2046, wong kar wai
the thin red line, terrence malick
20 000 days on earth, iain forsyth e jane pollard
the tale of princess kaguya, isao takahata
the wind rises, hayao miyazaki
the good lie, philippe falardeau
eternal sunshine of the spotless mind, michel gondry
perfect sense, david mackenzie
like someone in love, abbas kiarostami
the martian, ridley scott
monty python and the holly grail, terry gilliam e terry jones
paris je t'aime
.......................................................................
panda bear, panda bear meets the grim reaper
norberto lobo, fornalha
mirror people, voyager
sufjan stevens, carrie & lowell
moullinex, elsewhere
best youth, highway moon
beach house, depression cherry
benjamin clementine, at least for now
criolo, convoque seu buda
chantal acda, the sparkle in our flaws
ólafur arnalds & nils frahm, collaborative works
mogwai, central belters
.......................................................................
o meu amante de domingo, alexandra lucas coelho
as três vidas, joão tordo
o anjo esmeralda, don delillo
dália azul ouro negro, daniel metcalfe
que coisa são as nuvens, josé tolentino mendonça
2666, roberto bolaño
trigger warning, neil gaiman
uma gaivota com óculos, carlos pinhão
número zero, umberto eco
gente melancolicamente louca, teresa veiga
o que fazem mulheres, camilo castelo branco
flores, afonso cruz
quarta-feira, dezembro 30, 2015
sábado, dezembro 26, 2015
quarta-feira, dezembro 23, 2015
Enquanto o tempo é tempo
quarta-feira, dezembro 09, 2015
14e Arrondissement
Faça-se um exercício de extrapolação.
Substitua-se a cidade e o país. Risquemos os cães. Passa a haver boa gastronomia. Mantenha-se a independência e as caminhadas. Saliente-se ainda mais as trocas constantes de idiomas. O "mudar de vida" é realmente levado a níveis ainda mais altos. Sem expectativas, com muitos pensamentos a vaguear cá dentro. Conheça-se muitas pessoas de uma simpatia inigualável. Também há cemitérios, também há pessoas que partem para sempre. Nada de tristezas, também a busca da partilha. Muitas paisagens de perder a respiração, muitos jardins pelos quais passear. E, se calhar, também houve um momento muito parecido com aquele. Sim, vivo. Sim, apaixonado.
É mais ou menos isto.
Substitua-se a cidade e o país. Risquemos os cães. Passa a haver boa gastronomia. Mantenha-se a independência e as caminhadas. Saliente-se ainda mais as trocas constantes de idiomas. O "mudar de vida" é realmente levado a níveis ainda mais altos. Sem expectativas, com muitos pensamentos a vaguear cá dentro. Conheça-se muitas pessoas de uma simpatia inigualável. Também há cemitérios, também há pessoas que partem para sempre. Nada de tristezas, também a busca da partilha. Muitas paisagens de perder a respiração, muitos jardins pelos quais passear. E, se calhar, também houve um momento muito parecido com aquele. Sim, vivo. Sim, apaixonado.
É mais ou menos isto.
domingo, dezembro 06, 2015
Flores
"Segundo o padre, o pai do senhor Ulme dizia que o
Dia D fora anunciado pela rádio com um verso de Verlaine.
Era a maneira de todos saberem que o Dia D estava a
chegar. A poesia até para acabar com a guerra servia, era
isto que o pai do senhor Ulme anunciava antes de começar
a dizer um poema: «A poesia serve para acabar com a
atrocidade, é uma bala na cabeça do horror, é uma pedra
atirada contra este cenário de mau gosto, este mundo
que acreditamos ser a realidade.» Obrigava toda a aldeia
a ouvir poesia, ele próprio reunia os habitantes, como
um verdadeiro pastor, juntava-os debaixo da varanda e
havia sempre mais gente a ouvir poemas do que a assistir
à missa ao domingo de manhã. Aliás, isso é algo que o
padre não consegue ainda perdoar, passados tantos anos,
nem ao pai do senhor Ulme nem aos habitantes da aldeia.
