As pessoas andam demasiado nervosas, agitadas. Sempre com pressa, sempre com muita pouca paciência, sempre a quererem estar debaixo dos holofotes, à frente e acima de todos. Determinadas em terem o que querem, quando querem e nas condições que lhes interessam e apenas a si. Se for preciso mandar uns berros, insultar alguém, tratar alguém como se fosse menos que eles, pois que seja. Houve ali um olhar impertinente? Mostre-se os dentes, levantem-se as sobrancelhas, grite-se do mais alto que os pulmões tiverem para oferecer. De uma simples palavra dita sem qualquer tipo de má intenção, faça-se todo um filme onde a sua importante pessoa tenha sofrido o mais grave dos ultrajes e humilhe-se até à exaustão o pobre ser que está do outro lado. Mas o que é isto? Como é que chegámos a este ponto? Como é que deixámos que a nossa humanidade pudesse passar a ser definida por títulos, ou bens, ou mesmo credos políticos, religiosos, nacionalistas ou mesmo desportivos? Toda a educação vai por água abaixo só porque não mereci toda a atenção do outro. Manifestemos toda a raiva e frustração que temos dentro de nós contra o primeiro pobre diabo que nos apareça pela frente e que apenas tentou ajudar a resolver um problema que afinal era apenas um pretexto para o "combate". E depois fica o sentimento de angústia e, no pior dos casos, a incerteza que fica a morar na mente de quem apenas tentou fazer o seu trabalho o melhor que pode e sabe. Mas para lá de tudo isso, fica a tristeza. O sentimento de que é triste haverem pessoas assim a atravessarem-se pelo nosso caminho, como um tsunami com consciência, apostado em submergir tudo aquilo que nos define. Tristeza.
sexta-feira, setembro 18, 2015
quinta-feira, setembro 17, 2015
O verdadeiro alentejano
De que é que se conversa com alguém que conhecemos há sensivelmente trinta e cinco anos e com quem já não estávamos há pelo menos quinze anos? De tudo e de nada. De namoros, casamento, divórcio e descendência. De caminhos profissionais tão diferentes e com tantos pontos de contacto que, ao descrevermos alguns eventos, deixamos um sorriso cúmplice nos lábios. De viagens a mundos distantes, de viagens a mundos ao virar da esquina, das idas do campo para a cidade e vice-versa, como se de um truque mágico se tratasse. Da família, sempre a família ao nosso lado e a apoiar-nos, das cumplicidades maternais que vão ainda mais longe do que as nossas vidas, até a um tempo em que ainda só existíamos enquanto ideia desejada. De como ao fim de uma frase regressamos à nossa infância, como se nada se tivesse passado, como se nunca tivéssemos saído daquela sala de aulas magnífica, que tantas alegrias, conhecimento e amizades nos trouxe, daquelas quatro paredes onde aprendemos muito mais do que matemática ou português ou os rios e as serras deste país, onde verdadeiramente aprendemos a ser seres verdadeiramente humanos, onde absorvemos tudo o que uma professora/cúmplice/mãe/amiga (e tantas palavras poderiam aqui ser colocadas, ad eternum) nos legou e nos deixou mais ricos enquanto pessoas de, na altura, de palmo e meio. E tantas vezes a sua memória foi evocada que quase, quase nos permitimos ficar com os olhos marejados. Ela, os nossos antigos colegas, aqueles que gostávamos de encontrar mais uma vez, aqueles que desapareceram já deste mundo, os que se encontram em parte incerta, até mesmo aqueles que se deixaram ir por uma espiral de dor e tristeza abaixo, quando mereciam muito mais desta vida madrasta. Mas não falámos só do passado, também pensámos no presente, no futuro, na superação de doenças malditas, na superação do flagelo do desemprego, naquelas pequenas coisas que tornam a nossa presença nesta terra um bem inestimável. Falámos, falámos, comemos, falámos, bebemos, e no fim aquilo que foram horas, pareceram breves minutos. Foi bom, meu amigo, foi muito bom. E o melhor de tudo é que ficámos com a completa certeza de que haverá mais em breve, mais conversa, mais memórias, mais angústias, mais partilhas, mais anseios para o que aí vem. E a melhor certeza de todas, é que não vai passar tanto tempo até à nossa próxima tertúlia. Aqui te deixo um enorme brinde à tua vida, à tua coragem, à nossa bonita amizade que merecia este recomeço.
