quarta-feira, abril 12, 2006
Uma boa ideia
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca (1894 - 1930)
(ver aqui)
Ilícitos e Inaceitáveis
"O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) considerou "lícitos" e "aceitáveis" os estalos e castigos aplicados por uma responsável de um lar de Setúbal a crianças deficientes. Depois de o Ministério Público ter recorrido da decisão do tribunal de Setúbal, o Supremo não considerou existirem maus tratos, mas sim castigos normais."
(SIC Online)
Vejo tantas contradições à volta desta situação que apenas me apetece partir qualquer coisa. De um lado temos a geração dos nossos pais e avós que sempre acreditaram que uma palmada podia resolver muita teimosia e alguma rebeldia própria da idade, e que aqui surge personificada nas figuras do Tribunal de Setúbal e Supremo Tribunal de Justiça. No entanto, parecem "esquecer" que estamos a falar de crianças com características próprias, que podem não estar a fazer birra por não gostarem de sopa e que se calhar até precisam, necessitam de um tratamento que não à base de uns estalos bem dados, mãos amarradas ou de estarem fechados em quartos às escuras.
Por outro lado, e isto é diariamente confirmado quer no meu local de trabalho, quer no local de trabalho da minha mãe (uma escola primária), a maioria dos pais dos nossos dias são "contra" a palmada disciplinadora e evitam pôr a mão nas crianças, mesmo se estas se comportam como os pequenos filhos de Belzebu. No espaço de uma geração, passou-se do oitenta para o oito e hoje confronto-me com atitudes de pais que "compram" os filhos com presentes diários, deixam as crianças fazerem o que bem lhes dá na telha e ainda têm a lata de afirmarem que os seus filhos são "um bocadinho" mimados. Não há pachorra.
Mas voltando à notícia, há um facto que me deixa revoltado e outro esperançado. Primeiro, a revolta pela estupidez de
"o Supremo considerou não ter ficado provado que "a arguida castigasse repetidamente os utentes do lar quando tinham algum comportamento que considerava desadequado por lhe desagradar" nem que a funcionária "não acatava as orientações técnicas da psicóloga da instituição"."
E depois, temos a fantástica justificação para o comportamento da senhora,
""Aliás estaria excluída a própria negligência, atentas as condições pessoais e de saúde da recorrente, afectada com uma grave depressão, motivada pelas condições de trabalho que lhe eram impostas", conclui o colectivo no acórdão aprovado por unanimidade. A funcionária trabalhava 16 horas por dia, seis dias por semana, tendo a seu cargo 15 crianças deficientes, sem ter preparação profissional para desempenhar as funções de responsável do Lar, nomeadamente para lidar com deficientes mentais."
É claro que não podiam ter contratado uma pessoa competente para o cargo, com as qualificações necessárias, isso é que era bom. Mas o que me deixa esperançado é que também eu não tenho qualificações suficientes para aturar a minha chefe, estou francamente a milímetros de uma gravíssima depressão e não sei como irei reagir. Será que posso começar a aquecer as palmas das minhas mãos, sabendo que o Supremo irá defender o meu direito ao estalo?
(SIC Online)
Vejo tantas contradições à volta desta situação que apenas me apetece partir qualquer coisa. De um lado temos a geração dos nossos pais e avós que sempre acreditaram que uma palmada podia resolver muita teimosia e alguma rebeldia própria da idade, e que aqui surge personificada nas figuras do Tribunal de Setúbal e Supremo Tribunal de Justiça. No entanto, parecem "esquecer" que estamos a falar de crianças com características próprias, que podem não estar a fazer birra por não gostarem de sopa e que se calhar até precisam, necessitam de um tratamento que não à base de uns estalos bem dados, mãos amarradas ou de estarem fechados em quartos às escuras.
Por outro lado, e isto é diariamente confirmado quer no meu local de trabalho, quer no local de trabalho da minha mãe (uma escola primária), a maioria dos pais dos nossos dias são "contra" a palmada disciplinadora e evitam pôr a mão nas crianças, mesmo se estas se comportam como os pequenos filhos de Belzebu. No espaço de uma geração, passou-se do oitenta para o oito e hoje confronto-me com atitudes de pais que "compram" os filhos com presentes diários, deixam as crianças fazerem o que bem lhes dá na telha e ainda têm a lata de afirmarem que os seus filhos são "um bocadinho" mimados. Não há pachorra.