Ninguém ligava nenhuma aos poemas, é certo, mas a força
do hábito criou raízes, a força do hábito vivia no campo,
fez como fazem as árvores. Não gostando de poesia, como
é que a preferiam aos sacramentos? Não lhes perdoo."
Dia D fora anunciado pela rádio com um verso de Verlaine.
Era a maneira de todos saberem que o Dia D estava a
chegar. A poesia até para acabar com a guerra servia, era
isto que o pai do senhor Ulme anunciava antes de começar
a dizer um poema: «A poesia serve para acabar com a
atrocidade, é uma bala na cabeça do horror, é uma pedra
atirada contra este cenário de mau gosto, este mundo
que acreditamos ser a realidade.» Obrigava toda a aldeia
a ouvir poesia, ele próprio reunia os habitantes, como
um verdadeiro pastor, juntava-os debaixo da varanda e
havia sempre mais gente a ouvir poemas do que a assistir
à missa ao domingo de manhã. Aliás, isso é algo que o
padre não consegue ainda perdoar, passados tantos anos,
nem ao pai do senhor Ulme nem aos habitantes da aldeia.
Ninguém ligava nenhuma aos poemas, é certo, mas a força
do hábito criou raízes, a força do hábito vivia no campo,
fez como fazem as árvores. Não gostando de poesia, como
é que a preferiam aos sacramentos? Não lhes perdoo."
Afonso Cruz
quarta-feira, novembro 25, 2015
Folk Nocturne
"Nós habitámos o tempo dos grandes fogos e o tempo da colheita,
olhámos tudo de nossa janela e muitas vezes corremos para entrar
nos campos, vimos centelhas perseguindo-nos pelas costas e pelas
barreiras laterais do corredor das chamas, algumas das centelhas
ficaram presas a nossas camisas, fomos de fogo, corremos para a
água para acalmar a nossa ferida. Certas feridas se transformaram
nas cicatrizes mágicas que nos sustentam até hoje. Vimos as larvas
desenvolverem-se no chão e algum caruncho comer nossos móveis,
foi assim que ganhámos consciência da constante mudança das coi-
sas. Nossos corpos mudavam tanto quanto as coisas. Perdemos pai
e mãe em nossa casa, perdemos a vontade e nos fizemos ao espaço
novo, fomos contra espelhos só para ver se doía e só para ver se a
sorte vinha, a sorte nunca veio, mentira, a sorte demorou a vir mas
veio nalgum dia. E depois se desfez de novo."
olhámos tudo de nossa janela e muitas vezes corremos para entrar
nos campos, vimos centelhas perseguindo-nos pelas costas e pelas
barreiras laterais do corredor das chamas, algumas das centelhas
ficaram presas a nossas camisas, fomos de fogo, corremos para a
água para acalmar a nossa ferida. Certas feridas se transformaram
nas cicatrizes mágicas que nos sustentam até hoje. Vimos as larvas
desenvolverem-se no chão e algum caruncho comer nossos móveis,
foi assim que ganhámos consciência da constante mudança das coi-
sas. Nossos corpos mudavam tanto quanto as coisas. Perdemos pai
e mãe em nossa casa, perdemos a vontade e nos fizemos ao espaço
novo, fomos contra espelhos só para ver se doía e só para ver se a
sorte vinha, a sorte nunca veio, mentira, a sorte demorou a vir mas
veio nalgum dia. E depois se desfez de novo."