quinta-feira, setembro 03, 2015
Par la fenêtre
"La tristess qu'on ressent ao cours de la vie, c'est
quelque chose qui ressemble à mon ours vu de dos:
de loin, le coeur se serre douloureusement, mais si on
se met à la place de l'ours, voilà que, contre toute
attente, il frémit d'espoir et, qui sait, regarde le beau
spectacle qui s'offre dehors à ses yeux. Peut-être est-il
en train de s'extasier devant tant de beauté. Ce matin-
là, c'était mon coeur qui était triste, moi qui avais
dormi la tête enfouie dans la fourrure de l'ours. La
mort des parents de ses propres parents, la mort un
jour de ses parents, sa propre mort, la vie véritable,
qui ne fait qu'un avec la mort, avait frôlé de son aile
la chair de l'enfant dont le monde du rêve se poursuit
éternellement. J'avais sans doute senti l'indice de
quelque chose d'insondable."
quelque chose qui ressemble à mon ours vu de dos:
de loin, le coeur se serre douloureusement, mais si on
se met à la place de l'ours, voilà que, contre toute
attente, il frémit d'espoir et, qui sait, regarde le beau
spectacle qui s'offre dehors à ses yeux. Peut-être est-il
en train de s'extasier devant tant de beauté. Ce matin-
là, c'était mon coeur qui était triste, moi qui avais
dormi la tête enfouie dans la fourrure de l'ours. La
mort des parents de ses propres parents, la mort un
jour de ses parents, sa propre mort, la vie véritable,
qui ne fait qu'un avec la mort, avait frôlé de son aile
la chair de l'enfant dont le monde du rêve se poursuit
éternellement. J'avais sans doute senti l'indice de
quelque chose d'insondable."
Yoshimoto Banana
domingo, agosto 30, 2015
o prior de buarcos
"Dizem-me que este tempo já não é para crença, que é
material e rude. Ah, filho, os tempos são sempre materiais e
vis; e o coração humano sempre da mesma idade - da idade
do mal e da dor."
material e rude. Ah, filho, os tempos são sempre materiais e
vis; e o coração humano sempre da mesma idade - da idade
do mal e da dor."
Fernando Pessoa
domingo, agosto 09, 2015
Oblivious
"It's dark now. But they feel each others' breath. And they know all they
need to know. They kiss. And they feel each others' tears on their
cheeks. And if there had been anybody left to see them, then they would
look like normal lovers, caressing each others' faces, bodies close
together, eyes closed, oblivious to the world around them. Because that
is how life goes on. Like that."
terça-feira, agosto 04, 2015
O luto de Elias Gro
"A determinado momento, mais tarde ou mais cedo, teremos
de encarar a inquietação que nos corrói e que faz doer a maior
ferida de todas - a que está no centro do nosso peito e à qual
chamamos, à falta de melhor palavra, vazio. Talvez nasçamos
com essa sabedoria; talvez suspeitemos desde tenra idade que,
um dia, plenamente e já sem margem para dúvida (esse ele-
mento fora da tabela periódica que corrói todos os outros), nos
renderemos àquilo que é."
de encarar a inquietação que nos corrói e que faz doer a maior
ferida de todas - a que está no centro do nosso peito e à qual
chamamos, à falta de melhor palavra, vazio. Talvez nasçamos
com essa sabedoria; talvez suspeitemos desde tenra idade que,
um dia, plenamente e já sem margem para dúvida (esse ele-
mento fora da tabela periódica que corrói todos os outros), nos
renderemos àquilo que é."
