sexta-feira, janeiro 09, 2015

Sol para 2015



Parece-me um desejo perfeitamente justificado.
Mesmo para quem teima em escrever demasiado pouco para ainda manter o tasco aberto.
Um bom 2015 para quem está desse lado.


quarta-feira, dezembro 31, 2014

Amanhã é já ali

     "É o último dia do ano, os homens pensam no que aconteceu
ensaiando balanços de dinheiro, amores, sucessos e também fra-
cassos. São poucos os que se alegram, maior a ânsia, imensa a espera.
     Alguns imaginam vidas de caminho, atrás do que lhes falta,
como se o futuro fosse lugar e a felicidade um pouco de terra
que os pés pudessem pisar. Carregam a vida como a um cavalo
cansado que tem de andar sempre, à força de esporas e maus
tratos, à força de sonhos já muito sonhados.
     Só o presente é lugar, e fica aqui, no ponto exacto em que as
memórias se sublimam em desejos."

Nuno Camarneiro


terça-feira, dezembro 30, 2014

vi, ouvi e li

gravity, alfonso cuarón
the desolation of smaug, peter jackson
wild at heart, david lynch
grand budapest hotel, wes anderson
hunger, steve mcqueen
12 years a slave, steve mcqueen
o congresso, ari folman
paradise now, hany abu-assad
the maltese falcon, john huston
gone girl, david fincher
uivo, eduardo morais
paris, texas, wim wenders

.......................................................................

flora, moullinex
emmaar, tinariwen
a bunch of meninos, dead combo
artificial sweeteners, fujiya & miyagi
i never learn, lykke li
things are really great here, sort of..., andrew bird
familiars, the antlers
pelo meu relógio são horas de matar, mão morta
popular problems, leonard cohen
legao, erlend øye
banda do mar, banda do mar
diabo na cruz, diabo na cruz

.......................................................................

claraboia, josé saramago
o pintor debaixo do lava-loiças, afonso cruz
o hipopótamo de deus, josé tolentino mendonça
e a noite roda, alexandra lucas coelho
o deus das moscas, william golding
slaughterhouse 5, kurt vonnegut
all the pretty horses, cormac mccarthy
the hundred-year-old man who climbed out of the window and disappeared, jonas jonasson
the perks of being a wallflower, stephen chbosky
o livro da consciência, antónio damásio
o tempo morto é um bom lugar, manuel jorge marmelo
william shakespeare's star wars, ian doescher


quarta-feira, dezembro 24, 2014

desejos de Natal

     "E ao ouvir os sonhos de Tuahir, com os ruídos
da guerra por trás, ele vai pensando: «não inventa-
ram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de
explodir os homens sem lhes matar. Uma pólvora
que, em avessos serviços, gerasse mais vida. E do
homem explodido nascessem os infinitos homens
que lhes estão por dentro»."

Mia Couto

 

domingo, dezembro 21, 2014

Report from a besieged city

"Too old to carry arms and to fight like others—

they generously assigned to me the inferior role of a chronicler
I record—not knowing for whom—the history of the siege

I have to be precise but I don't know when the invasion began
two hundred years ago in December in autumn perhaps yesterday
     at dawn
here everybody is losing the sense of time

we were left with the place an attachment to the place
still we keep ruins of temples phantoms of gardens of houses
if we were to lose the ruins we would be left with nothing

I write as I can in the rhythm of unending weeks
monday: storehouses are empty a rat is now a unit of currency
tuesday: the mayor is killed by unknown assailants
wednesday: talks of armistice the enemy interned our envoys
we don't know where they are being kept i.e. tortured
thursday: after a stormy meeting the majority voted down
the motion of spice merchants on unconditional surrender
friday: the onset of plague saturday: the suicide of
N.N., the most steadfast defender sunday: no water we repulsed
the attack at the eastern gate named the Gate of the Alliance