Matilde Campilho
Catarse
ca.tar.se [kɐˈtarz(ə)]
| 1. | purificação emocional |
| 2. | LITERATURA (Aristóteles) purgação das paixões do público em face das emoções fortes (horror, piedade, etc.) evocadas numa tragédia |
| 3. | (Antiguidade) cerimónias religiosas de purificação |
| 4. | PSICOLOGIA terapêutica psicanalítica que pretende o desaparecimento de sintomas pela exteriorização verbal, dramática, emocional de traumatismos recalcados |
| 5. | MEDICINA evacuação |
(in Infopédia)
ou, como se poderia traduzir por aqui, escrita. muita escrita.
triste
Invariavelmente, num dia como o de hoje, é impossível não pensar em algo que não seja a mortalidade das coisas. Como, de uma maneira ou de outra, tudo o que nos rodeia seja finito, tenha os dias contados. Pode demorar uns minutos, alguns dias, muitos anos, décadas, mesmo séculos, mas nada impede o avançar do tempo e o aproximar do fim inevitável. E é este o pensamento que me atravessa quando recebo uma notícia tão triste como a de hoje. Por muito que tente afastá-lo da minha mente, tal qual um parasita que se instala, todas as imagens, todas as sinápses vão dar ao mesmo. Tento distrair-me, ler um livro, ouvir música, sair para a rua e caminhar sem destino, mas a minha alma continua a ser invadida por imagens agora agridoces, perdidas no tempo e com todo um novo significado. Recordações de quando nos conhecemos, da alegria da nossa amizade, dos momentos bons que passámos e que ficaram registados em fotografias de papel mate, dos momentos menos bons que passámos, das pessoas que amámos e que nos deixaram, das pessoas que continuamos a amar e que vimos quase à beira do abismo, de como ainda nos mantínhamos em contacto mesmo se a vida decidiu afastar-nos um pouco nesta grande bola azul a que chamamos Terra. Todas essas recordações regressam agora aos meus olhos, que ficam turvos perante a forma como tudo acabou. A morte é algo que já não me assusta, já passei por muita coisa, muita dor, muita tristeza, mas há um sentimento de aceitação que agora existe em mim, o tal fim anunciado ao qual nenhum de nós consegue fugir. Isso está há muito cá dentro. Agora, a forma como tal acontece e o momento, isso sim continua a deixar-me perdido, abandonado no meio de um terrível labirinto que teima em manter-me fechado claustrofobicamente. E é assim que hoje que me sinto, com dificuldade em respirar, com dificuldade em ver a luz, mesmo com o sol a brilhar intensamente, com muita dificuldade em compreender a razão que possa haver por trás de semelhante tragédia. Gostava de tentar perceber mais o ser humano e a sua consciência. Gostava de perceber os seus meandros, os seus cantos mais escuros. Gostava de tentar arranjar algum sentido para aquilo que aqui andamos a fazer. Se realmente valeu a pena a evolução fantástica do ser humano. Se pode haver algo que equilibre os sentimentos de dor, de angústia, de ausência, de tristeza. Se a memória vai realmente perdurar, ou se daqui a um ano a nossa mente já virou a esquina, e são poucas ou nenhumas as gavetas que dispensou para aquilo que sinto hoje. Gostava tanto de saber tudo isto e muito mais. Mas também sei que trocava todos estes desejos de bom grado, se isso significasse não ter recebido aquele telefonema, se isso significasse que ainda estavas aqui, connosco, junto das pessoas que te amavam e que te queriam tanto bem. Se ao menos a vida fosse regida por estes sentimentos, poderia ser que, ao menos por um breve instante, a vida fosse realmente iluminada, assim como tu a iluminaste para quem te conheceu. Que a tua alma esteja feliz. Que a tua alma seja o raio de sol que entra neste preciso momento pela janela, enquanto escrevo estas palavras e algumas lágrimas correm pela minha face.
segunda-feira, novembro 09, 2015
quinta-feira, outubro 08, 2015
A Noite e a Madrugada
"Raia de Espanha. Serranias azuis e violentas que se ama-
ciam subitamente em olivais, campinas de trigo, planaltos de
terra vermelha. Caminhos de estevas, de fragas, onde o perigo
sai dos barrancos e dos muros, ou caminhos melancolicamente
guarnecidos de plátanos, abrindo clareiras na mata de pinheiros
mansos, de um verde calmo e opulento, onde se escondem os
celeiros das companhias agrícolas. Mas antes de os ganhões
desempregados e os contrabandistas de profissão chegarem a
essas terras têm de atravessar os baldios do seu país. Para
cá das faldas desabrigadas, com o rio Erges esmagado entre
muralhas de granito, o casario nasce dos moinhos afogados nas
enxurradas, sobe penosamente as margens das ribeiras, aga-
cha-se à sombra das rochas e espraia-se por fim em aldeolas
mesquinhas. Depois vem a planície, triste como um descampado,
devassada pelo vento de Espanha, que satura o ar de poeira
e solidão. Planície nua, crestada pelo sol, que amadura as infin-
dáveis searas de trigo."