Mas voltando à notícia, há um facto que me deixa revoltado e outro esperançado. Primeiro, a revolta pela estupidez de
"o Supremo considerou não ter ficado provado que "a arguida castigasse repetidamente os utentes do lar quando tinham algum comportamento que considerava desadequado por lhe desagradar" nem que a funcionária "não acatava as orientações técnicas da psicóloga da instituição"."
E depois, temos a fantástica justificação para o comportamento da senhora,
""Aliás estaria excluída a própria negligência, atentas as condições pessoais e de saúde da recorrente, afectada com uma grave depressão, motivada pelas condições de trabalho que lhe eram impostas", conclui o colectivo no acórdão aprovado por unanimidade. A funcionária trabalhava 16 horas por dia, seis dias por semana, tendo a seu cargo 15 crianças deficientes, sem ter preparação profissional para desempenhar as funções de responsável do Lar, nomeadamente para lidar com deficientes mentais."
É claro que não podiam ter contratado uma pessoa competente para o cargo, com as qualificações necessárias, isso é que era bom. Mas o que me deixa esperançado é que também eu não tenho qualificações suficientes para aturar a minha chefe, estou francamente a milímetros de uma gravíssima depressão e não sei como irei reagir. Será que posso começar a aquecer as palmas das minhas mãos, sabendo que o Supremo irá defender o meu direito ao estalo?
terça-feira, abril 11, 2006
E tapas? Não há tapas?
Bright green truffles, carrot-flavored foam and liquid that tastes like olives may sound odd, but they are among the dishes that have helped El Bulli become the best eatery in the world.
(CNN)
Spain's El Bulli toppled Britain's Fat Duck as the world's best restaurant in a poll published Tuesday.
(CNN)
(CNN)
Spain's El Bulli toppled Britain's Fat Duck as the world's best restaurant in a poll published Tuesday.
(CNN)
Amizade
| substantivo feminino | ||||||||||||||||||||||||||||||
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| (Do lat. amicit | ||||||||||||||||||||||||||||||
| © Copyright 2003-2006, Porto Editora. |
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Há duas palavras, nesta definição dada pela Infopédia, com as quais me identifico imediatamente: cumplicidade e dedicação. Cumplicidade pois quando penso nos meus amigos(as) penso normalmente nos pontos de contacto que nos unem e que fazem com que sejam precisos apenas pequenos pormenores para percebermos o que se passa connosco. Desde coisas tão essenciais como partilhar os mesmos princípios e ideais a coisas tão " banais" como ser do mesmo clube de futebol ou gostar da mesma música, a base da cumplicidade que tenho com os meus amigos(as) parte sempre daí e vai-se expandindo, cruzando os nossos gostos, os nossos "pecados", os nossos receios, as nossas alegrias, as nossas tristezas, a nossa vida.
Dedicação. Pois acho que uma relação de amizade, quando é uma amizade sem amarras e genuína, merece haver dedicação de ambas as partes para mantê-la viva. Seja tomando um café, seja telefonando, enviando um e-mail ou um sms, escrevendo uma carta, é preciso haver contacto. Reconheço que, no mundo em que vivemos, é muitas vezes complicado, e eu próprio confesso que às vezes não sou tão dedicado às minhas amizades como devia ou como a pessoa que está do outro lado merecia. Outras vezes também me sinto cansado por a iniciativa ser sempre minha e baixo os braços, deixo andar, e apenas tenho consciência do quanto estou a errar quando o sentimento de remorso já se instalou na minha mente. Tenho e devo ser mais dedicado, com os amigos(as) que estão perto, com os amigos(as) que estão longe, com os amigos(as) que vejo todas as semanas, com os amigos(as) que apenas vejo de mês a mês.
No fundo, gostava de estar sempre rodeado dos meus amigos(as), pois normalmente sinto-me mais feliz e tranquilo quando estou com eles. E esse é um sentimento que nunca me parece haver em demasia.
(Post motivado por um excelente fim de tarde à beira-mar, com pessoas amigas à roda de uma mesa, a apreciar o pôr-do-sol)
segunda-feira, abril 10, 2006
Kill Bill Vol. 2
"Looked dead, didn't I? But I wasn't. But it wasn't from lack of trying, I can tell you that. Actually, Bill's last bullet put me in a coma - A coma I was to lie in for four years. When I woke up, I went on what the movie advertisements refer to as a 'roaring rampage of revenge.' I roared. And I rampaged. And I got bloody satisfaction. I've killed a hell of a lot of people to get to this point, but I have only one more. The last one. The one I'm driving to right now. The only one left. And when I arrive at my destination, I am gonna kill Bill."
quinta-feira, abril 06, 2006
Calvin versão empresário português
(Dedicado a um antropólogo marciano amigo, que me enviou este "pedaço de vida real".)