I know all this is monotonous nobody would care

I avoid comments keep emotions under control describe facts
they say facts only are valued on foreign markets
but with a certain pride I wish to convey to the world
thanks to the war we raised a new species of children
our children don't like fairy tales they play killing
day and night they dream of soup bread bones
exactly like dogs and cats

in the evening I like to wander in the confines of the City
along the frontiers of our uncertain freedom
I look from above on the multitude of armies on their lights
I listen to the din of drums to barbaric shrieks
it's incredible that the City is still resisting
the seige has been long the foes must replace each other
they have nothing in common except a desire to destroy us
the Goths the Tartars the Swedes the Emperor's troops regiments of
                       Our Lord's Transfiguration
who could count them
colors of banners change as does the forest on the horizon
from the bird's delicate yellow in the spring through the green the red
                       to the winter black

and so in the evening freed from facts I am able to give thought
to bygone far away matters for instance to our
allies overseas I know they feel true compassion
they send us flour sacks of comfort lard and good counsel
without even realizing that we were betrayed by their fathers
our former allies from the time of the second Apocalypse
their sons are not guilty they deserve our gratitude we are so grateful
they have never lived through the eternity of a siege
those marked by misfortune are always alone
Dalai Lama's defenders Kurds Afghan mountaineers

now as I write these words proponents of compromise
have won a slightly advantage over the part of the dauntless
usual shifts of mood our fate is still in the balance

cemeteries grow larger the number of defenders shrinks
but the defense continues and will last to the end
and even if the City falls and one of us survives
he will carry the City inside him on the roads of exile
he will be the City

we look at the face of hunger the face of fire the face of death
and the worst of them all—the face of treason

and only our dreams have not been humiliated"

Zbigniew Herbert



quarta-feira, dezembro 17, 2014

Terra Sonâmbula

        "Quero pôr os tempos, em sua mansa ordem,
conforme esperas e sofrências. Mas as lembranças
desobedecem, entre a vontade de serem nada e o
gosto de me roubarem do presente. Acendo a estória,
me apago a mim. No fim destes escritos, serei de
novo uma sombra sem voz."

Mia Couto

 

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Um buraco no coração



(... ou como apenas nos apercebemos do frio da noite quando ele nos atinge o coração...)


sábado, novembro 22, 2014

O Tempo Morto É Um Bom Lugar

                                                            "Massagem subdér-
mica. Mesoterapia. Drenagem linfática. Termossudação. Pe-
eling. Branqueamento dentário. Modelação da silhueta. Body
pump. Talassoterapia. Pilates. Hidromassagem. Sauna. Que-
enax. Termodepilação. Fotodepilação com luz pulsada. Radio-
frequência tripolar. Pressoterapia. Bodyshape. Auriculoterapia.
Shiatsu. Cavitação. Epilação a laser de diodo. Pedicuro e ma-
nicure. Bikini waxing. Tudo praticamente de um dia para o
outro e sem pausa nenhuma (...)"

Manuel Jorge Marmelo



(Claramente nunca serei um famoso da reality tv. Ou então estou a precisar de um dicionário novo...)

segunda-feira, novembro 10, 2014

Uivo



Para uma imensa minoria, haverá sempre a saudade e a felicidade de recordar um tempo em que ouvíamos a voz do Mestre a indicar-nos o caminho da música que abria a nossa alma ao mundo. Uivo é uma bonita homenagem e recordação do que este homem significou para toda essa imensa minoria. Seja a que hora for e em que delta for, vão ver e prestem o vosso carinho ao verdadeiro Lobo.


quinta-feira, outubro 30, 2014

Alabardas

         "Boas noites, Boas noites. Dez
minutos depois o telefone de artur paz se-
medo tocou. Era felícia, Não procures en-
comendas assinadas pelo general franco,
não as encontrarias, os ditadores só usam
a caneta para assinar condenações à morte. E desli-
gou antes de que ele pudesse responder."

José Saramago


 

terça-feira, outubro 28, 2014

What...


"What are you thinking? What are you feeling? What have we done to each other? What will we do?"