João Tordo
segunda-feira, julho 20, 2015
terça-feira, junho 23, 2015
segunda-feira, junho 22, 2015
O que está para além do nosso olhar... Pode ser algo inimaginável...
domingo, junho 21, 2015
2666
" (...) quando é bem sabido, pensou Archimboldi, que a História, que é uma puta simples, não tem momentos determinantes, mas é sim uma proliferação de instantes, de brevidades que rivalizam entre si em monstruosidade."
Roberto Bolaño
segunda-feira, junho 15, 2015
Reclusão
A precisar de calor, Sol e luminosidade. Pelo menos, muito mais disto do que tem acontecido nos últimos dias. Caso contrário, ainda me arrisco a transformar numa batata de sofá...
sexta-feira, maio 22, 2015
Da memória que nos foge...
"A estação da Primavera vem todos os anos, não é? Mas a nossa não volta mais. A mocidade não volta mais. Acabou no fim!"
O Povo Que Ainda Canta
sexta-feira, maio 08, 2015
Para ti.
Meu irmão,
hoje cumpres mais uma Primavera. Que seja mais uma das muitas que te desejo, de preferência com a tua amizade como tem sido até aqui desde o momento em que nos conhecemos. E escrevo amizade quando devia escrever Amizade, pois há poucas pessoas neste mundo que me conheçam tão bem como tu. Temos estado juntos nos momentos bons, inesquecíveis, aqueles momentos que nos marcam para toda uma vida. E tem sido bom partilhá-los contigo. Mas também tens estado comigo nos momentos menos bons, naqueles que nos arrastam para o fundo escuro do poço, em que precisamos de uma mão amiga que nos puxe lá de baixo, que nos faça ver novamente a luz do Sol, a luz que deve invadir a nossa vida especialmente quando temos vontade de ficar nas trevas. E tu, meu irmão, tens estado sempre lá, quando preciso mais do teu abraço, da tua mão amiga, das tuas palavras que me empurram para a frente. Por isso, e porque não há prendas suficientes que se possam dar a quem queremos parabenizar com toda a felicidade do mundo, deixo-te estas pequenas palavras, de alguém que muito te admira, que quer continuar a ser teu amigo até andarmos de bengalas e andarilhos, e que quer sempre o teu bem, como se fôssemos realmente irmãos. Porque, não haja dúvidas quanto isso, és o melhor irmão quem alguém poderia ter. Seja aqui neste país pequenino mas tão grande, seja do outro lado do planeta no cimo de uma montanha com o vento na cara. Um grande, enorme abraço para ti.
quinta-feira, maio 07, 2015
sábado, abril 25, 2015
sexta-feira, abril 24, 2015
o sal da vida
" (...) E elenca, então por
um processo de associação espontânea, aquilo de nós que não
vemos ou não chegamos a valorizar devidamente: perceções, peque-
nos prazeres, detalhes dolorosos ou alegres, momentos de humor,
curiosidades, lugares, flagrantes quotidianos. Deixo-vos com
alguns exemplos: assobiar com um fio de erva na boca; limpar
o prato com um bocado de pão; assistir a uma cavalgada num
western; saltar à corda que duas amigas fazem girar sempre mais
rapidamente; sentar-se com as próprias forças na cama de um
hospital; recordar-se já sem vergonha das imbecilidades que fize-
mos lá atrás; cair do pódio à frente de cem pessoas; dançar mara-
vilhosamente a valsa, mas também a rumba, o tango e o rock'n'roll;
passar uma noite em branco para ler até ao fim um romance;
escrever à mão; perder tempo a formular melhor uma ideia;
improvisar durante a semana um jantar de amigos; perder-se a
contemplar um formigueiro que ferve de atividade; não fazer de
conta que não se vê o sofrimento alheio; não conseguir recordar-se
da sequência de uma anedota, apesar de todo o esforço; preparar
uma mousse de chocolate seguindo a receita (cheia de manteiga)
herdada da avó; respirar devagar e de olhos fechados num prado;
amar as palavras, degustando a sua sonoridade; reencontrar no
armário o calçado de verão, quando ainda é inverno; pensar com
prazer nos encontros que nos mudaram a vida; ser feliz quando os
outros o são."
