terça-feira, dezembro 29, 2009

livros para 2009

"A Conjura", José Eduardo Agualusa

"o apocalipse dos trabalhadores", valter hugo mãe

"A concise Chinese-English dictionary for lovers", Xiaolu Guo

"O Amante", Margerite Duras

"Contos Populares Portugueses", Adolfo Coelho

"The Insanity Defense", Woody Allen

"O homem em queda", Don DeLillo

"O Silêncio", Teolinda Gersão

"The gum thief", Douglas Coupland

"The Road", Cormac McCarthy

"The Human Stain", Philip Roth

"Um Circo no Nevoeiro", Renata Correia Botelho


sábado, dezembro 26, 2009

Um Circo no Nevoeiro

"encosto a face à parede
mais triste do quarto, fiel
guardiã do sol posto.

o coração que me deixaste
é uma casa difícil de habitar."

Renata Correia Botelho


(outra bonita prenda de Natal, delicada e frágil, em todos os sentidos, oferecida por um amigo com um coração grande, enorme e que torna as suas palavras grandes, enormes... obrigado, meu caro Gi)

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Sol, Sombra e Riso

"- O girassol gira só
para o lado em que está o sol
porque as sombras, brrrr, as sombras
o deixam murcho, de trombas?

- Nunca tal ouvi dizer.
Ao sol, à sombra, a chover,
sob trovão ou granizo,
sempre lhe vi cara de riso.
"

Raul Malaquias Marques


(Uma bonita prenda de natal da minha querida amiga Suki, com líndissimas ilustrações de Yara Kono. Como não posso mostrar o bonito girassol da Yara, fica uma fotografia do ano que está quase a terminar, com os girassois gigantes da Teresa.)


Hoje houve clássico


Pertence à categoria de filmes que já passaram pelos meus olhos mais de uma dezena de vezes. E nunca me canso de o ver, mesmo quando não estou à espera que isso aconteça, como foi o caso hoje. E há quatro boas razões para ver este velhinho western que não é bem um típico western. São elas John Ford, James Stewart, John Wayne e Lee Marvin. Ok, há mais uma, mas admito que isso possa ser só para mim (Lee Van Cleef). De qualquer das formas, brilhante.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Prenda Minha - IX

Ao contrário de outros anos, hoje faltam-me as palavras. Não que tenha perdido o meu espírito natalício, muito pelo contrário. Simplesmente as palavras escapam-me, soltaram-se, andam por aí, espalhadas pelo mundo, numa edição limitada àqueles que ocupam pequenos espaços no meu coração. Espaços alegres e emocionais, tudo menos cinzentos, como alguém comentava no outro dia. E assim não há muito mais a dizer. Deixo-vos uma música do meu filme de Natal preferido. Feliz Natal a todos e todas!

sábado, dezembro 19, 2009

Face a face

"Eu posso muito bem ver que a vida tem os seus momentos grandiosos. Com uma certa objectividade, posso constatar que ela, por exemplo, é bastante bonita. E generosa. Posso compreender, por puro academismo, que ela oferece muitas saídas. É lamentável apenas que eu, pessoalmente, ache que ela é uma merda."

Ingmar Bergman

Prenda Minha - VIII

Decidi retomar uma velha tradição cá em casa. Nada de presentes abertos até ao dia 25 de Dezembro. Nada como recuperar um pouco da nostalgia infantil que se vai perdendo ao longo dos anos. O inconveniente? Bom, vão chegando algumas prendas, entre postais e embrulhos, que terão de esperar pacientemente até ao dia apropriado. Os agradecimentos são enviados sempre com essa ressalva e assim tem sido com bastante curiosidade que tenho acumulado as prendas e me tenho limitado a embrulhar as prendas que tenho enviado/preparado para entregar. E grande parte da minha alegria natalícia tem sido mesmo isso, os embrulhos, os postais, as palavras certas para dizer a todos os que, de uma forma ou de outra, me rodeiam. Felizmente tenho demorado mais tempo nestas tarefas do que propriamente andar de loja em loja a comprar prendas. Aquelas que tive de comprar, demorei o tempo estritamente necessário para o fazer. Seja como for, o que está feito, feito está. E foi feito com a melhor das intenções, como a maior das partilhas. E todo o dinheiro do mundo não significa nada quando há partilha de afinidades, quando sabemos que do outro lado vai haver um sorriso ou algo que lhe aqueça o coração. Dito isto, obrigado.


domingo, dezembro 13, 2009

Mantra

"the more things change,


the more they stay the same."



