quarta-feira, março 08, 2006

Nihon Ni Kaerimasu

Deixo aqui a transcrição de um convite do amigo Rui Gonçalves, do blogue Crónicas da (e depois da) Califórnia, e uma das fotografias do Rui que mais gostei.


nihon ni kaerimasu - 10 de Março a 7 de Abril - o navio de espelhos

Em 2003 trabalhava, em Portugal, numa empresa japonesa. Depois de umas decisões estratégico-desastrosas ligadas ao lançamento no mercado chinês de um novo produto, para o qual estávamos a trabalhar há 4 anos, fui "convidado" a visitar o país do sol nascente. Assim, no período de 24 de Maio a 18 de Junho e posteriormente entre 1 e 18 de Dezembro, desse mesmo ano, estive a trabalhar no Japão.

Foi apenas um mês e meio no total, mas foi de tal maneira intenso que é difícil não cultivar um fascínio especial pelo país. Não foi por causa das longas (algumas vezes 18) horas de trabalho diárias, nem pelo trabalho ao sábado, mas pelas horas roubadas ao sono para se poder viver um bocado da cultura local durante os dias de semana e ainda pelos domingos de folga, que eram vividos desde manhã cedo, porque eram valiosas aquelas horas de "descanso".

Em 2005, uma amiga que estava num grupo de preparação de um fim-de-semana dedicado ao Japão em Aveiro, sabendo que eu lá tinha estado, convidou-me a preparar e propor uma exposição de fotografia sobre o país. No entretanto ela saiu da organização e a minha proposta para a exposição foi recusada pelo "elevado custo que o evento já estava atingir". Felizmente O Navio De Espelhos, soube aproveitar a minha proposta e a exposição arrancou, estando patente na livraria de 10 de Março a 7 de Abril de 2006.

Esta exposição tenta enquadrar as fotografias que fui tirando com alguns textos que fui escrevendo e mandando aos meus amigos, descrevendo as aventuras, desventuras, surpresas e experiências que fui absorvendo por lá. Algumas fotografias foram tiradas com pouca definição, com pouca dedicação, acima de tudo com poucas horas de sono e com muito deslumbramento. Algumas nem seria dignas de uma exposição e muitas outras mereceriam ser mostradas. Mas penso que é o todo que conta e mesmo que sejam só 20 fotografias expostas com os textos, haverão outras que serão mostradas e comentadas na inauguração e que não estão aqui.

Espero que gostem e que apareçam, a 10 de Março, para uma conversa e um Sakê.

Para quem não pode vir, pode ver a exposição em http://ruigo.net/fotog/expo/nihon/

http://www.onaviodeespelhos.com/


terça-feira, março 07, 2006

Sondagem Cinzenta - IV (rescaldo das estatuetas)

Por aqui, os frequentadores do Espaço gostaram mais da história de amor entre Jack e Ennis e achavam que o óscar de melhor filme deveria ter sido para o filme de Ang Lee. Mas, tenho de confessar, um dos três votos em Crash é meu, acho que o filme mereceu inteiramente e, mesmo faltando-me ver o Capote, acho que não mudaria a minha opinião. Para o ano há mais...

Ah, antes que me esqueça! Sim, Bubu, é verdade, fui um dos doentes que ficou acordado a noite quase toda a assistir à cerimónia... Go figure...

Precisamos de um novo Edward R. Murrow!

Agora que os Óscares já são passado, acabei por ir ver um dos filmes que acabou por não levar qualquer estatueta para casa. "Good Night And Good Luck" é mais um exemplo de como este foi um ano atípico em termos de nomeados para melhor filme. Trata-se de um filme que roça quase o documentário e será talvez esse o seu único defeito. Há um recurso em demasia a imagens reais de arquivo que sublinha o teor histórico do filme, que se passa numa altura em que decorria uma verdadeira "caça às bruxas" nos Estados Unidos, perpetrada pelo senador Joseph McCarthy. Na busca de eliminar qualquer resquício de Comunismo na pátria da Liberdade, punha-se em causa os direitos dos cidadãos e acusavam-se inocentes de forma vil e difamatória. Quando a grande maioria dos media alinhava pela não-confrontação com o senador McCarthy, levantou-se a voz de Edward R. Murrow contra as injustiças que estavam a ser praticadas. O filme acaba por se centrar no confronto destes dois homens e nas pressões que rodeavam o meio de comunicação emergente, a "caixinha mágica". Mesmo no fim do filme, Murrow tem um brilhante discurso acerca da maneira como a televisão devia ser encarada, e que é particularmente relevante nos dias de reality shows que vivemos hoje:

"To those who say people wouldn't look; they wouldn't be interested; they're too complacent, indifferent and insulated, I can only reply: There is, in one reporter's opinion, considerable evidence against that contention. But even if they are right, what have they got to lose? Because if they are right, and this instrument is good for nothing but to entertain, amuse and insulate, then the tube is flickering now and we will soon see that the whole struggle is lost. This instrument can teach, it can illuminate; yes, and it can even inspire. But it can do so only to the extent that humans are determined to use it to those ends. Otherwise it is merely wires and lights in a box. There is a great and perhaps decisive battle to be fought against ignorance, intolerance and indifference. This weapon of television could be useful. "

O filme é bastante interessante, e tem pormenores deliciosos de época, como sejam o anúncio aos cigarros Kent e a própria forma como Murrow apresentava o seu programa de cigarro em punho (conferir actual postura dos Estados Unidos em relação ao tabaco). David Strathairn (Edward R. Murrow) tem uma interpretação à altura dos nobres escritos do jornalista. E não admira que muitos o considerem, ainda hoje, como um grande arauto da liberdade de expressão (outro tema muito em voga nos dias que correm e, sobre o qual, Murrow havia de ter muito a dizer). Fica, na imagem, mais uma intervenção que merece uma vénia.

domingo, março 05, 2006

Está quase... (Ondas Sonoras - X)

Há poucas bandas hoje em dia que me façam esperar com ansiedade pelas suas novas músicas, mas sem dúvida alguma que os Pearl Jam são uma delas. Apesar de não me importar de ouvir vezes sem conta os seus discos antigos (ainda no outro dia fui no carro a ouvir o "Vitalogy" e parecia que estava a ouvir uma música nova, tal é o espírito que preside a esse disco em particular), fico sempre com imensa curiosidade quando se fala em novo albúm destes senhores. Se há uma banda que serviu de banda sonora aos meus últimos quinze anos, foram eles de certeza. Se há um concerto que ainda hoje faz com que a minha alma se "ilumine" e fique com um sorriso estúpido na cara ("don't it make you smile"), é sem dúvida o concerto que os Pearl Jam deram no Dramático de Cascais no dia 24 de Novembro de 1996. Mesmo que o tipo de música que hoje oiço já não seja propriamente o mesmo que ouvia há década e meia atrás, faço questão de ainda ouvir música como Alive, Rearviewmirror, Black, Tremor Christ, Smile, Habit, Do The Evolution, Immortality, Given To Fly, Thumbing My Way, Save You, Love Boat Captain,Nothing As It Seems, Thin Air, Breakerfall, Indifference, Yellow Ledbetter, Last Kiss, Footsteps, Gremmie Out Of Control, Dead Man, Nothingman... Enfim podia aqui estar todo o dia... Quando se gosta, não há nada a fazer. Obrigado por mais um capítulo, Eddie, Jeff, Mike, Stone e Matt!

O mar...





(... é esta a resposta a uma pergunta simples colocada pelo Desambientado, no seu mais recente post. Aliás, meu amigo Félix, tendo em conta as suas colecções, eu por mim gostava de ser um coleccionador de ondas... :)

quinta-feira, março 02, 2006

Melancolia

substantivo feminino


1.
tristeza profunda e duradoura;

2.
desgosto; abatimento;

3.
hipocondria;

4.
MEDICINA afecção mental caracterizada por uma depressão, mais ou menos acentuada, um sentimento de incapacidade, um desgosto da existência, e, às vezes, por ideias delirantes de auto-acusação, de indignidade, etc.;

(Do gr. melagkholía, «melancolia», pelo lat. melancholìa-, «id.»)