um processo de associação espontânea, aquilo de nós que não
vemos ou não chegamos a valorizar devidamente: perceções, peque-
nos prazeres, detalhes dolorosos ou alegres, momentos de humor,
curiosidades, lugares, flagrantes quotidianos. Deixo-vos com
alguns exemplos: assobiar com um fio de erva na boca; limpar
o prato com um bocado de pão; assistir a uma cavalgada num
western; saltar à corda que duas amigas fazem girar sempre mais
rapidamente; sentar-se com as próprias forças na cama de um
hospital; recordar-se já sem vergonha das imbecilidades que fize-
mos lá atrás; cair do pódio à frente de cem pessoas; dançar mara-
vilhosamente a valsa, mas também a rumba, o tango e o rock'n'roll;
passar uma noite em branco para ler até ao fim um romance;
escrever à mão; perder tempo a formular melhor uma ideia;
improvisar durante a semana um jantar de amigos; perder-se a
contemplar um formigueiro que ferve de atividade; não fazer de
conta que não se vê o sofrimento alheio; não conseguir recordar-se
da sequência de uma anedota, apesar de todo o esforço; preparar
uma mousse de chocolate seguindo a receita (cheia de manteiga)
herdada da avó; respirar devagar e de olhos fechados num prado;
amar as palavras, degustando a sua sonoridade; reencontrar no
armário o calçado de verão, quando ainda é inverno; pensar com
prazer nos encontros que nos mudaram a vida; ser feliz quando os
outros o são."
José Tolentino Mendonça
sexta-feira, abril 17, 2015
Fonte
VI
"Estás verdadeiramente deitada. É impossível gritar sobre esse abismo
onde rolam os cálices transparentes da primavera
de há vinte e dois anos. Quando aperto as pálpebras
ou descubro o teu nome como uma paisagem,
só há grutas virgens onde os candelabros se apagam.
Mãe, pouco resta de ti na exaltação do mundo. Às vezes
misturas-te um pouco nos terrores da noite ou olhas-me,
vertiginosa e triste, através
das palavras.
No outro lado da mesa estás inteiramente
morta. Parece que sorris de leve no meu
pensamento, mas sei que é apenas
a solidão espantada. Como pudeste morrer
tão violenta e fria,
quando os meus dedos começavam a agarrar-te
a cabeça inclinada dentro
das luzes? Não podes levantar-te dos retratos antigos
onde procuro afogar-me como uma criança
nocturna. E não atravessaremos juntos as cidades redentoras,
perdidos um no outro, sorrindo
como se estivéssemos debaixo de uma árvore inspirada e eterna.
Conheço algumas cidades da europa e a fantasia vagarosa
da cidade da minha infância.
Tu desapareceste. É um erro
das musas distraídas. Não há guindaste que te levante
do coração das águas
onde apodreceste envolvida no halo do teu amor invisível,
ou recolhida na tua carne rápida, ou
ligeiramente tocada pelo ardor
de uma existência pura. Conheço grandes casas
onde não habitas, flores que cheiro, tarefas
silenciosas que cumpro humildemente, e luzes,
instrumentos de música,
laranjas que devoro sentindo o gosto da vida desde a garganta
às mais finas raízes das vísceras. Tu
desapareceste.
Imagino que seria possível tocares porventura
a minha boca. Tocares-me tão viva ou tão misteriosamente
que eu estremecesse nas traves
da cega inspiração. Poderias estar vergada sobre os meus
ombros até que as lágrimas
na minha boca se confundissem com a ansiosa subtileza
dos teus dedos, e eu me sentisse
perdido entre os pilares e os túneis das cidades
ressoantes.
Depois talvez pudesses vir com o rosto um pouco coberto de poeira,
e os olhos delicados de mulher restituída,
e os pés brilhando sobre os caminhos do meu silêncio exaltado
- talvez
pudesses salvar-me como uma palavra pode
salvar um pensamento, ou uma
breve música pode acordar do abismo inocente
da noite
um instrumento encerrado nas cordas extenuadas."