ciam subitamente em olivais, campinas de trigo, planaltos de
terra vermelha. Caminhos de estevas, de fragas, onde o perigo
sai dos barrancos e dos muros, ou caminhos melancolicamente
guarnecidos de plátanos, abrindo clareiras na mata de pinheiros
mansos, de um verde calmo e opulento, onde se escondem os
celeiros das companhias agrícolas. Mas antes de os ganhões
desempregados e os contrabandistas de profissão chegarem a
essas terras têm de atravessar os baldios do seu país. Para
cá das faldas desabrigadas, com o rio Erges esmagado entre
muralhas de granito, o casario nasce dos moinhos afogados nas
enxurradas, sobe penosamente as margens das ribeiras, aga-
cha-se à sombra das rochas e espraia-se por fim em aldeolas
mesquinhas. Depois vem a planície, triste como um descampado,
devassada pelo vento de Espanha, que satura o ar de poeira
e solidão. Planície nua, crestada pelo sol, que amadura as infin-
dáveis searas de trigo."
Fernando Namora
quarta-feira, outubro 07, 2015
primus inter pares
Tantos e tantos anos sem entrar naquela casa. Apenas passava ao largo. E, no entanto, havia uma enorme vontade de voltar a passar aquelas portas e perceber se a memória continuava a guardar alguma coisa dos tempos passados entre aquelas quatro paredes. Foi preciso acordar cedo, enfrentar a chuva e ir ao seu encontro. Lá dentro, a casa continua exactamente como me lembrava. As colunas, o chão, os azulejos, os vidros, nada mudou. Está tudo bem conservado e parece que voltei décadas no tempo. Aqui e ali, pequenos recantos onde tantas estórias houve, onde tantas amizades nasceram. Mal consigo prestar atenção às palavras e canções que se ouvem ao meu redor, prefiro olhar para ali e para além e deixar a minha mente vaguear por todas as recordações que aquele espaço evoca. Mas a nostalgia vai-se dissipando e lentamente regresso ao presente e vou começando a ouvir as palavra que me chegam da outra ponta da casa. E aí sou atingido pela verdadeira mudança que está ali a acontecer. Ouço palavras que nunca ouvi, palavras que me tratam como o adulto que sou, que não condescendentes e que são realmente deste tempo. Definitivamente parece que o futuro desta casa vai ser diferente, não vai esquecer o seu passado mas parece que vai haver mãos para não deixar a casa morrer, não a deixar eternamente no passado. E fico satisfeito, sorrio e fico deveras surpreendido com tudo isto. Mas, repito, fico satisfeito que assim seja. Talvez que não vá ficar novamente tantos anos sem voltar a entrar aqui. Se este for o caminho, sem dúvida que podem contar comigo. E já era tempo de deixar entrar novos ares por aquela porta. Como se costuma dizer, aguardo com muita expectativa os próximos episódios. Bem hajam.
"Nascemos nus, húmidos e com fome. Depois a coisa piora."
domingo, outubro 04, 2015
quinta-feira, outubro 01, 2015
à distância
"Sei agora o que nunca soube - que o amor encontra o seu estado mais
puro quando julgamos que o fim chegou; finalmente entendo que o amor
pode ser precisamente essa ausência, o deixar de estar, ser capaz de
apreciar cada minuto da nossa memória como se segurássemos, entre as
mãos, um punhado de brasas num deserto de gelo."