© Copyright 2003-2006, Porto Editora.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

I Walk The Line


" I keep a close watch on this heart of mine
I keep my eyes wide open all the time.
I keep the ends out for the tie that binds
Because you're mine, I walk the line

I find it very, very easy to be true
I find myself alone when each day is through
Yes, I'll admit that I'm a fool for you
Because you're mine, I walk the line

As sure as night is dark and day is light
I keep you on my mind both day and night
And happiness I've known proves that it's right
Because you're mine, I walk the line

You've got a way to keep me on your side
You give me cause for love that I can't hide
For you I know I'd even try to turn the tide
Because you're mine, I walk the line

I keep a close watch on this heart of mine
I keep my eyes wide open all the time.
I keep the ends out for the tie that binds
Because you're mine, I walk the line"

Johnny Cash

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

E o prémio fotogenia vai para...

A revista de domingo do New York Times elaborou uma sessão fotográfica com os actores e actrizes que fizeram os filmes com maior impacto do ano transacto. São imagens belíssimas, independentemente do nosso cérebro reagir com maior ou menor intensidade à celebridade (ou não) dos envolvidos. Para não me acusarem de sexista, deixo duas das imagens, para mim, mais marcantes. Mas que um Óscar assim tinha outro encanto, não tenho quaisquer dúvidas...

domingo, fevereiro 26, 2006

Hoje (ao almoço) foi assim...

Folheando as páginas do DN - II

Também folheando as páginas do jornal hoje de manhã, descobri que neste pequeno planeta que é o nosso, tenho a companhia de mais 6.499.999.999 seres humanos. E se isto não chegasse para me pôr no meu devido lugar de pequena gotícula deste grande oceano de humanidade, o facto de saber que desde que comecei a escrever estas palavras (há sensivelmente 30 segundos atrás) já nasceram 123 pessoas e faleceram outras 54, ainda me deixa mais pequenino.

Se dúvidas houvesse de que somos a espécie que mais popula este calhau à beira-universo plantado, estes números comprovam-no por larga margem. Não me parece que hajam 6,5 mil milhões de baleias azuis, ou 6,5 mil milhões de elefantes africanos, ou mesmo 6,5 mil milhões de pandas. Aliás, não penso que fossemos capazes, enquanto espécie, de conviver com mais 6,5 mil milhões de qualquer outro animal, ou não fossemos nós o "super-predador". Ao menos os predadores normais matam por coisas específicas como alimento, continuação da espécie ou, principalmente, por uma questão de sobrevivência. Nós, por outro lado, matamos por coisas tão abstractas como fronteiras, religião, auto-determinação, liberdade de expressão ou, simplesmente, porque nos parece uma boa ideia.

Segundo o artigo do DN, preve-se que em 2012 haverá mais 500 mil milhões de homo sapiens a calcorrear o planeta Terra. Será que estes vão olhar mais pelo planeta que lhes serve de casa? Será que estes vão olhar mais pelas outras espécies que também precisam desta casa? Ou será que quando de facto nos preocuparmos mais com isto e menos com a chacina ou a morte pela fome de mais seres irmãos humanos, já será demasiado tarde?

Folheando as páginas do DN - I

Apesar de nos últimos tempos ter re-adquirido o hábito de ler a imprensa online (fruto da minha maior permanência no mundo weberiano), não deixo de em algumas ocasiões, normalmente durante o fim-de-semana, de comprar o jornal e folheá-lo ao sabor de uma bica. Não, não é uma questão de nostalgia ou algo parecido, apenas um hábito que ainda não perdi...

Hoje, no Diário de Notícias, tive o prazer de ler uma pequena crónica de João Céu e Silva, da qual muito me agradou o tom afável, descomprometido, e nada sombraceiro. Mas... Apesar de muito gostar das pequenas maravilhas que este nosso país encerra, e que por vezes não têm o devido e merecido respeito, também acho que há limites para o nosso "patriotismo" e que não devemos deixar que a emoção tolde a razão. Meu caro João, independentemente das boas memórias que ainda guardo do Parque Eduardo VII (que infelizmente já são quase todas da década de 80, salvando-se a anual romaria à Feira do Livro), não acho justa a comparação com o Central Park de Nova Iorque, pela simples razão que este último tem uma dimensão e "aura" completamente diferentes do nosso Parque. É certo que toneladas de filmes made in Hollywood também ajudam a demonstrar isso mesmo, mas a verdade é que pelo que sei, pelo que li e pelo que vi e vejo, enquanto que o Central Park fez a evolução de "antro" perigoso e pouco recomendável para um dos ícones da Grande Maçã, poderíamos dizer que o Parque Eduardo VII realizou o mesmo percurso mas no sentido inverso. É claro que a desertificação do centro lisboeta também ajudou a que isto acontecesse, mas o certo é que aconteceu...