Is this the world we created?
HRW says some 70% of street children in the capital, Kinshasa, are outcasts, after being accused of witchcraft. Specialised pastors perform ceremonies to rid children of evil spirits and they can be held for days without food and sometimes whipped to confess.
Children who are HIV-positive are also susceptible to abuse and abandonment. “Child sorcerers have the power to transmit any disease, including Aids, to their family members,” a pastor of a revival church in Mbuji-Mayi told HRW.(Fotos e comentários da BBC News)
Tenham vergonha na cara!
"Canadá recusa 13 milhões e mantém caça às focas.
O Canadá autorizou, este ano, o abate de 325 mil animais a tiro e dez mil a golpes de espigão, preso a um pau - nas zonas em que a prática é considerada "tradicional". A condenação do "genocídio" foi imediata, pelos ecologistas e associações de defesa dos animais mas também pelo Congresso dos Estados Unidos - país que adoptou um rigoroso boicote a certos produtos canadianos - e pelos governos de várias nações europeias."
(Diário de Notícias)
Depois dos imigrantes ilegais, a vez das focas. Esse animal extremamente perigoso para os seres humanos, em especial as crias, cuja ferocidade apenas pode ser combatida a golpes de espigão. Mas, mais importante que isso, é garantir que as práticas "tracidicionais" são mantidas. Questiono-me qual a vila canadense gémea de Barrancos... E eu que pensava que o Canadá até era um bom sítio para viver...
O Canadá autorizou, este ano, o abate de 325 mil animais a tiro e dez mil a golpes de espigão, preso a um pau - nas zonas em que a prática é considerada "tradicional". A condenação do "genocídio" foi imediata, pelos ecologistas e associações de defesa dos animais mas também pelo Congresso dos Estados Unidos - país que adoptou um rigoroso boicote a certos produtos canadianos - e pelos governos de várias nações europeias."
(Diário de Notícias)
Depois dos imigrantes ilegais, a vez das focas. Esse animal extremamente perigoso para os seres humanos, em especial as crias, cuja ferocidade apenas pode ser combatida a golpes de espigão. Mas, mais importante que isso, é garantir que as práticas "tracidicionais" são mantidas. Questiono-me qual a vila canadense gémea de Barrancos... E eu que pensava que o Canadá até era um bom sítio para viver...
Ritual de lo habitual
É uma actividade tão natural que quase nos esquecemos do quanto está inserida na nossa cultura. Seja para uma bica depois do almoço, ou para uma tarde passada na conversa com umas imperiais à mistura, o café (estabelecimento) é um ponto de reunião quase tão fundamental como o almoço de família ao fim-de-semana ou a habitual refeição de Natal para a qual todos os parentes (próximos e afastados) se juntam.No Cacém, já foram muitos os cafés por onde "passei". Fosse para tomar o essencial café na altura dos exames, ou aproveitar o sol numa esplanada a beber uma cerveja gelada, ou para pôr a conversa em dia com os amigos, lendo as gordas do Correio da Manhã (jornal exclusivo de leitura na maioria dos cafés), o importante era haver uma mesa onde pudéssemos simplesmente "estar". Não admira que há uns anos atrás, uma colega de universidade tivesse cá vindo e ficado admirada com a quantidade de cafés por km2 que esta terra tem.
Lembro-me das quase intermináveis tardes passadas no bar do ISCTE, a beber um café para curar a ressaca de um dia pós-festa ou a beber uma imperial antevendo uma festa, ouvindo o sr. António a revelar o seu benfiquismo enquanto comentava os jogos do fim-de-semana passado, ou se queixava da pouca cerveja que os novos caloiros bebiam. Muitos trabalhos de grupo fiz naquelas mesas do "aquário", em que se fazia pausas para o cigarro enquanto alguém perguntava quem é que queria café.
Por ser um hábito tão português, recordo com um sorriso as minhas tentativas de transpôr este ritual para a minha estadia na Coreia do Sul. O ar estranho com que olhavam para mim quando me sentava à mesa e ficava horas de volta de uma chávena de café e um livro. O olhar ainda mais estranho que me dirigiam quando me juntava com outros portugueses e ficávamos horas a discutir o que se passava aqui no rectângulo.
Assim, proponho que a ida ao café passe a fazer parte do Património Imaterial Nacional, pois nada contribuiu mais, ao longo dos séculos, para a discussão de ideias e princípios que muito provavelmente fizeram com que avançassemos como nação.