 

segunda-feira, outubro 13, 2014

segunda-feira, outubro 06, 2014

Subi as escadas. Degrau a degrau, enfrentando a quase total escuridão apenas quebrada pela claridade invasora vinda das janelas. Vejo as teias de aranha, nos cantos e recantos das salas. O pó acumulado de um ano sobre as pastas, as mesas, as cadeiras. Um ano sem vivalma entrar naqueles espaços. Aqui e ali pequenos vestígios da presença humana. Uma garrafa de água, ainda com algum líquido, a tampa logo ao lado, repousando ao pé de um cinzeiro apenas preenchido de pó. Um caneta, seca de tinta, acompanhada de um dossier aberto numa página em branco e de um calendário atrasado de muitos meses. Entro num antigo arquivo, uma dezena de estantes repletas de dossiers que um dia terão sido pretos, agora cobertos de uma névoa que por aqui foi ficando até se instalar por inteiro. Leio as lombadas. Invocam diferentes departamentos, variadas funções, recuando no tempo, cinco, dez, quinze anos. Os mesmos anos dos cartazes motivacionais, promocionais e outros que tais que decoram as paredes. Tudo envelhecido antes do tempo, papel amarelado, tinta desbotada, na maior parte dos casos a esconder a humidade e as infiltrações do edifício. Fico com o olhar preso num livro, em cima de uma secretária, que parece lembrar-me outros tempos, mais inocentes, da minha própria infância. Sopro o pó que o cobre, abro-o e folheio as páginas. Nomes atrás de nomes, dias atrás de dias, horas de entrada, horas de saída. Assinaturas copiadas até ao fim da cada página. Reconheço um ou dois dos nomes, numa pequena imensidão de outras pessoas, homens e mulheres que passaram e trabalharam por esta casa. Retratos a caneta bic azul de um tempo que já pertence ao passado e não verá a luz do futuro. Algumas das estantes não aguentaram o desaparecimento das pessoas e deixaram-se desfalecer sob o peso dos papéis e mais papéis. Ali jazem, no chão de fórmica, inertes, derrotadas, esperando o momento em que serão depositadas num qualquer aterro ou compactador que as devolva à vida sob uma outra qualquer forma. Papéis em cima de papéis em cima de mais papéis. Espalhados por todas as salas. Sempre à espera de um olhar que os veja mais uma vez, que os veja como mais do que uma obrigação legal, imposição burocrática que teima em desaparecer. De que servem agora? Se alguém lhes ateasse fogo, quem precisaria mais deles? Para quê? Para acabarem aqui, tão derrotados como a empresa que aqui morou. Apenas isto resta, anos e anos de trabalho, suor, vitórias, lágrimas, derrotas, tudo isto para nada mais ficar. É tempo de limpar tudo. Varrer o chão, os papéis, as teias de aranha, as vidas que abandonaram este sítio e apenas continuaram fora destas quatro paredes. Aqui dentro acabou-se. Uma nova alma virá ocupar isto, mas agora é apenas respeitar o silêncio que aqui há e recordar os erros, lembrar por momentos o que aqui houve e trabalhar para que a história não se repita e pensar que a esperança pode ser muito mais que o nome de uma aldeia ou o nome de uma infeliz campanha publicitária. A esperança, ou melhor, a Esperança pode começar neste preciso segundo. Assim o esperamos.



quarta-feira, setembro 24, 2014

Stranger Than Fiction

"As Harold took a bite of Bavarian sugar cookie, he finally felt as if everything was going to be ok. Sometimes, when we lose ourselves in fear and despair, in routine and constancy, in hopelessness and tragedy, we can thank God for Bavarian sugar cookies. And, fortunately, when there aren't any cookies, we can still find reassurance in a familiar hand on our skin, or a kind and loving gesture, or subtle encouragement, or a loving embrace, or an offer of comfort, not to mention hospital gurneys and nose plugs, an uneaten Danish, soft-spoken secrets, and Fender Stratocasters, and maybe the occasional piece of fiction. And we must remember that all these things, the nuances, the anomalies, the subtleties, which we assume only accessorize our days, are effective for a much larger and nobler cause. They are here to save our lives. I know the idea seems strange, but I also know that it just so happens to be true. And, so it was, a wristwatch saved Harold Crick. "


segunda-feira, setembro 15, 2014

the perks of being a wallflower

"I walk around the school
hallways and look at the
people. I look at the teachers
and wonder why they're
here. Not in a mean way. In a
curious way. It's like look-
ing at all the students and
wondering who's had their
heart broken that day... Or
wondering who did the heart
breaking and wondering why."