Assim sendo, tal como a baixa lisboeta e a foz do Porto são parte integrante do meu património emocional, também o Central Park, a Rambla de Barcelona ou a Cidade Proibida em Pequim fazem parte deste mesmo património.

Dito isto, continuação de boas crónicas!

sábado, fevereiro 25, 2006

A minha máscara

(e tendo em conta o quanto eu gosto do Carnaval, vou-me ficar por aqui antes que me acusem de ser anti-tudo e mais alguma coisa... o que também já começa a ser habitual:)

(Obrigado à Letícia que há uns anos atrás se lembrou de andar a brincar com o Photoshop)

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O Ano do Powerpoint

Formação, formação, formação. Esta é a palavra-chave para muitas empresas neste ano da graça de 2006. Numa tentativa de cumprir com a lei, e evitar pelo meio algumas coimas ou mesmo a pensar, quem sabe, em alguns subsídios, as empresas devem ter entrado num afã de formar os seus empregados. Nem que seja com o mesmo tipo de formações que ministram intermitentemente há anos. Nem que os seus empregados tenham ouvir as mesmas coisas milhentas de vezes. E nem devemos ligar a esta onda de formações as palavras motivação, prémio, ou mesmo mudança ou inovação. Pergunto-me frequentemente se o Governo, ou o ministério tutelar, vão fazer algum esforço em verificar que tipo de formações o tecido empresarial anda a aplicar aos seus quadros. Haverá mesmo preocupação em dotar os quadros de um conhecimento superior que lhes permita melhorar a sua produtividade ou queremos mesmo é cumprir leis, quotas e horas de formação? A ver vamos o que o resto do ano nos mostra, até porque se começar já a comentar o que até aqui foi feito (na minha realidade "cinzenta"), tenho a impressão que entro numa depressão tremenda...

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Serviço de utilidade pública - IV

Seul, Coreia do Sul, Julho de 2000

Sondagem Cinzenta - III

E que resultados podemos tirar de mais uma pergunta inócua? Bom, a maioria prefere ler livros na cama ou então passar a vida a dar beijos. Inconvenientes? Começar a usar óculos, num caso, e... bom, no outro caso... enfim, pode dar nisto. Depois temos alguns adeptos da nefasta nicotina e, em igualdade de circunstâncias, adeptos do nefasto consumismo. Poderá haver coisa mais chique do que andar às compras com um cigarro no canto da boca... Por último, ainda houve uns corajosos(as) que admitiram que o seu pior "vício" é insultar aqueles indíviduos que passam por políticos ou, melhor ainda, queixar-se continuamente do país em que vivemos. De facto, e olhando assim de repente à minha volta (importa dizer que a televisão está, neste preciso momento, na TVI), parecem-me ser dois desportos nacionais aos quais acorrem pessoas aos magotes... Finalmente, chego à conclusão que não há leitores viciados em bebidas alcoólicas, tosses convulsas, veículos de quatro rodas, ou, falta imperdoável, fãs da Shakira (e logo agora que a moça vem cá). Não te preocupes, Shakira, apesar de não seres um "vício" meu, de vez em quando lembro-me de ti, por isso não chores de desgosto...

E agora, retomamos a nossa programação habitual.

E dura, e dura...