(Pronto, eu admito, esqueci-me de tomar os remédios outra vez... Sorry!)
quarta-feira, abril 05, 2006
E Pluribus Unum
E pronto. O sonho acabou. Pelo menos, por este ano, pois nesta história das competições europeias de futebol, há sempre o ano seguinte. Teria sido bonito termos uma equipa portuguesa numa final de uma taça europeia pelo quarto ano consecutivo, mas este jovem, o resto da equipa do Barcelona e os erros dos meus heróis de vermelho assim não o quiseram. Assim, temos de pensar no futuro.De qualquer forma, meus heróis de vermelho, hoje quando sairem desse estádio mítico onde hoje jogaram, saiam de cabeça erguida, meus amigos, de cabeça erguida.
(Foto da BBC Sport)
terça-feira, abril 04, 2006
A montanha continua a parir um rato
"A Associação Fonográfica Portuguesa apresentou hoje, na Polícia Judiciária de Lisboa, 28 queixas-crime contra desconhecidos referentes a utilizadores de serviços de partilha de ficheiros de música através da Internet, anunciou o director-geral da organização, Eduardo Simões. O critério usado foi o do volume de faixas descarregadas, adiantou ao PUBLICO.PT o assessor de imprensa da associação, Tiago Cardoso.
Cabe agora à Polícia Judiciária descobrir a identidade dos utilizadores de programas de troca de ficheiros de música através da Internet (tecnologia "P2P" ou "Peer-to-Peer"), tendo em conta que, nesta fase do processo, estão ainda protegidos pelo anonimato.
Eduardo Simões sublinhou, no entanto, que existem meios técnicos para identificar as pessoas que usam programas como o "Kazaa", o "eMule" ou o "Limewire", entre outros."
Bravo, Sr. Simões. Fica-lhe muito bem representar os interesses autorais da sua Associação. Quem me dera que houvesse a mesma deligência na investigação de crimes de burla qualificada, lavagem de dinheiro, tráfico de influências, pedofilia, negligência ao volante, só para mencionar algumas.
A única imagem que consigo ter face a isto é uma cena do filme "Madagáscar" onde um pequenino lémur se punha em bicos de pés e quase a suplicar que o escolhessem, "me, me, pick me!". Trocando por graúdos, alguém anda à procura de protagonismo e exposição mediática fácil junto de um enorme público. Só espero que se dê mal, pois ao menos o lémur era ternurento e tinha piada.
Aos 28 desconhecidos, deixo o meu apoio e desejo de que não secumbam à chantagem barata que se está a tentar fazer.
Mais leituras obrigatórias:
A Miúda dos Disparates
O Último Metro
Xoose
Navel
Cabe agora à Polícia Judiciária descobrir a identidade dos utilizadores de programas de troca de ficheiros de música através da Internet (tecnologia "P2P" ou "Peer-to-Peer"), tendo em conta que, nesta fase do processo, estão ainda protegidos pelo anonimato.
Eduardo Simões sublinhou, no entanto, que existem meios técnicos para identificar as pessoas que usam programas como o "Kazaa", o "eMule" ou o "Limewire", entre outros."
Bravo, Sr. Simões. Fica-lhe muito bem representar os interesses autorais da sua Associação. Quem me dera que houvesse a mesma deligência na investigação de crimes de burla qualificada, lavagem de dinheiro, tráfico de influências, pedofilia, negligência ao volante, só para mencionar algumas.
A única imagem que consigo ter face a isto é uma cena do filme "Madagáscar" onde um pequenino lémur se punha em bicos de pés e quase a suplicar que o escolhessem, "me, me, pick me!". Trocando por graúdos, alguém anda à procura de protagonismo e exposição mediática fácil junto de um enorme público. Só espero que se dê mal, pois ao menos o lémur era ternurento e tinha piada.
Aos 28 desconhecidos, deixo o meu apoio e desejo de que não secumbam à chantagem barata que se está a tentar fazer.
Mais leituras obrigatórias:
A Miúda dos Disparates
O Último Metro
Xoose
Navel
Os níveis de cinismo sobem...
( A fotografia veio num dos infindáveis mails que recebo todos os dias, pelo que não me recordo de quem terá sido o autor. O comentário foi feito por mim e partilhado com os meus colegas de trabalho aqui há umas semanas atrás. Serve também para ilustrar o excelente dia que hoje tive o enorme prazer de desfrutar.)
segunda-feira, abril 03, 2006
Paixão
| substantivo feminino | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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| (Do lat. passi | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| © Copyright 2003-2006, Porto Editora. |
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domingo, abril 02, 2006
O meu reino por um MP3...