(and that's the greatest gift of them all.)

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Prenda Minha - VII

"Experiência intemporal, deliciosa para quem
aprecia as antigas castas do Douro Tinta
Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional,
na sua inocente e virtuosa nudez original,
sem madeira. Um regresso ao passado,
intenso e aveludado. É rubi com taninos
suaves. Ideal para acompanhar momentos
de profundo requinte..."

É um rótulo, é verdade. Mas na verdade é muito mais que um rótulo. É uma cumplicidade que tiveste a enorme gentileza de partilhar comigo. Ou, nas tuas próprias palavras, a celebração da proximidade. E é um rótulo que significou uma conversa longa e bonita, daquelas que quando vamos a ver duraram horas e ao mesmo tempo foram apenas um breve instante. O tempo de uma imperial, infelizmente sem tremoços. E para mais, ainda teremos muita conversa para pôr em dia, ao mesmo tempo que asseguraremos que os senhores carteiros continuarão a ter com que se entreter. Foi muito bom. Até já, minha bonita calamidade.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Prenda Minha - VI

E pronto. Eis que ela começa a navegar por esse Natal fora. Ontem foi entregue o primeiro exemplar em mão. Apesar de não ter conseguido estar presente, espero que tenha gostado. Pelo menos até já há fotos e tudo. A tecnologia é uma coisa fantástica...

E hoje houve expedição. Dos correios para uma série de lugares espalhados por aí. Espero que chegue tudo a tempo. Espero que gostem. Espero que não pensem que eu sou um simples egocêntrico, com a mania das grandezas. Espero que percebam que é um bocadinho de mim que estou a oferecer-lhes. Enfim, trata-se de uma simples questão de esperar para ver...

domingo, dezembro 06, 2009

Ainda pela sala de cinema...


"O álcool só serve para me deixar sóbrio."



"There is no such thing as an unwritten life, only a badly written one."


terça-feira, dezembro 01, 2009

Grande ecrã

Ontem foi dia de Cinanima. Pequenas obras de arte apenas em tamanho. Grandes imagens que nos perseguem muito depois de abandonarmos a sala de cinema. Ali há tanta beleza que é quase impossível descrevê-la. E tantas histórias que gostaria de ter escrito ou pensado. No fundo, um sentimento de admiração por quem cria tantas e tão diferentes obras-primas. Fica um dos frames daquela que para mim foi a mais perfeita, certamente a levar um certo e determinado pólo a viajar até outros tempos.

Moldura

Estava sossegado. Absorvido pelo meu livro e pelo café fumegante que tinha acabado de chegar à mesa. O resto do mundo não existia. Só eu, o meu livro e aquele momento perdido nas palavras do Philip. Até que tu passaste na rua. Do outro lado do vidro do café, lá estavas tu, a passar quase em câmara lenta, nos braços de dois homens que te seguravam como se fosses a coisa mais preciosa de todo o mundo. Quase como se tivessem receio de te deixar cair e que te partisses em mil e um bocadinhos de frágil porcelana. Seguravam-te enquanto a tua pele recebia os poucos raios de sol que teimavam em escapar-se por entre as costumeiras nuvens cinzentas que por ali faziam a sua casa. A tua pele. Macia, quente, ardente com todo o teu interior. Quantas e quantas vezes me tinha deixado ficar assim, deitado junto ao teu corpo nu, só para sentir toda a tua pele? E os teus cabelos? Negros como as noites que partilhámos. Seria capaz de me afogar nesses teus cabelos negros se isso significasse ficar contigo para sempre. Mal se moviam com o vento, enquanto passavas do outro lado do vidro, nas mãos daqueles homens. Tinha saudades dos teus cabelos. Saudades de os ver soltos, longos, quase como se fosses abrir asas e voar pela janela do nosso quarto. E com as saudades dos teus cabelos, vêm todas as memórias que guardei do teu corpo. Os teus olhos. Os teus olhos profundos, sábios, de ascendência milenar, olhos que seriam capazes de desarmar os mais empedernidos homens à face da terra, olhos capazes de me levarem de boa vontade à mais desesperada das loucuras. E a perfeição dos teus seios? Sim, é verdade, admito-o, quantas e quantas vezes não fiquei eu hipnotizado, deslumbrado, alucinado com os teus seios? Nunca me cansei de lhes tocar, de os apertar, de os beijar, de me perder neles enquanto a noite era noite. E agora, aqui os torno a ver, de novo a passearem-se à minha frente, apenas com um vidro a separar-me deles, quase louco de raiva por ver as mãos daqueles homens tão perto deles. E quase viro a cara ao aperceber-me que essas mesmas mãos também estão tão próximas do teu sexo. O teu poderoso e inclemente sexo. Dominante, como todo o teu corpo, mas ainda mais radiante de tão suave na sua presença. Lembro-me de sentir o pequeno tufo de pelos à sua volta, o pequeno arbusto a servir como coroa às tuas pernas. Pernas intermináveis na sua beleza. Todas as recordações são demasiado dolorosas. Ainda não consigo pensar em ti sem sentir um aperto no peito, quanto mais ver-te assim, desfilando à minha frente, escarnecendo da minha dor.