Começo a ficar preocupado. Esta temática não me larga. Admito que no início a questão partiu de mim, que num momento de inspiração divina (sim, não podem ser só os pastores evangelistas) me decidi a fazer uma semana de posts virados para o maior dos sentimentos que podem "atravessar" um ser humano. Mas era só uma semana... Acabei por voltar ao assunto por causa do "Brokeback Mountain", que nos expunha um amor com algumas características um pouco diferentes daquilo a que a maioria da sociedade está habituada, mas que não deixa de ser um amor. Entretanto, quase todos os dias novos comentários iam aparecendo nos posts que tinham ficado da semana do chato do Cupido. E ontem acabei por receber um mail de uma amiga minha desaparecida que me presenteava com a imagem que segue em baixo. Se bem que a imagem foi mais por causa daquilo a que gosto de chamar a minha mais recente "obcessão-compulsivo-impossível" (leia-se Scarlett Johansson), lembrou-me que não achei nada de especial ao filme Match Point. E depois desta frase, pode começar o apedrejamento...
Não, a verdade é que vi o filme num dia claramente não, em que o cansaço era mais que muito e não havia pachorra para grande coisa. Sim, o Woody Allen continua a ser um favorito meu, mas não me parece que vá rever este filme, mesmo reconhecendo-lhe qualidade. E uma qualidade é, sem dúvida, o que é que passa por amor, se a relação física, se o conforto de uma amizade colorida, se a existência de uma família, se uma paixão desbragada, ou, simplesmente, nada disto ou o somatório de tudo...
Eu por mim continuo com dúvidas... mas se a Scarlett quisesse, era já hoje...

domingo, fevereiro 19, 2006

sábado, fevereiro 18, 2006

Lá de cima - VIII

Kilimanjaro, Tânzania

Na Gare

Tenho saudades. Parece estranho mas tenho saudades. Nunca mais acordei cedo para ir a correr apanhar o comboio. A espera nas filas que se formavam na estação, uns a ler o jornal, outros a fumar o primeiro cigarro do dia, outros ainda a conversarem com os seus amigos passageiros. O cheiro a castanhas no Outono, o frio que me obrigava a usar o cachecol no Inverno, o brilho do Sol na Primavera, a minha t-shirt preferida no Verão. A correria para tentar apanhar um lugar sentado, ou pelo menos não ficar apertado na entrada, de encontro a desconhecidos meio ensonados como eu. O sucumbir ao sono, nos primeiros tempos, que quase me faziam voltar ao sítio de partida. As conversas com os colegas, quando nos encontrávamos, e os sorrisos que nos esforçávamos por dar quando havia greve ou atrasos monstruosos. A meia hora de viagem em que li muitos livros, apontamentos, cábulas e outros que tais. As pessoas que discutiam por causa de um assento, as grávidas que me pediam o meu lugar, os idosos que não queriam que saíssemos do nosso lugar mas que ao mesmo tempo nos imploravam com os seus olhos tristes alguma atenção e uma palavra amiga. A chegada à estação de destino e o recomeçar de toda a confusão. Tentar não ser atropelado por pessoas atrasadas para o emprego. Procurar por cima das cabeças pelos amigos e colegas para não ir sozinho até à faculdade. A repetição diária do habitual abraço/beijinho. Partilhar o primeiro cigarro do dia enquanto discutíamos o que tínhamos feito no dia anterior ou o que íamos fazer nesse dia. As caras preocupadas e nervosas em dia de frequência. A alegria do último dia de aulas do semestre. O Sol a aquecer-nos enquanto subíamos a Avenida das Forças Armadas. E depois, ao final da tarde, todo o processo novamente. E ver as luzes a acenderem-se nos prédios à medida que o comboio passava. O ar cansado das pessoas depois de um dia de trabalho. O adeus aos colegas que iam para Sintra. E saber que, no dia seguinte, lá estaria outra vez, à espera do comboio que me levava e me trazia. Que me levava e que me trazia...

(Um obrigado especial ao Sérgio Redondo pela sua bonita fotografia, que me fez voltar atrás no tempo.)

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Ondas Sonoras - IX

Este já estava prometido desde o Natal, quando fui presenteado com o último CD deles. E se nos outros albúns já havia muitas e boas músicas, em "X&Y" os Coldplay mantêm o nível e lançam canções melancólicas que se colam à nossa cabeça e de lá não saem. A voz, a guitarra, o baixo, o piano e a bateria unem-se para criar melodias que têm tanto de frágil como de explosivo. Aliás, basta ouvir a musiquinha que aqui vos deixo...