João Tordo
sexta-feira, setembro 18, 2015
Sector terciário
As pessoas andam demasiado nervosas, agitadas. Sempre com pressa, sempre com muita pouca paciência, sempre a quererem estar debaixo dos holofotes, à frente e acima de todos. Determinadas em terem o que querem, quando querem e nas condições que lhes interessam e apenas a si. Se for preciso mandar uns berros, insultar alguém, tratar alguém como se fosse menos que eles, pois que seja. Houve ali um olhar impertinente? Mostre-se os dentes, levantem-se as sobrancelhas, grite-se do mais alto que os pulmões tiverem para oferecer. De uma simples palavra dita sem qualquer tipo de má intenção, faça-se todo um filme onde a sua importante pessoa tenha sofrido o mais grave dos ultrajes e humilhe-se até à exaustão o pobre ser que está do outro lado. Mas o que é isto? Como é que chegámos a este ponto? Como é que deixámos que a nossa humanidade pudesse passar a ser definida por títulos, ou bens, ou mesmo credos políticos, religiosos, nacionalistas ou mesmo desportivos? Toda a educação vai por água abaixo só porque não mereci toda a atenção do outro. Manifestemos toda a raiva e frustração que temos dentro de nós contra o primeiro pobre diabo que nos apareça pela frente e que apenas tentou ajudar a resolver um problema que afinal era apenas um pretexto para o "combate". E depois fica o sentimento de angústia e, no pior dos casos, a incerteza que fica a morar na mente de quem apenas tentou fazer o seu trabalho o melhor que pode e sabe. Mas para lá de tudo isso, fica a tristeza. O sentimento de que é triste haverem pessoas assim a atravessarem-se pelo nosso caminho, como um tsunami com consciência, apostado em submergir tudo aquilo que nos define. Tristeza.
quinta-feira, setembro 17, 2015
O verdadeiro alentejano
De que é que se conversa com alguém que conhecemos há sensivelmente trinta e cinco anos e com quem já não estávamos há pelo menos quinze anos? De tudo e de nada. De namoros, casamento, divórcio e descendência. De caminhos profissionais tão diferentes e com tantos pontos de contacto que, ao descrevermos alguns eventos, deixamos um sorriso cúmplice nos lábios. De viagens a mundos distantes, de viagens a mundos ao virar da esquina, das idas do campo para a cidade e vice-versa, como se de um truque mágico se tratasse. Da família, sempre a família ao nosso lado e a apoiar-nos, das cumplicidades maternais que vão ainda mais longe do que as nossas vidas, até a um tempo em que ainda só existíamos enquanto ideia desejada. De como ao fim de uma frase regressamos à nossa infância, como se nada se tivesse passado, como se nunca tivéssemos saído daquela sala de aulas magnífica, que tantas alegrias, conhecimento e amizades nos trouxe, daquelas quatro paredes onde aprendemos muito mais do que matemática ou português ou os rios e as serras deste país, onde verdadeiramente aprendemos a ser seres verdadeiramente humanos, onde absorvemos tudo o que uma professora/cúmplice/mãe/amiga (e tantas palavras poderiam aqui ser colocadas, ad eternum) nos legou e nos deixou mais ricos enquanto pessoas de, na altura, de palmo e meio. E tantas vezes a sua memória foi evocada que quase, quase nos permitimos ficar com os olhos marejados. Ela, os nossos antigos colegas, aqueles que gostávamos de encontrar mais uma vez, aqueles que desapareceram já deste mundo, os que se encontram em parte incerta, até mesmo aqueles que se deixaram ir por uma espiral de dor e tristeza abaixo, quando mereciam muito mais desta vida madrasta. Mas não falámos só do passado, também pensámos no presente, no futuro, na superação de doenças malditas, na superação do flagelo do desemprego, naquelas pequenas coisas que tornam a nossa presença nesta terra um bem inestimável. Falámos, falámos, comemos, falámos, bebemos, e no fim aquilo que foram horas, pareceram breves minutos. Foi bom, meu amigo, foi muito bom. E o melhor de tudo é que ficámos com a completa certeza de que haverá mais em breve, mais conversa, mais memórias, mais angústias, mais partilhas, mais anseios para o que aí vem. E a melhor certeza de todas, é que não vai passar tanto tempo até à nossa próxima tertúlia. Aqui te deixo um enorme brinde à tua vida, à tua coragem, à nossa bonita amizade que merecia este recomeço.