"Estás verdadeiramente deitada. É impossível gritar sobre esse abismo
onde rolam os cálices transparentes da primavera
de há vinte e dois anos. Quando aperto as pálpebras
ou descubro o teu nome como uma paisagem,
só há grutas virgens onde os candelabros se apagam.
Mãe, pouco resta de ti na exaltação do mundo. Às vezes
misturas-te um pouco nos terrores da noite ou olhas-me,
vertiginosa e triste, através
das palavras.
No outro lado da mesa estás inteiramente
morta. Parece que sorris de leve no meu
pensamento, mas sei que é apenas
a solidão espantada. Como pudeste morrer
tão violenta e fria,
quando os meus dedos começavam a agarrar-te
a cabeça inclinada dentro
das luzes? Não podes levantar-te dos retratos antigos
onde procuro afogar-me como uma criança
nocturna. E não atravessaremos juntos as cidades redentoras,
perdidos um no outro, sorrindo
como se estivéssemos debaixo de uma árvore inspirada e eterna.
Conheço algumas cidades da europa e a fantasia vagarosa
da cidade da minha infância.
Tu desapareceste. É um erro
das musas distraídas. Não há guindaste que te levante
do coração das águas
onde apodreceste envolvida no halo do teu amor invisível,
ou recolhida na tua carne rápida, ou
ligeiramente tocada pelo ardor
de uma existência pura. Conheço grandes casas
onde não habitas, flores que cheiro, tarefas
silenciosas que cumpro humildemente, e luzes,
instrumentos de música,
laranjas que devoro sentindo o gosto da vida desde a garganta
às mais finas raízes das vísceras. Tu
desapareceste.
Imagino que seria possível tocares porventura
a minha boca. Tocares-me tão viva ou tão misteriosamente
que eu estremecesse nas traves
da cega inspiração. Poderias estar vergada sobre os meus
ombros até que as lágrimas
na minha boca se confundissem com a ansiosa subtileza
dos teus dedos, e eu me sentisse
perdido entre os pilares e os túneis das cidades
ressoantes.
Depois talvez pudesses vir com o rosto um pouco coberto de poeira,
e os olhos delicados de mulher restituída,
e os pés brilhando sobre os caminhos do meu silêncio exaltado
- talvez
pudesses salvar-me como uma palavra pode
salvar um pensamento, ou uma
breve música pode acordar do abismo inocente
da noite
um instrumento encerrado nas cordas extenuadas."
Herberto Helder
sexta-feira, abril 10, 2015
sonhar, voar, amar
domingo, abril 05, 2015
o amor em visita
"(...)
Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
(...)"
Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
(...)"
Herberto Helder
quinta-feira, março 19, 2015
O Anjo Esmeralda
"E o que é que recordamos, no fim de contas, quando
toda a gente voltou para casa e a centelha da devoção e da
esperança se apagou nas ruas varridas pelo vento ribeiri-
nho? A recordação é escassa e amarga e envergonha-nos
com a sua falsidade intrínseca - toda feita de subtis cam-
biantes, mera silhueta saudosa? Ou o poder da transcendên-
cia perdura, a perceção de um acontecimento que viola as
forças naturais, uma coisa sagrada que pulsa no horizonte
abrasado, a visão que desejamos ardentemente porque pre-
cisamos de um sinal que erga contra as nossas dúvidas?"
toda a gente voltou para casa e a centelha da devoção e da
esperança se apagou nas ruas varridas pelo vento ribeiri-
nho? A recordação é escassa e amarga e envergonha-nos
com a sua falsidade intrínseca - toda feita de subtis cam-
biantes, mera silhueta saudosa? Ou o poder da transcendên-
cia perdura, a perceção de um acontecimento que viola as
forças naturais, uma coisa sagrada que pulsa no horizonte
abrasado, a visão que desejamos ardentemente porque pre-
cisamos de um sinal que erga contra as nossas dúvidas?"
Don DeLillo
(raios parta este gajo, de tão bem que escreve. quem me dera um bocadinho que fosse.)
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