"Nas próximas semanas, os portugueses que tenham carregado ou descarregado ilegalmente músicas na internet irão receber uma carta a convidá-los a pagar uma indemnização por desrespeito dos direitos de autor ou, em alternativa, enfrentar um processo judicial."
Pelas minhas contas, devo ter uma centena de cassetes com outros tantos albuns de variados artistas, nacionais e estrangeiros. Todas foram gravadas de LPs ou CDs, por mim ou por amigos meus. Na altura em que as gravei, era um estudante com pouco dinheiro no bolso, a minha familia pertencia à classe média (ainda assim acontece hoje em dia), e lembro-me perfeitamente que só para me oferecerem uma aparelhagem como prémio por ter entrado na faculdade fizeram sacríficios. Um CD seria normalmente uma prenda de aniversário de algum familiar ou amigo da minha idade. Nesses tempos, tal como hoje, o CD era um artigo dispendioso.
Se acho que os direitos de autor devem ser preservados? Sim, sem dúvida. Se acho que o consumidor deve ser levado a tribunal para pagar esses direitos? Não, em absoluto. Com tantos fios por onde pegar no novelo (preço dos CDs, contratos entre editoras discográficas e artistas, "preço" da cultura, investimento em marketing vs. investimento em novos artistas), porque é que o fio a "queimar" primeiro há-de ser aquele que verdadeiramente ama a música?
O sr. John Kennedy menciona que a pirataria é uma das razões para as editoras discográficas não investirem tanto na música nacional. Será que é mesmo assim? Ainda esta semana via num programa de televisão que este problema já existia ainda antes da partilha de ficheiros na Internet. Pergunto-me o que aconteceria se todos os músicos pegassem nas suas perninhas e saíssem das respectivas editoras. Talvez que assim os consumidores comprassem, de facto, mais CDs, por saberem que o dinheiro ia mesmo para quem o merecia (os músicos) e não para os bolsos já de si recheados dos executivos à frente das editoras.
Leitura obrigatória:
A Quinta do Aníbal
Sticky Scratch
Pelas minhas contas, devo ter uma centena de cassetes com outros tantos albuns de variados artistas, nacionais e estrangeiros. Todas foram gravadas de LPs ou CDs, por mim ou por amigos meus. Na altura em que as gravei, era um estudante com pouco dinheiro no bolso, a minha familia pertencia à classe média (ainda assim acontece hoje em dia), e lembro-me perfeitamente que só para me oferecerem uma aparelhagem como prémio por ter entrado na faculdade fizeram sacríficios. Um CD seria normalmente uma prenda de aniversário de algum familiar ou amigo da minha idade. Nesses tempos, tal como hoje, o CD era um artigo dispendioso.
Se acho que os direitos de autor devem ser preservados? Sim, sem dúvida. Se acho que o consumidor deve ser levado a tribunal para pagar esses direitos? Não, em absoluto. Com tantos fios por onde pegar no novelo (preço dos CDs, contratos entre editoras discográficas e artistas, "preço" da cultura, investimento em marketing vs. investimento em novos artistas), porque é que o fio a "queimar" primeiro há-de ser aquele que verdadeiramente ama a música?
O sr. John Kennedy menciona que a pirataria é uma das razões para as editoras discográficas não investirem tanto na música nacional. Será que é mesmo assim? Ainda esta semana via num programa de televisão que este problema já existia ainda antes da partilha de ficheiros na Internet. Pergunto-me o que aconteceria se todos os músicos pegassem nas suas perninhas e saíssem das respectivas editoras. Talvez que assim os consumidores comprassem, de facto, mais CDs, por saberem que o dinheiro ia mesmo para quem o merecia (os músicos) e não para os bolsos já de si recheados dos executivos à frente das editoras.
Leitura obrigatória:
A Quinta do Aníbal
Sticky Scratch
Lembrete
Antes que hajam mais vítimas inocentes, é melhor lembrar que ontem foi dia 1 de Abril e, apesar da pequena mentira que aqui deixei andar muito próxima dos meus desejos recalcados, não passava disso mesmo, uma pequena mentira :-))
sábado, abril 01, 2006
Chega!!!
A paciência tem limites e hoje atingi os meus. Despedi-me. Entreguei a carta. Bati a porta. Não aguentei a penitência que foram os últimos meses. Todo um horizonte de possibilidades se abre à minha frente, com tanto de assustador como de motivante. Uma coisa é certa, acabou-se o aturar de situações ridículas e despropositadas e só isso já é uma grande vitória...
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