quinta-feira, setembro 03, 2015
Par la fenêtre
"La tristess qu'on ressent ao cours de la vie, c'est
quelque chose qui ressemble à mon ours vu de dos:
de loin, le coeur se serre douloureusement, mais si on
se met à la place de l'ours, voilà que, contre toute
attente, il frémit d'espoir et, qui sait, regarde le beau
spectacle qui s'offre dehors à ses yeux. Peut-être est-il
en train de s'extasier devant tant de beauté. Ce matin-
là, c'était mon coeur qui était triste, moi qui avais
dormi la tête enfouie dans la fourrure de l'ours. La
mort des parents de ses propres parents, la mort un
jour de ses parents, sa propre mort, la vie véritable,
qui ne fait qu'un avec la mort, avait frôlé de son aile
la chair de l'enfant dont le monde du rêve se poursuit
éternellement. J'avais sans doute senti l'indice de
quelque chose d'insondable."
quelque chose qui ressemble à mon ours vu de dos:
de loin, le coeur se serre douloureusement, mais si on
se met à la place de l'ours, voilà que, contre toute
attente, il frémit d'espoir et, qui sait, regarde le beau
spectacle qui s'offre dehors à ses yeux. Peut-être est-il
en train de s'extasier devant tant de beauté. Ce matin-
là, c'était mon coeur qui était triste, moi qui avais
dormi la tête enfouie dans la fourrure de l'ours. La
mort des parents de ses propres parents, la mort un
jour de ses parents, sa propre mort, la vie véritable,
qui ne fait qu'un avec la mort, avait frôlé de son aile
la chair de l'enfant dont le monde du rêve se poursuit
éternellement. J'avais sans doute senti l'indice de
quelque chose d'insondable."
Yoshimoto Banana
domingo, agosto 30, 2015
o prior de buarcos
"Dizem-me que este tempo já não é para crença, que é
material e rude. Ah, filho, os tempos são sempre materiais e
vis; e o coração humano sempre da mesma idade - da idade
do mal e da dor."
material e rude. Ah, filho, os tempos são sempre materiais e
vis; e o coração humano sempre da mesma idade - da idade
do mal e da dor."
Fernando Pessoa
domingo, agosto 09, 2015
Oblivious
"It's dark now. But they feel each others' breath. And they know all they
need to know. They kiss. And they feel each others' tears on their
cheeks. And if there had been anybody left to see them, then they would
look like normal lovers, caressing each others' faces, bodies close
together, eyes closed, oblivious to the world around them. Because that
is how life goes on. Like that."
terça-feira, agosto 04, 2015
O luto de Elias Gro
"A determinado momento, mais tarde ou mais cedo, teremos
de encarar a inquietação que nos corrói e que faz doer a maior
ferida de todas - a que está no centro do nosso peito e à qual
chamamos, à falta de melhor palavra, vazio. Talvez nasçamos
com essa sabedoria; talvez suspeitemos desde tenra idade que,
um dia, plenamente e já sem margem para dúvida (esse ele-
mento fora da tabela periódica que corrói todos os outros), nos
renderemos àquilo que é."
de encarar a inquietação que nos corrói e que faz doer a maior
ferida de todas - a que está no centro do nosso peito e à qual
chamamos, à falta de melhor palavra, vazio. Talvez nasçamos
com essa sabedoria; talvez suspeitemos desde tenra idade que,
um dia, plenamente e já sem margem para dúvida (esse ele-
mento fora da tabela periódica que corrói todos os outros), nos
renderemos àquilo que é."
João Tordo
segunda-feira, julho 20, 2015
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