Foram apenas dois segundos, enquanto passaste em frente ao vidro. Dois segundos que poderiam ter durado uma vida inteira. Ou assim parecia. E eu fiquei tão desnorteado com a tua presença que nem sequer me apercebi que aqueles homens apenas transportavam um dos teus quadros. Um dos teus muitos auto-retratos, espalhados por tantas e tantas partes desta cidade. E que dia após dia insistem em cruzar-se comigo, recordando-me a tua ausência da minha vida. Que insistem em dizer-me que já não estás aqui, que os meus dias estão incompletos, e que as minhas noites me envolvem com a solidão de quem já não tem amor na sua vida.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Sign me up

"We leave a stain, we leave a trail, we leave our imprint. Impurity, cruelty, abuse, error, excrement, semen - there's no other way to be here. Nothing to do with disobedience. Nothing to do with grace or salvation or redemption. It's in everyone. Indwelling. Inherent. Defining. The stain that is there before its mark. Without the sign it is there. The stain so intrinsic it doesn't require a mark. The stain that precedes disobedience, that encompasses disobedience and perplexes all explanation and understanding. It's why all the cleansing is a joke. A barbaric joke at that. The fantasy of purity is appaling. It's insane. What is the quest to purify, if not more impurity? All she was saying about the stain was that it's inescapable. That, naturally, would be Faunia's take on it: the inevitably stained creatures that we are. Reconciled to the horrible, elemental imperfection."

Philip Roth

sexta-feira, novembro 27, 2009

The Human Stain

"Wish I were. Would have preferred to be one. Oh, yes, absolutely. No two ways about that. Much prefer to be a crow. They don't have to worry about moving to get away from anybody or anything. They just move. They don't have to pack anything. They just go. When they get smashed by something, that's it, it's over. Tear a wing, it's over. Break a foot, it's over. A much better way than this. Maybe I'll come back as one. What was I before that I came back as this? I was a crow! Yes! I was one! And I said, "God, I wish I was that big-titted girl down there," and I got my wish, and now, Christ, do I want to go back to my crow status. My status crow. Good name for a crow. Status. Good name for anything black and big. Goes with the strut. Status."

Philip Roth

quinta-feira, novembro 26, 2009

segunda-feira, novembro 23, 2009

Reencarnar

verbo intransitivo
RELIGIÃO (alma) entrar para outro corpo que não era o que ocupava anteriormente
(De re-+encarnar)

(in Infopédia)


