles odeiam mudar, sempre assustados com o que os espera na figura de novos anjos que velam por eles como todos os outros. E pronto, é aí que o cansaço os atinge, como se tivessem aguentado a mais difícil das maratonas apenas para desfalecer indefesos do outro lado da meta. Estatelados no chão, eles apenas emitem um suspiro de algum alívio, um pouco contra a sua própria vontade, pois sabem que aquela meta é apenas o fim de uma etapa de um campeonato que ainda tem, ou assim todos o esperamos, muitas jornadas pela frente. E que mesmo com todas as dificuldades, com todas as desconfianças, com todos os martírios que nunca julgámos que pudessem acontecer, será um campeonato que teremos de enfrentar com todas as forças, nunca parando para pensar nos choques que quase nos derrubam, pois agora só existem eles, e assim terá que ser pois não o permitimos que seja de outra forma. Mesmo quando chegamos exaustos até ao limite. E se querem mais explicações, é favor ler de novo o parágrafo que ali está escrito pelos dedos bem mais sábios do DeLillo.


segunda-feira, agosto 02, 2010

Posso conhecer-te quando chegar a esse lado?


"So now, I would like to say. People can change anything they want to. And that means everything in the world. People are running around, following their little tracks, I am one of them. But we all got to stop just following our own little mousetrail. People can do anything. This is something I'm beginning to learn. People are out there doing bad things to each other. It's because they're being dehumanized. It's time to take the humanity back in the center of the ring, and follow that for a time. Greed, it ain't going anywhere. They should have that on a big billboard across Times Square. Without people, you're nothing. That's my spiel."



quarta-feira, julho 28, 2010

Shortbus


"Look I know I can help you have an orgasm, and maybe you can help me like have a real human interaction with someone, you know."


Inception


"See dreams, they feel real while we're in them right? Its only when we wake up then we realize that something was actually strange!"


quarta-feira, julho 21, 2010

Páginas cheias


Haja filmes assim. Filmes que nos fazem pensar e que não nos tratam como meros devoradores de pipocas e sorvedores de colas e afins. Filmes que nos trazem grandes interpretações, uma grande história e que nos deixam até ao genérico final com a incerteza do desenlace. Filmes em que todas as cenas estão lá porque têm de estar e que servem o único propósito de nos deixar a questionar sobre o que é ficção e o que é realidade sobre o que acabámos de ver. Haja filmes assim.


a mecânica da ficção

"Lemos ficção porque ela nos dá prazer, nos comove, etc. - porque a ficção é uma coisa viva e nós estamos vivos. É divertido observar os esforços atabalhoados e circulares da biologia evolucionária para responder à questão «porque é que o ser humano perde tanto tempo a ler ficção quando do acto não resulta nenhum óbvio benefício evolutivo?». As respostas tendem a ser utilitárias - lemos para conhecer melhor os outros, o que tem uma utilidade darwiniana - ou circular: lemos porque a ficção activa alguns «centros de prazer»."

James Wood


quinta-feira, julho 15, 2010

Intermission

Quando o silêncio que nos envolve na noite escura e quente apenas é quebrado pelo contacto dos dedos com as teclas de um piano escuro e quente, o que mais podemos fazer senão respirar, fechar os olhos e deixarmo-nos levar para sonhos reconfortantes que nos afastem dos verdadeiros pesadelos que nos ocorrem na espuma dos dias... Haja noites assim...


segunda-feira, julho 12, 2010

On hopes, dreams and a couple of nightmares...

"The story is, of course, far from finished. But we know we will get no more of it from this source and, discomforted, we take our leave. The mists are rising, and it is time to be getting back. We come in in the middle, watch for a time, leave before the lights go up. If there are no beginnings, then there can be no endings. We are alone in the darkness. Every answer prompts another question, and things are happening all the time. That's all you need to know for the time being. Trust me. «The story so far.» Maybe it's all we can ever hope for..."

Neil Gaiman


(Mantra.)


sexta-feira, julho 09, 2010

Memória

"há dias assim
dias d'alma vaga
tão perto de Deus
tão longe de mim"




Lembrei-me. Uma mesa de café a meio da manhã. Sentado, à espera do meu pai. Acho que estávamos a meio do Verão, altura de férias grandes. Altura de me sentar ao lado do meu pai enquanto ele conduzia por ruas e becos, entrando em cafés e restaurantes. E agora estava ali, numa mesa de café, à espera enquanto ele conversava com alguém do outro lado do balcão. E olhava para as outras pessoas sentadas, umas a lerem o jornal, outras a tomarem ainda o pequeno-almoço, olhando pela janela na ânsia de verem o seu comboio a entrar na estação, do outro lado da rua. E então ouvi a tua voz, "uma bica e um pastel de nata". E ao ouvir a tua voz, olhei para ti e reconheci-te. Parecias tão igual às imagens na televisão, mas ao mesmo tempo tão diferente. Talvez fossem os teus olhos, mais pensativos, mais profundos, enquanto folheavas o jornal e bebias o teu café. Sim, os teus olhos eram diferentes, mas tudo em ti era igual às imagens da televisão. Faltava apenas a banda à tua volta e o microfone à tua frente. Era apenas assim que te conseguia imaginar, tu, a banda, o microfone e as músicas que anos e anos mais tarde ainda ouviria, com o mesmo sorriso com que olhei para ti naquele café. Se o viste ou não, não sei. Apenas sei que aquela manhã ficou gravada em mim, e lembro-me de procurar, de cada vez que tornavas a aparecer na televisão, lembro-me de sempre procurar os teus olhos, se continuavam a ser pensativos, profundos, enquanto te deixavas arrebatar pela música e pelas palavras.