Stephen Chbosky

 

quarta-feira, setembro 03, 2014

"I'm so sorry for everything..."



Hoje tive uma ideia que já não me passava pela cabeça há muito tempo. Desde a altura em que era adolescente e tudo me parecia urgente, com o tempo a fugir por baixo dos meus pés. É uma ideia que normalmente me assusta de tão aterradora que é. Mas hoje, sentado num banco à beira-mar, sem vento e apenas com o cheiro da maresia, tenho que confessar que essa mesma ideia me pareceu acolhedora, confortável mesmo. É daqueles coisas que passam pela nossa mente, ainda que de forma fugaz, e o sentimento dura apenas alguns segundos, mas uma vez ocorrida e especialmente a forma como me senti em relação a ela, torna tudo muito difícil de interpretar. Lembro-me até de já ter escrito, ao longo dos anos, algumas palavras relacionadas com esta ideia. Mas mesmo quando o faço, acho que acabo por o fazer de uma forma distante e nunca com uma razão suficientemente forte para o justificar. Talvez não haja mesmo justificação. Acontece e pronto. Fim. E depois? Tão aterrador como a ideia em si, é não saber o que há depois. E não afasta a ideia que é uma história que fica a meio, sem a continuação normal dos dias. E como não sabemos o que acontece ao protagonista, esse mesmo fica na angústia de saber o que acontece a todos os outros, os que seguem pela estrada principal. Resumindo, tal como a ideia me deixa um pouco fora do meu normal ser, acontece que também não a consegui afastar o suficiente e ela acabou por cruzar-se comigo. No fundo sei porque é que isto acontece. Porque tenho demasiado tempo em mãos, porque os meus receios me têm rodeado mais vezes recentemente, e também porque me falta alguém. Alguém com quem a partilha fosse total, alguém que me desse a mão e se entregasse por completo a mim, alguém a quem eu me pudesse entregar na totalidade do meu ser. No meu âmago sei que isto poderia colocar ideias idiotas fora do meu cérebro. E que acabaria por ter nas minhas mãos algo mais importante que tudo o resto, algo que me reanimasse, me fizesse saltar o coração e seguir em frente. Um dia destes...


(Novembro de 2009. Toda uma outra vida que ficou lá atrás.)

"Baby, we'll be fine..."



 


terça-feira, agosto 26, 2014

Como diz ali mais abaixo...

... "um simples turista de passagem."


E o anonimato é realmente uma qualidade súbtil. Mesmo que com uma breve referência a "pratos" mais familiares e que nos lembram que o regresso também faz parte do ritual.

 

quarta-feira, agosto 20, 2014

Das palavras que me abraçam.

"as pessoas más não entendem a beleza. não constroem casas nas árvores, não andam de baloiço com os filhos ao colo, não se sentam na areia a ouvir as gargalhadas dos pequenos, não se embrulham com os caes numa obscenidade de beijos, não sabem o sabor da água salgada, não sentem o mar a acariciar a face, não sorriram ao outro, não ergueram sonhos, não brindaram aos amigos, não deram a mão à avó, não apreciaram o olhar do rosto rugoso da mãe, não provaram bolos saídos do forno, não subiram árvores para ver o mundo do alto, não ousaram tocar um dia as nuvens, não se deleitaram com a luz do luar, não se entregam em noites de amor, não comeram torradas a escorrer manteiga, não provaram o sabor da boca do outro, não dançaram ao som de musica imaginária, não deram a mão a ninguém. não quiseram. as pessoas más existem e não vivem."

(da minha querida amiga Polly Jean)

 

domingo, agosto 17, 2014

Um buraco no coração



(ou de como o passado ainda nos atormenta e nos lembra que nunca o poderemos alterar...)