Confesso que é uma possibilidade que me agrada. Ter a oportunidade de fazer e sentir coisas diferentes daquelas que faço e sinto nesta vida actual. Não que esteja desgostoso com esta, ainda que por vezes não seja fácil nem completamente satisfeita. Mas saber que quando esta etapa chegasse ao seu término havia a chance de fazer tábua rasa e começar tudo de novo, é algo que me deixa curioso. Curioso para saber como seria, como se diz ali em cima, "entrar para outro corpo" e caminhar com os sapatos de outrém. Ver as coisas com outro par de retinas, ver coisas diferentes das que vejo agora, sentir outras emoções díspares das que sinto no meu quotidiano. Descobrir outros mundos longe daquele que tenho agora. Já sei que vai haver quem analise aprofundadamente estas palavras (ou não, o ego é sempre uma coisa um bocado parva), mas não, não quero passar para esse "outro corpo" antes de terminar a viagem que levo neste. Até porque acho que ainda se vão suceder coisas muito interessantes nesta vida, que ainda vou ter muito para escrever para além das três dezenas e pouco de anos que me têm dado tantas e tantas experiências diferentes e nas quais, olhando para trás, ainda me custam que tenham acontecido. Na verdade, sinto que já ando a ter várias reencarnações em apenas uma (promoção leve 2 pague 1), que há coisas que parecem pertencerem a vidas passadas, que hoje tudo parece tão distante que quase me custa a acreditar que tenham acontecido. Portanto, acho que me posso deixar iludir com essa ideia do reencarnar, de levar parte da alma que agora tenho para outra vida, e continuar a viver, a tentar chegar a ser um ser humano (ou outra coisa qualquer) melhor, melhor do que sou agora, e continuar a aumentar a gaveta de recordações de vidas passadas por aqui. E até conseguir viver coisas que nunca aconteceram a não ser nas palavras ficcionadas que por vezes me passam pela cabeça. Isso também seria engraçado.

terça-feira, novembro 17, 2009

Prenda Minha - V

Enquanto se começa a paginar, será que nenhuma alma caridosa me quer pagar uma passagem para a grande maçã (atacada pelo verme Burton)? O Natal está aí...




segunda-feira, novembro 16, 2009

Ondas Sonoras - XXXVIII

Para mim, foi muito bom. E será sempre uma opinião pessoal. É uma das bandas que há mais tempo me acompanha musicalmente. A primeira música que me lembro de ouvir deles foi o Just Can't Get Enough. Fui ver e a data do single é de 1981, teria eu cinco ou seis anos. Era uma música festiva, alegre e adorei imediatamente. Como mais tarde iria adorar também as músicas mais escuras, negras que iriam criar.

Everything Counts, People Are People, Master And Servant, Somebody, Shake The Disease, Stripped (cantada a plenos pulmões, no sábado), A Question Of Time (com o Dave a rodopiar como um maníaco, no sábado), Strangelove, Never Let Me Down Again (magnífica, no sábado), Behind The Wheel (com aqueles sons que batem fundo no coração, como no sábado), três discos seguidos que guardo religiosamente ainda em formato cassete, o ao vivo 101 (que, no sábado, me passou inúmeras vezes pela cabeça, na altura em que o gravei estaria longe de pensar que iria vê-los também ao vivo), a obra-prima Violator, com as sublimes Personal Jesus, Enjoy The Silence, Policy of Truth e World In My Eyes (todas elas tocadas no sábado, e só com elas fiquei completamente nas nuvens), e o étereo Songs Of Faith And Devotion (com I Feel You e Walking In My Shoes a deixarem-me quase rouco), e tantas outras músicas que ao longo dos anos me continuaram a fazer ouvir os Depeche Mode, mesmo quando já não pareciam ter a fama de outros tempos, Home (melhor momento de Martin Gore ao microfone, no sábado), Barrel Of A Gun, It's No Good (outra cantada de fio a pavio pelo público que esgotou o pavilhão atlântico no sábado), Only When I Lose Myself, Dream On, I Feel Loved, Precious (também presente no sábado), Suffer Well, John The Revelator, e as novas músicas que também me têm conquistado aos poucos e que abriram o concerto, In Chains, Wrong e Hole To Feed.

São quase trinta anos de música e se os Depeche Mode fossem a tocar todas aquelas que eu gostaria de ouvir, o concerto teria durado a noite inteira. Assim, deixaram-nos com duas horas de memórias, refrões inesquecíveis, aplausos intermináveis, gargantas a cantarem bem alto, músicas que continuam brilhantes mesmo com o passar dos anos.

Foi muito bom. E foi um daqueles momentos de felicidade tola. Mas valeu a pena.